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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre o gosto da leitura na escola

Miriam Mermelstein


A autora enumera alguns pressupostos para a introdução dos alunos no mundo da literatura, como a importância de ter um ambiente cultural no qual o livro esteja presente, de ampliar o repertório do aluno apresentando-o a uma diversidade de gêneros textuais, de ensinar a ler com prazer, de respeitar as escolhas dos jovens diante do universo desvelado pelos livros. Aborda ainda a estreita ligação entre o ler e o escrever, oferecendo sugestões de exercícios para o desbloqueio da escrita criativa.

O professor de literatura e crítico literário, C. F. Moisés, com quem estudo há 10 anos, na apresentação de seu livro “Poesia não é difícil” cita questões muito comuns de serem ouvidas na escola: ‘Como posso gostar de poesia se não a entendo?’ ‘E como entender sem gostar?’ (1)

Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, afirma o autor, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.

Mas como? Eis a questão crucial. O objetivo deste texto é enumerar alguns pressupostos e algumas atividades de linguagem como idéias a serem adaptadas por vocês, professores, em seus planos.

Um pressuposto refere-se à significação de um ambiente cultural na formação do leitor. Desde muito pequenos, os alunos podem ‘ler’ textos, entendido o verbo de forma não literal: quando o professor lê para a classe, quando o aluno conta suas vivências na roda, quando o aluno ouve o colega contar ou descrever algo, quando o aluno ouve uma cantiga e sua letra, quando o aluno ‘lê’ ilustrações de um livro, quando ele tem acesso constante aos livros da sala ou da biblioteca, quando sabe que a leitura é uma atividade valorizada pelo professor.

Sabemos das dificuldades de obtenção e veiculação de livros nas escolas. Bibliotecas sem bibliotecários, livros não tombados e, portanto, não passíveis de circulação, mas sabemos também que existem outras formas de contornar essa situação. Saraus, pedidos em editoras, mutirões do livro, de organização das salas de leitura, feiras culturais, intercâmbios entre classes, cartas a autoridades competentes, etc. são alguns dos recursos que a escola deve utilizar para garantir o acesso do aluno ao livro.

Outro pressuposto refere-se ao grau de complexidade dos textos e das atividades com textos. Não devemos poupar os alunos de novos desafios. A função da escola é ensinar novidades, ampliar o repertório do aluno com exposição de maior diversidade de gêneros textuais. A dosagem e as exigências serão planejadas considerando que a formação do leitor é um processo de amadurecimento. Quanto antes começar, mais sentido fará na vida do aluno-leitor.

O livro é um objeto inserido em um contexto. Tem autoria, propósito, um tempo e um espaço delimitado (de criação e de circulação). Saber sobre o autor e sua época, conhecer suas condições de produção ajuda a inferir sobre outros tempos e outros espaços. Um exercício interessante é o de comparar textos literários de uma mesma temática, mesmo local e épocas diferentes, ou textos oriundos de culturas diferentes abordando o mesmo tema. “É a polifonia e a pluralidade contra o monólogo e a palavra autoritária”. (Sonia Kramer) (2) Intertextualidade. Por exemplo, mixar conteúdos da História com textos literários também é um recurso em que ambas as áreas ficam enriquecidas.

Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento, o prazer e a fruição. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na seara da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.

Outro pressuposto é respeitar a escolha do aluno. Imaginem uma pequena cidade em que seus habitantes só conhecem comida brasileira. Vivem tranqüilos sem saber ou sem querer saber o que existe de diferente lá fora. Aí chega um grupo de imigrantes do Oriente trazendo seus costumes, temperos e especiarias. O que pode acontecer?

A – os dois grupos não se comunicarem.

B – os dois grupos trocarem suas especificidades e criarem um terceiro grupo.

C – os dois grupos aceitarem as mútuas contribuições, mas manterem sua identidade.

Esse é um exemplo do que pode acontecer com quem tem contato com o conhecimento. Transformação. Mas não acontece de imediato, nem uniformemente. É um processo e, como tal, é variável. Especificamente na arte, e dentro dela na literatura, esse processo tem finalidade de aumentar a autoconsciência humana. “A literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e na linguagem”. Nelly N. Coelho (3)

As possibilidades combinatórias são muitas e cada um responde de acordo com sua história, seus sentimentos e possibilidades.

Imaginem agora se todas as pessoas da mesma cidade só conhecessem histórias de saci e lobisomem. Chega na cidade o grupo do Oriente trazendo histórias de califas e odaliscas, nunca antes ouvidas.

Respondam: o que pode acontecer?

Essas analogias nos permitem entender o que muda quando o novo penetra em nosso mundo, as dificuldades de aceitação, o acréscimo que pode significar e a mudança que pode provocar.

Existe uma estreita relação entre produção de textos e leitura. Segundo Citelli (5), a escrita constante pode despertar maior interesse pela leitura. O pressuposto subjacente é que durante o percurso da escrita, os alunos tendem a se expressar cada vez melhor com menos clichês e mais identidade.

