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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"O que leva uma criança a ler é o exemplo", diz Ana Maria Machado

Rodrigo Casarin
Colaboração para o UOL, em São Paulo
  • A escritora Ana Maria Machado, que lança novo livro
    A escritora Ana Maria Machado, que lança novo livro
Um dos maiores nomes da literatura nacional, Ana Maria Machado está com livro novo na praça. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2003, entidade que presidiu entre 2012 e 1013 e onde ocupa a cadeira de número 1, autora de mais de 100 livros infanto-juvenis que já superaram as 20 milhões de cópias vendidas em 17 países e vencedora de prêmios como o Machado de Assis, oferecido pela própria ABL, e o Hans Christian Andersen, a honraria mundial mais importante destinada a autores de obras para crianças e jovens, não há dúvidas de que a senhora de 74 anos tem muito a dizer sobre o universo literário. E é justamente isso que seu novo título, "Ponto de Fuga", comprova.
A obra reúne treze ensaios escritos entre 1988 e 2005, boa parte deles apresentados em eventos literários em diversas partes do mundo. Nos textos, a autora fala de diversos elementos que envolvem o mundo das letras, como o mercado editorial, a formação de leitores e como a escola pode ajudar ou prejudicar no despertar do interesse dos jovens pela literatura. "Se republico, é porque acho que ainda vale. Esses textos são reflexões conscientes e embasadas sobre as questões. Podem mudar ligeiramente em algumas circunstâncias, mas não são para descartar segundo a moda de cada ano", diz a autora em entrevista ao UOL.
No livro, a questão de como se introduzir a arte aos potenciais leitores surge como uma das preocupações primordiais. "Em termos bem simples, estou convencida de que o que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo. Da mesma forma que ela aprende a escovar os dentes, comer com garfo e faca, vestir-se, calçar sapatos e tantas outras atividades cotidianas", escreve Ana Maria. "Não é natural, é cultural. Entre os povos que comem diretamente com as mãos, não adianta dar garfo e colher aos meninos, se eles nunca viram ninguém utilizá-los. Isso é tão evidente que nem é o caso de insistir. Se nenhum adulto em volta da criança costuma ler, dificilmente vai se formar um leitor", registra ela no texto "Entre Vacas e Gansos: Escola, Leitura e Literatura".

Já em "Muito Prazer: Notas Para uma Erótica da Narrativa", a autora constata: "Se é verdade que tenho encontrado muitos adolescentes e adultos que não têm vocação leitora, nunca se aproximaram de livros ou até alguns que deles se afastaram em certa idade, também é verdade que nunca encontrei uma criança alfabetizada, com pleno acesso a livros e num ambiente leitor sem cobranças, que não gostasse de ler. Pode rejeitar um certo tipo de livro, ou desenvolver preferências que não são as que o adulto escolheria para ela, mas isso não significa que não goste de ler".
Estou convencida de que o que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo. Se nenhum adulto em volta da criança costuma ler, dificilmente vai se formar um leitor.
Ana Maria Machado, no ensaio "Entre Vacas e Gansos: Escola, Leitura e Literatura", que integra o livro "Ponto de Fuga"
Literatura adulta
Autora de títulos como "Bento que Bento É o Frade", de 1977, seu livro de estreia, "História Meio ao Contrário", vencedor do Jabuti de 1978, "Bisa Bia, Bisa Bel", de 1982, que levou o prêmio de melhor livro juvenil da Fundação Nacional do Livro Infantil Juvenil, e "Menina Bonita do Laço de Fita", uma de suas obras mais reverenciadas, o nome de Ana Maria costuma ser diretamente relacionado ao público jovem. No entanto, sua produção voltada para os adultos também é considerável.

