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sábado, 18 de setembro de 2010

Piracicaba ganha primeira biblioteca em terminal de ônibus

Texto: Paola Ribeiro

A Prefeitura, por meio de parceria entre a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Semuttran), o Instituto Brasil Leitor (IBL) e a Caterpillar, inaugura na próxima quinta-feira, 16, às 11h, a primeira biblioteca em terminal de ônibus da cidade. Com o apoio do Ministério da Cultura, a biblioteca “Máquina do Saber” será implantada no Terminal Central de Integração, localizado na avenida Armando de Salles de Oliveira.

Foto: Justino Lucente

“Esta unidade é muito importante porque agora conseguimos, graças à parceria com a prefeitura, atender também os usuários de ônibus no interior paulista”, diz William Nacked, diretor-geral do IBL – que também é responsável por bibliotecas em sistemas de metrô e trem de todo o Brasil.

O secretário municipal da Semuttran, Paulo Prates, ressalta a feliz escolha do terminal central para instalação da biblioteca, haja vista o grande fluxo de pessoas no local.

“Diariamente, o terminal recebe cerca de 25 mil pessoas de toda a cidade. No mês, são 540 mil usuários que, agora, terão acesso gratuito a mais de dois mil livros”, informa Prates.

O acervo inicial da biblioteca Máquina do Saber conterá 2.125 títulos dos mais diversos gêneros: literatura brasileira, autoajuda, best-seller, infanto-juvenil, filosofia, religião, ciências sociais, linguística, artes e história. A expectativa é chegar a mais de três mil associados nos primeiros dois anos de funcionamento.

Foto: Justino Lucente

A Máquina do Saber funcionará de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h. Para utilizar o serviço, os passageiros precisarão apenas fazer um cadastro gratuito. Os interessados deverão apresentar documento de identidade e CPF (originais e cópias), juntamente com uma foto 3x4. Também será necessário levar o comprovante de residência atual (original e cópia). Menores de 18 anos deverão estar acompanhados dos pais. Os leitores serão cadastrados e receberão uma carteira de identificação com foto e código de barra para usar o serviço. A partir daí, poderão retirar os livros de seu interesse sem custo algum.

Bibliotecas do IBL – A Máquina do Saber de Piracicaba é a décima biblioteca do IBL. O Brasil Leitor mantém, também, cinco Embarque na Leitura em São Paulo (estações Paraíso, Tatuapé, Luz e Santa Cecília do Metrô e estação Brás da CPTM) uma Livros & Trilhos no Rio de Janeiro (Estação Central); uma Livros sobre Trilhos em Porto Alegre (Estação Mercado); uma Estação Leitura em Belo Horizonte (Estação Central) e a Leitura Integrada em Paulista, Grande Recife (Terminal Integrado Pelôpidas Silveira). Juntas somam 55.751 associados e 565.526 empréstimos.
“Esse sucesso prova que o brasileiro quer e gosta de ler. Facilitar o acesso aos livros era o que faltava para incentivar a leitura em um mundo moderno e apressado”, afirma Nacked.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um país que se fez de homens, mas sem livros

Ricardo Carvalho - 16 de setembro de 2010

Manguinhos, no Rio de Janeiro, inaugura um conceito de biblioteca mais atraente à comunidade e que facilita o contato do público com os livros

Inspirado na cidade de Medellín, o projeto busca melhorar
 o desenvolvimento da comunidade. Foto: Caru Ribeiro

O complexo de Manguinhos, região periférica do Rio de Janeiro, foi escolhido para a instalação da primeira biblioteca parque do Brasil. Com a nova Biblioteca Parque de Manguinhos, inaugurada em abril onde antes funcionava uma antiga Divisão de Armamentos do Exército, Manguinhos passou a possuir a maior concentração de equipamentos culturais da cidade. Só de acervo, são 25 mil livros, 3 milhões de músicas em arquivo de MP3, 900 filmes em DVD e diversos brinquedos. Além do mais, os arredores contam com uma praça, centros comunitários e quadras poliesportivas, que devem atender uma população de mais de 100 mil pessoas de 16 comunidades da zona norte carioca. Com isso, espera-se fazer da biblioteca um centro de referência para a difusão de cultura e estímulo à leitura em uma região antes totalmente carente em relação a áreas de lazer e atividades culturais.