Nem tudo que nos apresentam ou que conhecemos tem unanimidade. Podemos falar em tendências, cada classe social, cada bairro, cada sala de aula têm características próprias pois vivem histórias de vida similares. Assim, o professor pode dizer: ‘- minha classe gosta de livros de aventuras’, ou ‘minha classe adora gibis’, como um bloco, mas devemos oferecer opções e respeitar as diferenças.

A leitura e a escrita são, portanto, construídas ao longo da vida escolar com respeito à individualidade, incentivo à narração pessoal, desejo de ser lido ou ouvido.

Os passos da escrita criativa:

1 – narrar e escrever tudo e sempre como uma rotina escolar.

2 – encontrar com o professor e colegas um assunto de interesse para escrever.

3 – começar com o que Lucy McCalkins (4) chama de ensaio, uma primeira escrita.

4 – esboço ou desenvolvimento da escrita. “Ponha no papel”, diz o escritor W. Faulkner, “aproveite a chance. Pode ser mau, mas este é o único modo pelo qual você poderá fazer algo realmente bom”.

5 – revisão – ver novamente, ler para os colegas e professor e reescrever em todas as etapas.

6 – edição – fazer o texto excrito circular, mesmo entre os colegas. Quem escreve, escreve para ser lido e, às vezes, a escola engaveta e só corrige os escritos e esquece do seu autor.

Vamos descrever alguns exemplos de exercícios de desbloqueio da escrita criativa:

1 – o professor sugere: “Abri a gaveta e encontrei...”. O aluno continua o texto escrevendo com: palavras que tenham 2 ou 3 sílabas, comecem com p, m ou s, rime, etc.

2 – o professor leva um texto com ausência de pontuação para os alunos lerem e pontuarem.

3 – o professor dá um poema e pede paráfrase com modificações do personagem, do cenário, etc.

4 – imaginar um personagem não humano, descrevê-lo com características humanas.

5 – pensar o que existe no mar e adjacências e escrever um período combinando palavras pelo parentesco sonoro, ex: areia com ceia, alga com algo.

6 – o professor escolhe algumas palavras, ex. – dia – e os alunos devem atribuir um sentido comum e um sentido figura à palavra.

7 – ad-verso: o professor dá dois versos de uma quadra e pede que os alunos emendem com outros dois versos de um outro assunto.

Esses exercícios podem ser trocados, completados em duplas, dramatizados, tec. Nessa etapa ainda não está em pauta o conteúdo, mas o desbloqueio da escrita.

Referências bibliográficas e sugestões de links:

1 – Poesia não é difícil, Moisés, Carlos Felipe ed. Artes e Ofícios 1996
2 – Diálogos com Bakhtin, Castro, Faraco, Tezza (org) cap. 7 Kramer, Sonia ed. UFPR 2001
3 – Literatura: arte, conhecimento e vida, Coelho, Nelly Novaes ed. Peirópolis 2000
4 – A arte de ensinar a escrever, Calkins, Lucy McCormick ed. Artmed 1986
5 – Produção e leitura de textos, v. 7, Citelli, Beatriz ed. Cortez 2001
6 – Trabalhando com poesia, Beraldo, Alda ed. Ática 1990
7 – Oficina de linguagem, Condemarín, M., Galdames, V., Medina, ª ed. Moderna 2002

*Miriam Mermelstein é pedagoga e autora de obras de Literatura Infantil, tendo ministrado as oficinas “A poesia em sala de aula” e “Abraçando a palavra” no CRE Mario Covas, durante o 1º semestre de 2004

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Escola e família: parceria na formação de leitores autônomos

Um dos principais objetivos da Escola da Ilha é contribuir para a formação de leitores autônomos. Sabemos que as práticas que geram o gosto pela leitura têm início antes da chegada da criança à escola e vão além do tempo que ela passa na escola. Entretanto, temos clareza da importância das ações desenvolvidas pela instituição escolar com relação ao ensino da leitura e ao gosto pela leitura.
Por isso, listamos algumas das atividades mais presentes no cotidiano dos nossos alunos e outras que poderão ser vivenciadas em casa ou ainda desenvolvidas em parceria entre a escola e a família:

» Garantia de horário de leitura em sala, na biblioteca ou em casa (todos lendo, sem cobrança de atividades relacionadas, mas com espaço para comentar as leituras feitas);

» Ciranda de livros com títulos propostos pelos professores;

» Ciranda de livros com livros trazidos pelos alunos;

» Leitura de livros feita pelo professor ou pelo colega;

*Leitura de livros por capítulos;

*Projetos literários com atividades diferenciadas dentro da temática do livro lido;

*Rodas de conversa sobre um livro lido por todos os alunos;

*Leitura de reportagens interessantes;

*Leitura de textos científicos (relacionados aos projetos ou conforme os interesses dos alunos);