Reprodução
Capa do livro "Ponto de Fuga", de Ana Maria Machado
Em 1983, lançou "Alice e Ulisses", sucedido por uma dezena de outros livros pensados a esse público, para o qual o último trabalho de ficção foi "Um Mapa Todo Seu", lançado no início do ano passado. Questionada sobre o que lhe dá mais prazer, se escrever para crianças e adolescentes ou adultos, ela diz que a comparação acabaria com a graça do ofício. "Para ficar só num exemplo gastronômico, não consigo saber se gosto mais de camarãozinho frito na beira da praia ou jabuticaba recém-tirada do pé", ilustra.
"Escrever para crianças e adultos é diferente, como é diferente conversar com adulto ou com criança. No caso infantil, o prazer é mais próximo da brincadeira. No caso adulto, tem uma densidade mais consciente", explica. "Ambas as atividades são difíceis e apresentam desafios. O universo do leitor infantil tem um repertório menor de acumulação de experiências leitoras que permitam referências intertextuais, então fica mais difícil trabalhar nessa área. Mas justamente por essa dificuldade, traz um desafio mais instigante".
O que anda lendo
"Acho que a literatura brasileira contemporânea vai muito bem, oferecendo uma variedade incrível de leituras atraentes", diz Ana Maria sobre a produção atual, destacando nomes como Bernardo Carvalho, Miltom Hatoum e Cristovão Tezza – a quem generosamente chama de "novos já consagrados" –, mas também elencando outros nomes ao falar de quem vem lhe agradando. "Gente como Daniel Galera, Paulo Scott, Socorro Acioli, Tatiana Salem Levy, Miguel Sanches Neto, Michel Laub, José Luiz Peixoto [este português]… São tantos, tão diferentes entre si. Temos muitos nomes interessantes produzindo coisas muito boas e está até difícil acompanhar".
Falando a respeito de suas últimas leituras, que fez neste verão, conta que está fascinada por "S.", dos norte-americanos J. J. Abrams (diretor de "Star Wars: O Despertar da Força) e Doug Dorst. Também andou lendo policiais de Agatha Christie, "Quarenta Dias", de Maria Valéria Rezende, último vencedor do Prêmio Jabuti, "Um Defeito de Cor", romance de Ana Maria Gonçalves, "Trilhas", de Leonardo Froes, "Diários da Presidência", de Fernando Henrique Cardoso" e "Patrimônio", de Philip Roth, além de fazer releituras de Roland Barthes e Raimundo Faoro.
Lygia Fagundes Telles e o Nobel
Sobre a indicação da colega Lygia Fagundes Telles para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura, Ana Maria é toda elogios. "A Lygia merece tudo de bom. É uma grande autora, das grandes no mundo. Merece muito mais que uma indicação. Merecia já ter ganho. Como outros autores brasileiros também indicados, aliás. Este ano ou há mais tempo. Sei de outras instituições que indicaram outros nomes como Ferreira Gullar, Nélida Piñón, Rubem Fonseca. Ou antes, Drummond, Ariano Suassuna, João Cabral, Jorge Amado", diz.
No entanto, questiona o alarde feito em torno da indicação realizada pela União Brasileira dos Escritores (UBE). "Foi uma grande jogada de marketing da instituição, divulgando por toda parte como se fosse uma premiação. É apenas a indicação de um nome por uma instituição, entre centenas que se enviam todo ano à Academia Sueca. As universidades e associações de classe de todo o país, em várias instâncias, são convidadas a levantar nomes. E elas o fizeram, sendo que este ano a UBE sugeriu a Lygia , como sugerira o Moniz Bandeira anteriormente. Só espero que esse oba-oba em torno do nome dela não a prejudique, porque gostaria muito que ela ganhasse".
E se acredita que há realmente chances do prêmio vir para Lygia? "Não faço a menor ideia do que se passa na cabeça de quem decide isso".
 Fonte: UOL

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Qual a diferença entre ler para a criança e deixá-la ver uma história em vídeo?

Por Equipe Instituto Alfa e Beto

 

Pare e pense por um minuto: nas últimas semanas, quantas vezes você leu uma história para uma criança e quantas vezes você optou por colocar um vídeo em DVD ou na internet para ela? Se a frequência for maior na segunda opção, recomendamos que você pare mais alguns minutos para ler este texto.
Um estudo publicado em agosto no periódico Pediatrics (uma das principais publicações sobre Primeira Infância do mundo) mostrou como o cérebro das crianças reage ao escutar uma história. Com ajuda de ressonância magnética, os pesquisadores conseguiram observar que ao escutar um adulto lendo, crianças de 3 a 5 anos de idade ativavam uma parte do cérebro voltada à integração multissensorial, que integra som e estimulação visual. Isso significa que elas conseguiam ver a história dentro de suas cabeças, mesmo que durante o teste elas estivessem apenas escutando a leitura e sem poder ver as ilustrações.
Segundo o autor principal da pesquisa, John S. Hutton, pesquisador clínico do Centro Médico Hospitalar Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, os níveis diferentes de ativação cerebral sugerem que crianças com mais prática nacriação dessas imagens mentais podem desenvolver habilidades que as ajudarão mais tarde a compor histórias a partir de palavras. “Isso as auxilia a compreender qual é a aparência das coisas e pode ajudar na transição a livros sem ilustrações. Vai ajudá-las posteriormente a serem leitores melhores porque desenvolveram aquela parte do cérebro que as auxilia a ver o que está acontecendo na história.”
De acordo com Hutton, enquanto as crianças estão escutando uma história elas imaginam as cenas, coisa que não acontece quando elas estão assistindo a um vídeo. “Elas não precisam imaginar a história, ela está simplesmente sendo apresentada para elas”, defende. A diferença estaria principalmente no tipo de linguagem usada nas histórias lidas e nos filmes e desenhos animados. Quando lemos, fazemos uso de palavras que não usamos no cotidiano ao falarmos com uma criança. E o vocabulário dos vídeos tende a ser mais oralizado, excluindo certas palavras e formas gramaticais. Se ficarem apenas ligadas ao que é dito nas telas, as crianças perderão a oportunidade de criar novas conexões cerebrais.
Ainda que alguns programas possam oferecer conteúdo educativo, nenhuma animação ou desenho poderá substituir o impacto positivo no cérebro da criança causado pela leitura em voz alta realizada por um adulto. A leitura revela novas palavras, que ajudam a compor as bases de aprendizagem de cada pessoa. Quando mais cedo esse hábito for desenvolvido, melhor será o impacto ao longo da vida.
 Fonte:  Instituto Alfa e Beto 

O que as crianças aprendem com as histórias infantis?

Por Equipe Instituto Alfa e Beto


Como uma criança entende que a lagarta pode se transformar em borboleta, mas que um sapo não pode virar um príncipe encantado de verdade? De acordo com uma pesquisa publicada no início deste ano, no periódico científico Child Development, essa capacidade começa a se desenvolver bem cedo, por volta dos 3 anos de idade, e está ligada à leitura realizada em casa e na Educação Infantil. Segundo o estudo, os pequenos conseguem entender a diferença entre o que é real e o que é fantasia e conseguem, ainda, aprender informações das histórias para usar em sua vida cotidiana antes mesmo de entrar na escola.
O estudo assinado pelas pesquisadoras Caren M. Walker, Alison Gopnik (Universidade da California, Berkeley) e Patricia A. Ganea (Universidade de Toronto) mostra que a ficção oferece importantes oportunidades para as crianças aprenderem informações que elas não podem experimentar diretamente – especialmente no que diz respeito a fenômenos não observáveis.
As histórias nos ajudam, desde muito cedo, a compreender o mundo que nos cerca. Quando os adultos leem uma ficção, o cérebro realiza um duplo esforço, que é chamado pelas pesquisadoras de “dilema do leitor”: ele tenta separar a histórias em partes para isolar os conhecimentos que pertencem ao mundo real das informações falsas, mas, ao mesmo tempo, tenta incorporar os conteúdos da história para aplicar no mundo real. O mais interessante é saber que esse movimento cerebral complexo começa antes da alfabetização.
No entanto, a ficção infantil varia consideravelmente: muitas histórias são descrições realistas do mundo, enquanto outras são altamente irreais e fantásticas. Como resultado, aprender com histórias representa um desafio único para as crianças em desenvolvimento. Conforme elas vão envelhecendo, explica a pesquisa, essa diferenciação vai aumentando e elas vão ficando mais capazes de usar informações das histórias em suas vidas. Essa capacidade se desenvolve significativamente na Primeira Infância (primeiros 6 anos de vida), assim como aumenta a capacidade de distinguir entre eventos possíveis e eventos impossíveis.
A pesquisa mostra ainda que quanto maior a semelhança entre a imagem mostrada em um livro infantil e um objeto real, mais simples é para a criança distinguir entre os dois. Assim, elas são menos propensas a transferir informações para suas vidas a partir de livros de histórias fantasiosas, com representações que atribuem características humanas e estados mentais a personagens animais, por exemplo, do que fazê-lo com histórias mais realistas. Para elas é mais fácil absorver conteúdos de histórias que representam situações plausíveis do que de histórias em que pessoas voam ou árvores falam, por exemplo.
Embora os resultados demonstrem que os contextos realistas facilitam a absorção de informações, não se pode dizer, de modo algum, que a ficção fantasiosa é prejudicial para o desenvolvimento infantil. Pelo contrário. Pesquisas comprovam que a fantasia pode melhorar o desempenho das crianças em tarefas cognitivas, como avanços no raciocínio dedutivo, na lógica e nas habilidades linguísticas e de narrativa. Ou seja, todos os livros trazem benefícios para as crianças e contribuem e muito para o seu desenvolvimento.
Agora que você já sabe como as crianças assimilam as histórias e por que elas são importantes para o desenvolvimento infantil, que tal organizar uma rotina de leitura na Educação Infantil e em casa? A seguir, indicamos alguns livros, divididos por idade. São recomendações extraídas do nosso Guia IAB de Leitura, com referências de 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola. Neste livro on-line você poderá encontrar muitas outras sugestões, não deixe de conferir. Boas histórias não vão faltar!