*Oficina de poesia;

*Oficina de escrita e reescrita de textos;

*Leitura na biblioteca da escola;

*Contação de histórias;

*Reconto de histórias;

*Escolha de livro para empréstimo;

*Comentários (propagandas) sobre livros lidos, que estimulem o desejo de ler;

*Fazer um resumo do livro lido;

*Ler para a criança, quando possível, causar suspense, dramatizar, aguçar a curiosidade;

*Ler com a criança fazendo um rodízio (o adulto lê uma página e a criança outra);

*Ler sobre temas estudados;

*Ler notícias de jornais, enfatizando a parte cultural;

*Ouvir a leitura feita por outros leitores;

*Freqüentar bibliotecas, museus e galerias de arte;

*Freqüentar cinemas, teatros, eventos culturais e ler nos jornais notícias e críticas relacionadas;

*Freqüentar livrarias para conferir lançamentos, ler e comprar livros;

*Contar para os alunos/filhos experiências pessoais com a leitura vividas na infância e na adolescência;

*Deixar livros à disposição das crianças (mini-biblioteca);

*Assinar e/ou comprar jornais e revistas adequadas à faixa etária dos filhos;

*Mostrar que a leitura faz parte do seu dia-a-dia.
Concordamos com Jean Hébrard, quando ele afirma que: “... a capacidade de ler ultrapassa consideravelmente a capacidade de decifrar”.

Sendo assim, não é apenas o aprendizado do sistema de representação da língua materna que está em jogo, mas, principalmente, o uso social que os nossos alunos venham a fazer da leitura como ferramenta para conhecer, para se informar, para compartilhar, para apreciar, para se emocionar, para se encantar, para se divertir... enfim, para saber mais.

sábado, 20 de março de 2010

Literatura nas Escolas

É fato que os currículos escolares incluem matérias relacionadas ao ensino da literatura. No entanto, a questão levantada por especialistas e demais estudiosos dos processos educativos de crianças e adolescentes é: o potencial dessas aulas é suficientemente aproveitado? A doutoranda em literatura portuguesa Vivian


Steinberg lembra que as obras literárias são complexas e que, para o aprendizado dos clássicos, é necessária uma contextualização aos alunos. “A literatura é toda uma construção do universo da humanidade, é o grande patrimônio da nossa cultura”, afirma. Já a mestre em Literatura Brasileira Celinha

Nascimento argumenta que a leitura e interpretação de textos literários são fontes de conhecimento com “caminhos tortuosos”, e que as atividades propostas a partir de uma obra não devem ser vistas como algo mais importante que o livro em si. “Num mundo cada vez mais medido e sustentado pelas ações e movimentos, é preciso abrir espaço para o delírio silencioso que é a literatura”, sugere. Leia a seguir a íntegra dos artigos escritos pelas especialistas a convite da Revista E.

Sobre a literatura e a leitura: apenas uma matéria nas escolas?
por Vivian Steinberg

“Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vivido tão plenamente como aqueles que pensamos ter deixado passar sem vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido.
(...)
Quem, como eu, não se lembra dessas leituras feitas nas férias, que íamos escondendo sucessivamente em todas aquelas horas do dia, que eram suficientemente tranqüilas e invioláveis para abrigá-las?”
Marcel Proust

Se vamos conversar sobre literatura, não tem como não abordarmos o tema leitura. A paixão pelos livros, pelos encantamentos das histórias, pelas viagens que nos proporcionam, é o que quero passar, em primeiro lugar.


Porém, a literatura não se resume à paixão pelas histórias. A literatura é toda uma construção do universo da humanidade, é o grande patrimônio da nossa cultura. Primeiro de uma civilização, depois de uma época, de um lugar, de um autor, marcada por valores históricos e geográficos. Devemos ler como se o texto diante de nós tivesse significado. Não será um significado único. Precisamos ler como se, de fato, as circunstâncias em que o texto foi escrito tivessem importância. Então, a leitura de um livro literário não é apenas o contar de uma história, é o contar de uma história a partir de um ponto de vista, porque o escritor não é isento e ele vive situações singulares. Ou seja, o autor parte de um universo particular, passa por uma esfera familiar. Depois, o lugar em que ele habita, a época e a língua materna são fatores determinantes para a construção de sua obra.

É preciso estar consciente de que uma obra literária é complexa, há todas essas informações. Por isso, é tão importante, nas escolas, a leitura de obras clássicas brasileiras e universais. Os clássicos servem para entender quem somos e aonde chegamos. Os livros clássicos brasileiros são indispensáveis, justamente para serem confrontados com os estrangeiros; e os estrangeiros, por sua vez, para serem confrontados com os brasileiros. É uma forma de conhecer melhor o povo brasileiro e nos conhecermos melhor, como brasileiros. E, porque a literatura é uma das artes, o conhecimento se dá não apenas através do intelectual, mas também do emocional e intuitivo. O conhecimento e a leitura de clássicos universais ampliam a visão do homem. Até agora falamos de dois pontos importantes ao tratarmos da literatura: os clássicos universais e os clássicos brasileiros.