0 a 1 ano
  • A casa dos beijinhos, Claudia Bielinsky, Ed. Companhia das Letrinhas
  • Carneirinho, carneirão, Marie-Hélèbe Grégoire, Ed. Salamandra
  • Zoom, Istvan Banyai, Ed.Brinque-Book
A partir de 1 ano
  • A girafa que cocoricava, Keith Faulkner, Ed. Companhia das Letrinhas
  • As coisas que eu gosto, Ruth Rocha e Doa Lorch, Ed. Salamandra
  • Filó e Marieta, Eva Furnari, Ed. Paulinas
A partir de 2 anos
  • A borboleta, Taisa Borges, Ed. Peirópolis
  • A caixa de lápis de cor, Maurício Veneza, Ed. Positivo
  • Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault, Ed. Companhia das Letrinhas
 A partir de 3 anos
  • A fantástica máquina dos bichos, Rith Rocha, Ed. Salamandra
  • 12 fábulas de Esopo, Hans Gärtner, Ed. Ática
  • Alice no país da poesia, Elias José, Ed. Peirópolis
 A partir de 4 anos
  • A árvore que dava sorvete, Sérgio Capparelli, Ed. Projeto
  • A centopeia que pensava, Herbert de Souza, Ed. Salamandra
  • O menino que vendia palavras, Ignácio de Loyola Brandão, Ed. Objetiva
A partir de 5 anos
  • A guerra dos bichos, Luiz Carlso Albuquerque, Ed. Brinque-Book
  • O menino, o cofrinho e a vovó, Cora Coralina, Ed. Global
  • Coleção Érico Veríssimo, Érico Veríssimo com ilustração de Eva Funari, Ed. Companhia das Letrinhas

Orientações sobre como ler para bebês e crianças pequenas

leitura bebes 2

Leitura para bebês e crianças pequenas: isso faz sentido? As evidências dizem que sim. A leitura deve ser um hábito a ser formado da mesma maneira que ensinamos as crianças a comer, dormir, tomar banho. Ler na Primeira Infância ajuda no desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, no sucesso escolar. Mas como ler para crianças que ainda não foram alfabetizadas ou nem sequer aprenderam a falar?
Reunimos algumas orientações a seguir. Elas fazem parte da cartilha Primeira Infância, Primeiras Leituras, elaborada pelo IAB para ajudar pais e cuidadores a lerem para bebês e crianças pequenas:
Como ler?
Leia conversando: leitura deve ser envolvente, interativa. Deixei que a criança pegue o livro, vire as páginas, leve à boca. Estimule que a criança observe as imagens e, aos poucos, as palavras também.
Durante a leitura, faça perguntas e observações. Dê um tempo para a criança observar e pensar. Converse antes e depois da leitura: “como será esse livro?”, “o que será que vai acontecer nessa história?”, “do que mais você gostou?”.
Quando ler?
Leia sempre que a criança pedir e estabeleça um ou dois horários em que você vai ler com a criança todos os dias. É assim se forma o hábito. Na hora do banho, da soneca ou na hora de dormir são algumas sugestões. Mulheres grávidas também podem exercitar a leitura com seus bebês. Leia seus poemas favoritas, cante cantigas, converse com ele.
Onde ler?
Não existe desculpa para não ler. Você pode ler com as crianças em casa (no sofá, na cama, na sala), nos momentos de espera (no ônibus, na sala de espera), na rua (estimule a criança a observar sinais, letreiros, cartazes) e até mesmo durante as compras (observando rótulos de produtos).
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Agora que você já sabe que ler para os pequenos é importante e já sabe como iniciar essa atividade, não perca mais tempo! Comece hoje mesmo a desenvolver o hábito da leitura com as crianças ao seu redor.
(Na imagem acima, o pequeno Murilo manuseia a Coleção Pequenos Leitores)

Pesquisa mostra impacto da leitura no cérebro das crianças

Por Equipe Instituto Alfa e Beto



Ler para crianças durante a Primeira Infância é importante para seu desenvolvimento educacional – e essa é uma prática que vem sendo cada vez mais incentivada pelas entidades da área, sendo uma das prioridades do Instituto Alfa e Beto.
Um novo estudo vem reforçar essa recomendação e revela qual é o efeito da leitura no cérebro dos pequenos. A pesquisa foi lançada há duas semanas pela Pediatric Academic Societies, dos Estados Unidos, e mostra que quanto mais cedo os bebês têm contato com a leitura, mais seus cérebros desenvolverão conexões neurais relacionadas ao entendimento da linguagem.
Isso significa, segundo os pesquisadores, que o efeito positivo da leitura para a compreensão da linguagem e expansão do vocabulário é equivalente ao ensino de regras de sintaxe, que acontece nas aulas de gramática. Mais uma prova de que a leitura para bebês influencia diretamente na alfabetização dos pequenos na idade certa.
Para realizar a pesquisa, os estudiosos analisaram entrevistas concedidas por 19 famílias com filhos na pré-escola, sendo 40% delas de baixa renda. Nos questionários, os pais precisaram falar sobre sua rotina de leitura com as crianças, incluindo a idade com que os pequenos foram apresentados aos livros e o conteúdo da leitura a que foram expostos.
Em seguida, neurologistas analisaram o comportamento cerebral das 19 crianças enquanto elas escutavam uma história. Os exames constataram que a atividade na parte do cérebro responsável pela compreensão da linguagem era mais intensa nas crianças que tiveram contato com a leitura mais cedo e com maior frequência.
John S. Hutton, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, acredita que a descoberta vai auxiliar pesquisas futuras para, em breve, responder a questões como por quanto tempo e com que frequência é necessário ler para as crianças pequenas.
A pesquisa foi tema de uma reportagem recente da revista americana Time. Consulte também a pesquisa completa (ambos em inglês).

Oito estratégias para trabalhar a compreensão da leitura

Por Equipe Instituto Alfa e Beto



Mesmo que decodifiquemos as palavras que vemos em uma página ou tela de computador, não podemos ter sempre a certeza de que, como leitores fluentes, estejamos efetivamente compreendendo o texto. Pior: somos capazes de seguir uma passagem de texto escrito, em que as palavras e estruturas de frases são familiares e, mesmo assim, depois de várias páginas, temos que parar e dizer a nós mesmos: “O que isso quis dizer?”.
Compreender o que se lê é um processo que começa desde o nascimento, com as primeiras leituras realizadas pelos pais e cuidadores. Entretanto, esse processo não é automático: ele precisa ser ensinado desde cedo. Além da leitura e da conversa desde o berço, há estratégias que podem ser trabalhadas para ampliar a capacidade de compreensão de texto em crianças e também em alunos mais velhos.
As estratégias que citamos neste texto foram citadas professor Roger Beard, pesquisador vinculado à Universidade de Londres, durante o VIII Seminário Internacional do Instituto Alfa e Beto, realizado em agosto. A apresentação serviu de base para o livro Ensino da Língua: o que dizem as evidências, publicação que está disponível aqui em nosso site.
O livro é um material rico em exemplos e referências retiradas de estudos acadêmicos sérios e reconhecidos mundialmente. Com ele, o educador espera contribuir para melhorar o ensino da leitura e da escrita nas escolas e, assim, garantir a plena alfabetização das crianças. Abaixo, reproduzimos oito estratégias para trabalhar a compreensão do texto e que podem ser usadas tanto em casa quanto na sala de aula para desenvolver esse aspecto nas crianças:
  1. Monitorar a compreensão
    Nessa estratégia, o leitor é convidado a compreender o texto enquanto lê, desenvolvendo procedimentos para lidar com problemas que possam surgir ao longo da leitura. A releitura é um desses procedimentos e pode ajudar a melhorar o entendimento de um texto.
  2. Aprendizagem cooperativa
    Nesse caso, os leitores trabalham juntos para aprender estratégias no contexto da leitura, como a leitura coletiva e a conversa sobre o que foi lido.
  3. Organizadores semânticos e gráficos
    Nessa estratégia, o adulto convida o leitor a representar graficamente (escrever ou desenhar) os significados e as relações das ideias que fundamentam as palavras do texto.
  4. Estrutura do enredo
    Nessa estratégia, o leitor aprende a perguntar e a responder a quem, o quê, onde, quando e por quê; a fazer perguntas sobre o enredo. Em alguns casos, o leitor traça a linha do tempo, identificando personagens e acontecimentos.
  5. Responder perguntas
    O leitor responde a perguntas colocadas pelo professor e recebe feedback. Essa é a prática mais comum nas escolas de interpretação de textos e deve ser trabalhada cuidadosamente para que o aluno não responda de maneira automática, sem refletir sobre o que foi lido.
  6. Perguntas geradoras
    Nessa estratégia, o leitor pergunta a si mesmo o quê, quando, onde, por quê, o que vai acontecer na história, como e quem é o ator da ação.
  7. Resumo
    Nesse caso, o leitor tenta identificar e escrever as ideias principais ou mais importantes que integram ou unem as ideias ou significados do texto em um todo coerente.
  8. Ensino com múltiplas estratégias
    O leitor usa vários dos procedimentos em interação com o professor. O ensino com múltiplas estratégias é eficaz quando os procedimentos são utilizados de forma flexível e adequada por parte do leitor ou do professor, numa situação natural de ensino.

Para que sejam eficazes, essas estratégias devem ser trabalhadas em conjunto com o currículo e adaptadas de acordo com a idade das crianças. Com os pequenos, o desenho e a explicação oral do que foi lido pode ser o início da compreensão. Conforme o aluno aumenta o domínio da escrita, ele pode avançar também nessas estratégias de compreensão, criando resumos e respondendo a perguntas escritas. Tudo isso deve ser bem preparado e ter um objetivo bem definido. Caso contrário, a compreensão pode não acontecer.
Quer saber mais sobre estratégias de ensino da leitura e da escrita? Baixe agora o livro  Ensino da Língua: o que dizem as evidências. O download é gratuito e pode ser feito no computador, tablet ou smartphone.

Observatório de Educação da CNI faz lista com 15 dicas para incentivar leitura entre crianças

Hábitos podem ser adotados nas famílias mesmo antes da alfabetização. No Brasil, menos da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental leem adequadamente.