Outro aspecto para trazermos à discussão é a leitura como prazer, questão fundamental na construção de um currículo coerente. É importante mesclar os clássicos com outras leituras. Não que a leitura de clássicos não possa ser prazerosa, mas é preciso mostrar “o caminho das pedras.” Para ler os clássicos, temos de definir “de onde” eles estão sendo lidos, caso contrário, tanto o livro quanto o leitor se perdem numa nuvem atemporal, o que nos adverte Ítalo Calvino. E o dia de hoje pode ser banal e mortificante, mas é sempre um ponto em que nos situamos para olhar para a frente ou para trás. Por isso a escola não perde de vista a literatura atual, a mais próxima dos alunos, a leitura na qual nos identificamos com personagens ou situações vividas.

Nos primeiros anos, após a grande descoberta na infância – o aprendizado da leitura e, conseqüentemente, da escrita –, a tarefa do educador é continuar a alimentar essa alegria, essa conquista. Na história da humanidade, Santo Agostinho resumiu assim a felicidade da descoberta da leitura: “Quando as palavras na página não apenas se ‘tornavam’ sons, quando os olhos as percebiam, elas eram sons”. A leitura de livros nessa idade é fundamental; primeiro para alimentar essa alegria e, depois, para a criança perceber a grandeza dessa conquista, perceber que a linguagem escrita não serve apenas para informar, mas também para formar, não no aspecto moral, mas estético. Em outras palavras, a criança percebe que se brinca com as palavras, as histórias nos transportam para situações diferentes do nosso cotidiano.

Mas como passar essa paixão em aulas? O trabalho é não deixar essa alegria inaugural se perder. Falar é fácil, mas na prática a situação muda, não é? Com o tempo, o aluno se acostuma com essa grande conquista, o aprender a ler passa a fazer parte do dia-a-dia, as leituras viram obrigação. Aliás, a leitura faz, de tal forma, parte do cotidiano dos moradores de grandes metrópoles, que nem mais percebemos como somos dependentes dessa atividade: a leitura.

Diferentemente dessa leitura cotidiana, há a leitura necessária nas escolas, em qualquer matéria. Trabalhamos a leitura de livros a partir da alfabetização. A criança, aos poucos, percebe que existem a leitura funcional, que traz uma informação objetiva, e a leitura de histórias, na qual a imaginação é requisitada. E há, ainda, outra matéria dos currículos escolares, que discute e apresenta histórias com personagens, narrador, imaginação, fantasia, e cujo nome acadêmico é literatura.

Precisamos de experiência de vida para aproveitar melhor uma leitura. Por isso, ao abordarmos determinado livro numa sala de aula, é importante mencionar o contexto em que essa obra nasceu, já que não somos leitores do mesmo momento, e, às vezes, o autor escreve sobre determinada época anterior a ele, então, é preciso fazer essas distinções. Por exemplo, Erico Verissimo (1905-1975), que viveu no século 20, escreveu Ana Terra, que se passa entre 1777 e 1811, no final do século 18 e começo do século 19, quando o Brasil ainda nem era o Brasil. A obra conta os primórdios da formação do Rio Grande do Sul, aponta circunstâncias injustas e grotescas da vida dos homens, salienta o papel da mulher como subalterna. Se tivesse escrito sobre a época em que viveu, ou seja, o século 20, não teria distanciamento suficiente para criticar de forma tão realista.

Há vários caminhos para ler um livro. Cada pessoa tem seus livros, suas preferências e gostos, o que é indiscutível. Precisamos despertar essas preferências nos alunos, e, a partir de leituras comuns, eles estarão aptos a procurar: temas, autores, épocas de suas preferências, distinguindo leituras mais profundas das mais consumíveis.

Outra questão controversa em relação à leitura é o aspecto intelectual que o sujeito apreciador dela exibe, ou como ele é visto. O professor é colocado num pedestal, como se tivesse lido todos os livros e soubesse de tudo, sendo detentor do saber. Não é assim. Ninguém leu todos os livros. As idéias que uma leitura provoca despertam qualquer leitor atento. O papel dos livros como algo inacessível ou difícil, pertencente à alta cultura, precisa ser desmistificado. Os livros devem ser vistos como companheiros.

O papel da escola é restrito, a idéia é fazer com que, junto às leituras acadêmicas, o aluno sinta prazer em ler e escolher suas próprias leituras, nas aulas de literatura. E que, a partir de leituras compartilhadas e silenciosas, o jovem possa compreender melhor o mundo em que vive, os outros e a si mesmo, ou apenas se questionar mais. Como disse Kafka a um amigo: “Lemos para fazer perguntas”.