O início do ano letivo é o momento ideal para planejar novos hábitos entre os estudantes. Uma boa ideia para os pais é desenvolver atividades nas próprias famílias para promover a leitura entre as crianças. Isso porque ela estimula a criatividade e a imaginação; favorece novas aprendizagens; e contribui para que a criança amplie o seu vocabulário, adquira cultura, melhore a escrita, e desenvolva a capacidade crítica. Além disso, a leitura melhora o desempenho da criança na escola, por ser fundamental em todas as disciplinas. Se uma criança não souber ler e interpretar um problema matemático, por exemplo, com certeza, enfrentará dificuldades.

“Do ponto de vista do desenvolvimento, a criança deve se alfabetizar até no máximo oito anos de idade. Esse é o momento ideal. Se não estiver alfabetizada até esse momento, ela, muito provavelmente, começará a enfrentar dificuldades na escola”, afirma a especialista do Observatório Educacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ana Luiza Amaral. Assista a entrevista abaixo: 



REALIDADE BRASILEIRA – Dados de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam que 49% dos estudantes brasileiros na faixa dos 15 anos apresentam baixo desempenho em leitura. Nesse mesmo sentido, estudo realizado pelo Movimento Todos pela Educação evidenciou que apenas 44,5% das crianças que concluíram o 3º ano do ensino fundamental apresentam uma aprendizagem adequada em leitura (Prova ABC, 2012). Na opinião de Ana Luiza Amaral, “o alcance da meta 5 assumida pelo Governo Brasileiro, no Plano Nacional de Educação (PNE), de garantir, nos próximos 10 anos, a alfabetização de todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental, é muito importante para reverter esse quadro”.

A leitura precisa se tornar um hábito e, para isso, é preciso que ela faça parte da rotina da família. Para ajudar pais, Ana Luiza Amaral, que é doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), sugere algumas estratégias que podem ser adotadas antes, durante e depois da alfabetização. Confira abaixo:

Menina lendo com a mãe
Além de ler, os pais podem conversar com a criança sobre a história
ANTES DA ALFABETIZAÇÃO

1.    É fundamental possibilitar à criança entrar em contato com os livros desde cedo. A criança pequena precisa brincar, manusear, tocar o livro. Hoje, as editoras oferecem uma infinidade de livros diferenciados com material apropriado para essa idade, como livros de plástico, com texturas diferentes, maleáveis e coloridos. É importante que os pais levem as crianças a bibliotecas, feiras de livros, bancas de jornais, espaços onde a criança possa ter contato com os livros. 
2.    Perceber o interesse dos adultos em relação à leitura favorece o interesse da criança. Se os pais gostam de ler e têm esse hábito, o comportamento influencia a criança e contribui para que ela também desenvolva o gosto pela leitura.
3.    É essencial ler para as crianças. O interesse pela leitura começa nesse vínculo, nessa troca. A criança entra no universo das histórias, se envolve, se encanta e começa a desenvolver o desejo de se apropriar da leitura, de se tornar um leitor.
4.    Além de ler, é muito importante conversar com a criança sobre a história. Perguntar sobre o que ela entendeu, sobre qual personagem gostaria de ser, se ela daria um final diferente. Ler é muito mais do que decodificar, dar um som para letras, ler é construir sentido, é encontrar significado. Ao conversar sobre o que leu, a criança pensa, reflete, e desenvolve a sua capacidade de compreensão.
5.    Os livros devem ser organizados em um local de fácil acesso para as crianças, como em baús ou estantes baixas, que possibilitem a sua busca, quando elas quiserem. Os livros devem ficar como “doces”, disponíveis para serem saboreados a qualquer momento.

Menino cozinhando
É importante promover atividades que envolvam a leitura, como a culinária
DURANTE A ALFABETIZAÇÃO

1.    Incentivar a leitura em conjunto: a criança lê uma parte e os pais, outra, até que ela tenha fluência para ler um livro inteiro sozinha. 
2.    No início do aprendizado da leitura, oferecer livros com muitas imagens e pouca escrita e, aos poucos, ir aumentando a quantidade de escrita conforme o desenvolvimento da criança. Quando a criança tem um desafio para além do que está preparada, pode ficar desestimulada. É importante oferecer livros de acordo com a faixa etária da criança e com seu nível de leitura.
3.    Incentivar a criança a ler nos jornais temas do seu interesse. Existem cadernos especiais para as crianças.
4.    Estimular a leitura para além dos livros, jornais e revistas. Chamar a atenção da criança para placas, outdoors, para tudo que está a sua volta. Mostrar a importância da leitura para a compreensão do mundo.
5.    Promover atividades que envolvam a leitura. Por exemplo, a culinária. Incentivar a criança a ler a receita e fazer junto com ela algo que goste muito como brigadeiro ou bolo. É importante que a leitura seja algo prazeroso e não uma obrigação.

Menina escrevendo livro
Deve-se estimular a criança a inventar histórias e criar os próprios livros
DEPOIS DA ALFABETIZAÇÃO
1.    Mesmo depois de a criança aprender a ler, os pais devem continuar lendo para ela, pois a troca afetiva que se estabelece no contato com os livros favorece o envolvimento com a leitura.
2.    É interessante estimular a criança a inventar histórias e criar os próprios livros.
3.    Incentivar a troca de livros entre amiguinhos, primos, vizinhos da criança para favorecer o contato com uma diversidade maior de títulos.
4.    Familiarizar a criança com diferentes gêneros literários.
5.    Dosar o tempo de leitura para não sobrecarregar a criança e deixar sempre um gostinho de quero mais.