"É importante mesclar os clássicos com outras leituras. Não que a leitura de clássicos não possa ser prazerosa, mas é preciso mostrar “o caminho das pedras”
Vivian Steinberg é doutoranda em literatura portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Professora de português e literatura do Colégio Ítaca.


 
Literatura na escola, o direito ao convívio com as palavras
por Celinha Nascimento
 
Poderíamos começar contando um tanto da história da leitura e da literatura nos bancos escolares, uma história bastante interessante que se entrelaça com a própria educação. Podemos eleger dois episódios importantes: o primeiro nos diz que a idéia de ensinar através das histórias sempre esteve presente em livros didáticos e antigos livros de leitura silenciosa, o segundo nos ensina que a leitura de obras ditas clássicas era e é obrigatória há longo tempo.


Não falaremos dessa história neste artigo, mas ela nos é importante para compreender algumas questões do tempo presente. Estamos vivendo e convivendo num tempo incrível das ações e movimentos. Tudo parece ser regido pela batuta da rapidez. Mas a literatura, ou pelo menos a boa e alta literatura, vive mais do como do que do porquê. Não importa realmente se Capitu traiu ou não Bentinho, mas sim a maneira (como) escolhida por Machado de Assis para nos contar essa história. Ou ainda, como ele não conta e deixa o segredo atormentando tantas gerações.

Como ensina Antonio Candido, importante crítico e professor de literatura da Universidade de São Paulo, “o homem precisa de uma dose diária de fantasia e realidade, e a literatura é a mais sofisticada forma de elaboração da fantasia, portanto, uma eficaz dose diária.” Num mundo cada vez mais medido e sustentado pelas ações e movimentos, é preciso abrir espaço para o delírio silencioso que a literatura, e muitas vezes somente ela, abre em nossas vidas, de todos os comos que ela nos ensina a aprender. A literatura nos convida para esse não-movimento, esse calar-se e esperar das próximas palavras, do próximo suspiro que o personagem está prometendo dar a qualquer instante. O incrível é que esse suspiro pode nem ser dado, pode não vir nunca. E encerramos a leitura sem aquilo que esperávamos, fechamos o livro e não encontramos o tal suspiro. A literatura nos convida para experiências além de nós.

A escola, evidentemente e como já dissemos, tem a preocupação antiga de formar leitores. Leitores que possam ler todo tipo de material escrito. A literatura é um desses materiais. Segundo muitos especialistas, o mais alto e o mais nobre desses materiais, mas não o único. Essa preocupação em formar leitores tem sido trabalhada de maneiras variadas ao longo do tempo. Porém, a discussão de formar leitores de literatura talvez não seja tão antiga assim. Livros paradidáticos e de leitura silenciosa estavam muito preocupados com uma leitura e um determinado tipo de texto que fosse conteudista e pragmático. O prazer da leitura demorou a chegar às escolas. Foi preciso um esforço dos educadores para que verificassem que também assim se ensinava a ler e a entender textos.

A diferença nas atividades nas quais se pede leitura e nas quais se pedem leituras literárias não é tão palpável. Herdamos, digo no plural pensando nas gerações que estudaram nos anos de 1970 e 1980, um modelo para averiguar a qualidade da leitura dos livros indicados. Essa verificação de leitura era feita através de fichas que estavam mais preocupadas em saber o que acontecia numa determinada página, que ano nasceu o autor, quanto tempo o personagem X ficou preso, o que disse o personagem Y quando caiu no chão etc. Enfim, tais fichas traziam perguntas concretas que não ajudavam a entender a obra, apenas estavam em busca de saber e constatar se o aluno realmente havia chegado ao final da leitura. Novas formas de avaliação de leitura foram construídas ao longo do tempo, na tentativa de abandonar essas fichas e colocar em seu lugar uma verdadeira discussão sobre as obras. Outra questão, bastante atrelada a essa verificação, está colocada na busca por ensinar e extrair conteúdos quando se lê uma obra literária. Alguns professores utilizam uma narrativa para ensinar matemática, ciências, geografia, história, religião. Esquecem de ensinar literatura.

É preciso ler literatura como literatura. Sem a preocupação dos conteúdos que se podem extrair dela. Aliás, extrair conteúdos pode ser tão prejudicial e desaconselhável como a prática de, ao final de cada narrativa, perguntar ao aluno “qual mensagem o autor quis nos passar?” Não penso que se deva estar preocupado com tal pergunta. Creio que os livros ensinem coisas por caminhos tortuosos e, de novo, retornamos à idéia de um contexto no qual as respostas imediatas são as mais aceitáveis e mais esperadas. A literatura é ferramenta da espera, da paciência com o texto e o autor. Existe uma verdadeira sofreguidão em fazer atividades pós-leitura: pedem-se com freqüência desenho, resumo, reescrita, novos finais. Todas essas atividades são legítimas, mas não podem tomar o lugar ou serem mais importantes que a leitura do texto. O texto deve fazer sentido por ele mesmo. A literatura também se alimenta de si mesma e pode ser entendida e analisada dessa forma. Podemos terminar uma leitura e simplesmente fechar o livro e nem mesmo perguntar se a turma gostou ou não da história. Pode parecer estranho, mas ler por puro prazer é também uma maneira de ler, é também uma forma de falar do prazer de ler.

Penso, portanto, que, além dessa maneira mais filosófica de pensar a literatura, também podemos pensar que ensinar literatura é falar de autores, editoras, ilustração, gêneros, épocas e estilos. Esses elementos se combinam e se misturam, mas não são mais urgentes ou importantes que a própria narrativa. Um bom exemplo, ou até dois, estão sendo comemorados neste ano: Machado de Assis e Guimarães Rosa criaram, à revelia de estilos e épocas, maneiras absolutamente singulares de edificar suas obras. Quando dizemos texto machadiano ou roseano, não estamos adjetivando pelo sobrenome, mas afirmando que é quase impossível enquadrá-los numa escola literária. Não são modernos, contemporâneos, realistas, são machadianos e roseanos, apenas. Também precisamos pensar a literatura que se alimenta de literatura, de autores que são leitores. Quando ofereço Harry Potter [J.K. Rowling, Editora Rocco] para meus alunos, preciso ensiná-los que a autora bebeu em fontes anteriores, então não posso me furtar de mostrar Crônicas de Nárnia [C.S. Lewis, Editora Martins Fontes], Senhor dos Anéis [J.R.R.Tolkien, Editora Martins Fontes], Escola de Magia [Michael Ende, Editora Martins Fontes] e toda a belíssima literatura oral e escrita medieval, nas quais aparecem mágicos, bruxos, lugares e animais fantásticos, enfim, todo o incrível universo utilizado e recriado pela autora do tão famoso bruxinho Harry. Ou quando tenho em mãos deliciosas narrativas que brincam com outras misturando personagens, citando outras obras e autores, preciso aproximar meu leitor dessas referências que dão ainda mais vida para a leitura.

Uma atividade de leitura muito querida pelos alunos é o Mar de Histórias. Distribuídos sobre um belo tecido, muitos livros estão disponíveis para a escolha de ávidos leitores. O convite é para que os alunos façam suas escolhas pessoais baseadas no desejo, na curiosidade, em algum tipo de necessidade, pois elas existem. Posteriormente, eles falam dessas leituras/obras escolhidas. Mas não é só o Mar de Histórias, o trabalho deve conter gêneros, autores, temas, leituras individuais e coletivas e, em especial, muito diálogo depois das leituras. O que importa em todas essas atividades é que as crianças possam, verdadeiramente, mergulhar nas leituras feitas, como num mar.

Se afirmarmos que o autor é também leitor, não podemos deixar de dizer que o professor também é modelo de leitor. Ele deve ser um apaixonado pela leitura e pela literatura e estar aberto e afiado para ouvir as leituras coletivas que surgem da análise de uma obra, das diversas leituras feitas por seus alunos.

E, como comecei meu texto citando Antonio Candido e em homenagem aos seus 90 anos completados este ano, termino citando-o novamente: “A literatura existe porque a realidade não basta”.

“É preciso ler literatura como literatura. Sem a preocupação dos conteúdos que se podem extrair dela. Aliás, extrair conteúdos pode ser tão prejudicial e desaconselhável como a prática de, ao final de cada narrativa, perguntar ao aluno “qual mensagem o autor quis nos passar?”
Celinha Nascimento é mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), coordenadora dos projetos de leitura Letras de Luz (2007 e 2008), Ecoteca (2001 a 2006) e da Escola Castanheiras.


Fonte: Revista E SESCSP

terça-feira, 2 de março de 2010

Projeto Revisteca Abril

Criado em 2005, o Projeto Revisteca é uma iniciativa do Grupo Abril e a Dinap, empresa do Grupo Abril.

A base do projeto é a doação de revistas da Abril para a formação de espaços de leitura em bibliotecas e escolas.

O objetivo da Revisteca é incentivar a leitura por meio do acesso gratuito de revistas e coleções do Grupo Abril.

Revisteca de Joinville - SC


Revisteca de Blumenau - SC

A Revisteca Abril, projeto da Distribuidora Nacional de Publicações que leva os principais títulos da Editora Abril a locais com pouco acesso à informação, passa a apoiar o projeto Biblioteca Móvel Itapemirim/Shell, unindo duas iniciativas com o objetivo de incentivar a leitura e disseminar informação. A Biblioteca Móvel é, na verdade, um ônibus itinerante que circula pelas regiões centro-oeste, sul e sudeste desenvolvendo atividades como leitura no local, empréstimo de livros, teatro de fantoches, oficinas lúdicas, projeção de filmes, entre outras.