Edição de texto: Ismália Afonso
Vídeo: Aerton Guimarães e José Paulo Lacerda
Ilustrações: Daniel Castro
Da Agência CNI de Notícias

Pediatra dá dicas de como exercitar a leitura em cada fase da infância

Por Dr. Mário Roberto Hirshheimer - Presidente da SPSP Fonte:Pediatra Orienta - SPSP


As experiências vivenciadas pelas crianças têm grande influência no seu desenvolvimento. Tudo o que as crianças experimentam no mundo externo (vivências e estímulos cognitivos, sensoriais e afetivos) desempenham um papel em sua constituição como indivíduos. Uma importante vivência é ler para elas. A leitura é tão importante, que “receitar livros” se tornou uma recomendação médica.
receite_um_livro
A campanha Receite um livro é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria, em parceria com a Fundação Itaú Social e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
Benefícios da leitura na primeira infância:
• Fortalece o vínculo com quem lê para ela (pais, familiares ou cuidadores).
• Desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio.
• Estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade.
• Ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções.
• Auxilia no desenvolvimento da empatia (a capacidade de colocar-se no lugar do outro).
• Ajuda a minimizar problemas comportamentais, como agressividade, hiperatividade e comportamento arredio.
• Auxilia na boa qualidade do sono.
• Desenvolve a linguagem oral.

Como ler para crianças de 0 a 6 anos
A partir da 25ª semana de gravidez, o bebê já consegue “sentir” o som e ouvir a voz da mãe. Por isso ele reage quando escuta canções e a voz dela e se mexe dentro da barriga. Isso que significa que ele escuta e já está, de certa forma, em comunicação com a mãe. Assim ele nasce com essa memória. O bebê é muito sensível à entonação da voz e é graças a ela que começa a construir significado. A vida cotidiana está cheia de ordens (“não mexa”, “escove os dentes” etc.). Por isso, é necessário oferecer às crianças outro linguajar, isto é, a da escuta, da leitura em voz alta.
Contar histórias é uma prática importante, pois caracteriza um momento de extrema conexão entre a criança e o cuidador, já que, além do conteúdo que está sendo passado, há troca de olhares e contato afetivo, que são muito importantes para a criança desde os primeiros meses de vida. Mesmo que a criança não compreenda ainda o significado das palavras, ela compreende as expressões faciais, o gesto de carinho e a suavidade do tom de voz. Por isso, esses momentos são de interação muito significativos.
A leitura tem papel fundamental no desenvolvimento da linguagem. Por isso, os livros devem fazer parte do universo do bebê desde o nascimento. Quando os cuidadores estão lendo, eles descobrem a estrutura da linguagem e, pouco a pouco, percebem que são as imagens e as letras que fazem os pais contarem as histórias. Assim, a criança vai descobrindo, aos poucos, que as letras são símbolos e que os textos contêm significados.
A leitura deve ser um momento prazeroso, tanto para as crianças quanto para os adultos. Por isso, é importante que os pais escolham livros, histórias, canções, jogos e brincadeiras de que eles também gostem e que remetam às experiências agradáveis que eles tiveram na sua infância. O foco aqui é ser espontâneo e expressar afetividade pelo bebê e não iniciar um processo precoce de alfabetização ou realizar atividade com finalidade pedagógica.
Para que a leitura se torne hábito e contribua efetivamente para o desenvolvimento, ela deve fazer parte da rotina de cuidados do bebê, assim como a alimentação e os rituais da hora de dormir. Então, é preferível ler pequenos textos todos os dias a ler um livro inteiro em um único dia e depois esperar uma semana até a próxima leitura.
Do nascimento até por volta dos 3 anos, os bebês costumam manipular o livro para ganhar familiaridade com ele. Aos poucos vão compreendendo que esse objeto tem significado. Então, é bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita.
De 0 a 5 meses
Os bebês começam a prestar atenção nos gestos dos pais e a imitar os sons. Aos quatro meses, já podem olhar as imagens de um livro, como a pessoa que lê para ele. Afinal, a palavra “cavalo” não dá a forma do cavalo. Então é necessário mostrar-lhe a imagem do cavalo para que ele possa interiorizá-la. Então, os pais podem:
• Apontar as figuras que estão no livro e dizer em voz alta o nome daquilo para o qual o bebê estiver olhando;
• Virar as páginas de acordo com o interesse do bebê;
• Representar com gestos ou com a voz a figura que estiver mostrando para o bebê;
• Imitar os sons que o bebê faz e observar sua reação.