Revisteca dentro do ônibus da Itapemirim






Mais informações

Fonte: Editora Abril
          Dinap

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O papel da escola no incentivo à leitura

Cristiane Rogerio e Marina Vidigal

Imagine uma escola em que as crianças topam com um livro a toda a hora. Quando querem procurar algo para fazer, lá estão os exemplares, disponíveis. Se é hora de procurar informações, também estão eles lá, como opções. Para incentivar a escrita, contar histórias, eles são as estrelas. E aqui, estamos falando de literatura: uma história que faça o leitor viajar, encontrar com medos, ver suas dúvidas, dar muita risada, descobrir o mundo. E treinar muito, claro, sua capacidade de leitura, de entendimento, de prazer com o livro.

Crianças que convivem em ambientes de leitores e para as quais adultos lêem com freqüência, interessam-se mais pela leitura e desenvolvem-se com maior facilidade nesta área. CRESCER conversou com educadores, pedagogos, críticos de literatura infantil e especialistas em programas de incentivo à leitura e listou aqui o que pode fazer uma escola ser realmente parceira nesta bela empreitada.

Leitura diária

Em muitas escolas, é comum a leitura diária de história, desde o primeiro ano de vida da criança. “Lendo, discutindo trechos da história e chamando a atenção para as ilustrações, favorecemos aspectos fundamentais da leitura, como compreensão de texto, seqüência narrativa, personagens e espaço”, diz Maria de Remédios Ferreira Cardoso, vice-diretora da Educação Infantil da Escola Móbile (São Paulo, SP). Mesmo as crianças já alfabetizadas devem ser expostas a leituras, que, neste caso podem ser compartilhadas em classe e acompanhadas de discussão do texto, dos elementos que o compõem e de análise do enredo.

Oportunidade de manuseio de livros

Para que as crianças adquiram intimidade com os livros, é importante terem oportunidades de tocá-los, sem a intervenção de adultos. Fica tudo no ritmo da criança.

Acervos diversificados

Os livros devem ser diferentes, adequados à idade dos alunos, constantemente atualizados e bem conservados. As visitas à biblioteca devem fazer parte da rotina das crianças e, no local, é importante haver um profissional capaz de orientar os alunos e estimular a leitura de obras adequadas.

Os livros deles

Para as crianças, a possibilidade de levarem para a escola seus livros preferidos é um grande estímulo. Muitas escolas incentivam a prática, lendo em sala os livros dos alunos. Isso fará com que eles com compartilhem com os amigos e, quem sabem, emprestem um para o outro.

Pais como parceiros

As escolas devem chamar os pais como aliados no estímulo à leitura. Podem ser indicações em conversas, via internet ou em reuniões. Ou colocar livros à disposição na escola e convidar os pais a conhecer o acervo.

Visita de autores

Encontros com autores são positivos para as crianças adquirirem maior intimidade com seus livros, histórias e personagens e perceberem que criar histórias é inclusive uma profissão. Mas a escolha precisa ser bem cuidada: de preferência, a escolha deve partir – ou pelo menos ser muito bem aprovada – pelas crianças. Nada de fazer as crianças conhecerem o autor indicado somente porque ele vai lá. O bacana é oferecer, ver o que agrada e contatar as editoras.

Professores leitores e atualizados

Para atuar na formação de novos leitores, ninguém melhor do que professores leitores., nem a contratação de um professor deve ser efetivada caso ele não se revele um leitor ativo. “O trabalho feito por professores não leitores pode prejudicar o vínculo da criança com o livro, pois quem não garimpa livros antes da indicação e da adoção, nem sempre vai escolher títulos realmente capazes de sensibilizar os alunos”, diz Sueli Cagneti, professora de Literatura Infantil e Juvenil da Universidade da Região de Joinville (SC). Elizabeth Serra, pedagoga e Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, concorda e acredita que a escola deve promover grupos de leitura entre professores, como parte de um projeto de formação continuada.

Leituras obrigatórias

As leituras obrigatórias parecem ser um recurso inevitável, já que as crianças precisam vivenciar determinadas experiências literárias ao longo da vida escolar. A escola deve procurar, no entanto, fazer dessas leituras algo prazeroso para a criança. A leitura obrigatória pode ser um bom instrumento pedagógico, permitindo que as crianças apresentem seus pontos de vista, diferentes interpretações e opiniões. “Na escola Grão de Chão, utilizamos, por exemplo, uma ficha de avaliação em que a criança diz se adorou, gostou ou não gostou da leitura. Com isso, ela aprende que um texto chato para um, pode ser divertido aos olhos de outro”, afirma Paula Ruggiero, Coordenadora Pedagógica da escola.

Quando for hora de apresentar os clássicos da literatura brasileira e mundial, o empenho em “conquistar” este novo leitor deve continuar.

“Por apresentarem uma linguagem elaborada e tratarem de assuntos por vezes complexos, os clássicos precisam ser mais trabalhados em sala, fazendo trocas de opinião, predição sobre acontecimentos, explicações paralelas sobre fatores históricos, maneiras de pensar da época, por exemplo”, afirma, Maria Cecilia Materon Botelho, diretora pedagógica da SEE-SAW/Panamby Bilingual School.

Nada de mensagens obrigatórias

Livro não tem uma única interpretação, uma mensagem absoluta, muito menos obrigatória de a criança encontrar, ler nas entrelinhas. “Mais do que apreender o conteúdo de uma história, um poema ou uma ilustração, a criança deve se apropriar das estratégias de aproximação com os textos e com a literatura”, diz Peter O’ Sagae, leitor crítico e editor do site Dobras da Leitura.

Fonte: Revista Crescer

Leitura para toda a escola

Ler todos os dias foi a chave para alfabetizar e formar uma comunidade "louca por livros"

Paula Nadal gestao@atleitor.com.br

Em dezembro de 2005, quando Cláudia Zuppini Dal Corso e Silvana Aparecida Santana Tamassia foram chamadas para assumir o comando da EMEIEF Cata Preta, no município de Santo André, na Grande São Paulo, a situação era desanimadora. Setenta alunos tinham sido reprovados e 58,7% dos matriculados chegavam ao último ano do primeiro ciclo sem estarem alfabetizados. Para piorar, no fim de 2006 foi divulgado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da escola: apenas 3,9, ante à média da rede municipal de 4,8. Ambas já haviam trabalhado juntas em 2003 na EMEIEF Jardim das Maravilhas, também em Santo André, e, por formarem uma boa dupla de gestão, foram convidadas a resolver os problemas da Cata Preta. Hoje, por decisão da comunidade, a escola chama-se Carolina Maria de Jesus, nome de uma escritora que morava numa favela e cuja história se assemelha à dos moradores da região.


Assim que tomaram posse, as gestoras estabeleceram como meta alfabetizar todos os alunos de até 8 anos de idade e melhorar a linguagem escrita dos 1,2 mil estudantes com a implementação de um grande projeto de incentivo à leitura, o Programa Lendo e Aprendendo. Em meados de 2007, as duas receberam um reforço na equipe, o da assistente pedagógica Gilne Gardesani Fernandez, que contribuiu para melhorar ainda mais os resultados que já apareciam. Toda a comunidade foi envolvida: professores, funcionários, alunos e pais passaram a ter momentos diários de leitura e a escola ganhou novos espaços dedicados aos livros. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e graças a uma parceria com a pasta de Cultura, Esporte e Lazer, a equipe investiu na formação dos professores. As atividades foram sistematizadas: diretora e coordenadora pedagógica montaram tabelas com as avaliações dos estudantes para discussão nas reuniões pedagógicas semanais e nos conselhos de ciclo. “O que fizemos foi pensar sempre em prol do aluno”, afirma Silvana. “O envolvimento da equipe diretiva permitiu que os resultados fossem efetivos”, observa Cláudia.

Gestoras Nota 10


Com os números animadores, Silvana Tamassia inscreveu o Lendo e Aprendendo no Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10 e a Cata Preta foi a vencedora na categoria Escola, em 2007. O dinheiro da premiação se transformou numa nova biblioteca e duas professoras foram encarregadas da organização do espaço. Uma delas chegou a desenvolver um sistema eletrônico de cadastro e empréstimo de exemplares, o que facilitou o trabalho de todos.
Segundo Ana Amélia Inoue, selecionadora do Prêmio Victor Civita, o trabalho afinado entre direção e coordenação pedagógica foi fundamental para que o projeto funcionasse. “As gestoras detectaram que os alunos não sabiam ler e definiram o caminho, o que é exatamente o papel da equipe diretiva. Os planejamentos de aula deixaram de ser burocráticos e o envolvimento da comunidade escolar diminuiu a resistência ao programa”, afirma. Em 2008, os esforços foram recompensados: os alunos de 7 e 8 anos da Carolina Maria de Jesus dominavam leitura e escrita. O Ideb de 2007, divulgado no fim do ano passado, chegou a 4,9 – índice superior aos 4,3, que, segundo o projetado, a escola deveria atingir em 2009.
Este ano, o comando da Carolina Maria de Jesus mudou de mãos, mas a nova equipe rebatizou o projeto: Biblioteca Viva. Elizete Cristina Carnelós Buzeto, a atual diretora, conta que uma das propostas para 2009 é ampliar o acervo com livros sem texto para a Educação Infantil, infanto-juvenis para o segundo ciclo do Ensino Fundamental e crônicas e cordel para a Educação de Jovens e Adultos. Já foram organizados horários semanais em que os professores acompanham os alunos à biblioteca para que eles escolham os títulos que desejam levar para casa e no momento cultural destinado aos funcionários estão previstas leituras de gêneros diversos. “Em parceria com contadores profissionais, fazemos contação de história para alunos e funcionários e queremos estender essa atividade também para os pais”, diz Elizete.

Fonte: Revista Escola