De 6 meses a 1 ano
Nessa fase, a leitura já é bem interativa e os pais devem conversar com a criança sobre as figuras, as formas, as palavras e os sentimentos, relacionando-os com a vida cotidiana. Os bebês, quando conseguem se sentar, já conseguem segurar os livros e também colocá-los na boca. Nessa fase, os pais podem:
• Nomear as figuras que o bebê aponta no livro ou aquelas em que ele fica interessado;
• Ajudar o bebê a virar as páginas do livro;
• Transmitir o clima da história por meio da entonação da voz, de gestos e de expressões faciais;
• Conversar com o bebê e fazer perguntas sobre as coisas que ele está ouvindo ou fazendo. Por exemplo: “Olha o cachorrinho. O cachorrinho faz au-au”;
• Seguir as indicações do bebê para ler mais, repetir ou parar.

É bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita
É bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita
De 1 ano a 2 anos
Nessa fase, a criança consegue escolher um livro e entrega-lo aos pais para que o leiam. Também aponta as figuras e copia as expressões e os gestos do adulto que está lendo para ela. Assim, os pais podem:
• Usar diferentes vozes para representar os diversos personagens das histórias;
• Fazer perguntas para que a criança responda apontando. Por exemplo: “Onde está o gato? ”, “Quem faz miau? ”;
• Incentivar que ela faça o som de determinado animal. Por exemplo: “Como a vaca faz? Mu!”;
• Sorrir e responder quando a criança falar ou apontar;
• Deixar a criança virar as páginas do livro;
• Ler a mesma história várias vezes, se a criança quiser;
• Acrescentar mais palavras quando a criança apontar uma imagem. Por exemplo: “Menina. Essa menina é bonita”;
• Fazer outras perguntas sobre as figuras que ela apontar. Por exemplo: “Cadê o cabelo da menina? ”, “E o cabelo da mamãe? ”, “E o seu cabelo? ”;
• Nomear e demonstrar ações e emoções nas histórias. Por exemplo: “A menina está rindo”. E então rir para o bebê;
• Levar sempre um livro quando sair com o bebê e ler para acalmá-lo ou distraí-lo.

De 2 a 4 anos
Essa é a fase em que as crianças mais gostam de exercer a previsibilidade e, por isso, gostam que os pais leiam as mesmas histórias várias vezes. Também repetem palavras e frases e participam mais da leitura. Os pais podem:
• Fazer perguntas sobre as imagens do livro para que a criança responda. Por exemplo: “O que é isto? ”;
• Ler livros que apresentem ações que as crianças já entendem como inusitadas. Por exemplo, “Os três lobinhos e o porco mau”, ou “O cachorro que faz miau”;
• Valorizar todas as perguntas e comentários que a criança faz, pois são boas oportunidades para começar uma conversa;
• Dar espaço para que a criança faça comentários sobre alguma figura ou palavra;
• Incentivar a criança a contar sua história favorita, de sua própria maneira;
• Levar a criança a bibliotecas ou livrarias para escolher livros ou ouvir histórias;
• Mostrar para a criança como as coisas que acontecem com os personagens são parecidas com algo que ela mesma já fez ou viu;
• Falar sobre os sentimentos dos personagens e perguntar se ela já sentiu a mesma coisa;
• Deixar que a criança conte o que acontece em seguida ao ler histórias já conhecidas.

De 4 a 6 anos
Nessa fase, as crianças escolhem os livros que querem que os pais leiam e fazem perguntas sobre as coisas que acontecem neles. Também corrigem os pais quando eles pulam uma parte de um livro já familiar e conseguem contar uma história conhecida com as próprias palavras. Os pais podem:
• Conversar de forma espontânea sobre os assuntos do livro;
• Responder com interesse às perguntas e os comentários da criança;
• Mostrar para a criança que você está lendo as palavras do livro;
• Ler a história do jeito que o autor escreveu, sem alterar as palavras estranhas e diferentes que ampliam o vocabulário da criança.

A importância do texto escrito
• Apresenta frases completas, sem omissões típicas da fala;
• Respeita a concordância de tempo e, dessa forma, ajuda a compreender a ordem natural dos eventos;
• Utiliza algumas categorias gramaticais com maior frequência do que a fala, especialmente advérbios, preposições, conjunções e pronomes;
• Estimula e permite à criança memorizar, decorar, repetir palavras e frases, antecipar cenas e, dessa forma, ampliar seu repertório semântico e sintático. Isso contribui para:
o Trabalhar a pronúncia das palavras
o Promover maior consciência fonológica
o Conhecer e apropriar-se do universo discursivo;
• Introduz personagens diversos, que permitem à criança sair de si e estabelecer relações de previsibilidade de comportamentos, sentimentos e ações. Isso contribui para:
o O desenvolvimento das habilidades como falar e escutar e das relações sociais
o A criança sentir-se parte da comunidade a que ela pertence.

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Relator:
Dr. Mário Roberto Hirshheimer

Presidente da SPSP.