“O objetivo é atrair a população para a convivência naquele espaço”, afirma a secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Rattes. Ela explica que será oferecida na biblioteca parque uma programação voltada para as vocações da comunidade. Por isso serão disponibilizados cursos de empreendedorismo, alfabetização digital e qualificação em gerenciamento de pequenos negócios, como bares e restaurantes populares.

Para definir o modelo de biblioteca que seria instalada em Manguinhos, foram visitadas diversas experiências realizadas em países com políticas fortes de livro e leitura, principalmente França, Chile e Colômbia. O nome biblioteca parque foi importado de uma iniciativa existente na cidade colombiana de Medellín, em que a instalação de equipamentos similares nas comunidades mais carentes contribuiu para a redução dos índices de violência, analfabetismo e de desenvolvimento humano. Medellín serviu como inspiração principalmente por se tratar de uma cidade que, assim como o Rio de Janeiro, convive com sérios problemas de exclusão social e violência. “Lá (em Medellín), as bibliotecas eram o símbolo da recuperação das comunidades”, afirma Adriana.

Manguinhos é a segunda biblioteca inaugurada no Brasil com uma proposta diferenciada, cuja preocupação é oferecer à população um espaço confortável, livre, sem preconceitos literários e que seja, principalmente, uma opção de lazer. Em fevereiro, começou a funcionar a Biblioteca de São Paulo, localizada onde antes existia o complexo penitenciário do Carandiru. Na ocasião da inauguração da Biblioteca de São Paulo, a diretora Magda Montenegro explicou a proposta: “Fizemos uma biblioteca sem preconceitos com a leitura e que não qualifica o que a pessoa deve ou não ler”. Para atrair o público, junta-se a isso o contato direto com o livro nas estantes (sem a necessidade de solicitar exemplares à bibliotecária), o acervo atualizado e a realização de eventos culturais. De acordo com Magda, a remodelação do conceito de bibliotecas públicas no Brasil tende a seguir o apresentado pela Biblioteca de São Paulo e, mais recentemente, de Manguinhos. “Antes, a biblioteca era um santuário distante e isso afastava o público.”

Segundo Ezequiel Theodoro da Silva, professor livre-docente em Metodologia de Ensino pela Faculdade de Educação da Unicamp e colaborador voluntário do grupo ALLE (Alfabetização, Leitura e Escrita), esse novo modelo de biblioteca é uma tentativa bem-vinda para a realidade brasileira, país no qual as bibliotecas historicamente foram tratadas com abandono. “Temos de repensar o modelo original, romper com uma biblioteca enclausurada e bloqueadora, que não servia a totalidade da população”, explica. O professor revela que bibliotecas mais despojadas e arrojadas, que servem de ponto de encontro para a comunidade, já existem em cidades como Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos.

Dívida histórica

A criação de duas bibliotecas-modelo não ameniza uma dívida histórica brasileira. “O histórico no Brasil é de abandono das bibliotecas”, explica Ezequiel Theodoro da Silva. Isso ocorre porque a conservação desses espaços depende de manutenção, preservação e atualização do acervo. Além do mais, Silva complementa que o acesso às bibliotecas no Brasil sempre foi muito restrito e não houve políticas de capilarização para todas as cidades brasileiras.

Atualmente, a situação brasileira aponta melhoras a partir da articulação do Plano Nacional do Livro e Leitura, capitaneado pelos ministérios da Cultura e da Educação. Entretanto, o gargalo criado após décadas de descaso deixou uma realidade difícil de ser confrontada. Segundo levantamento realizado em 2009 pela Fundação Getulio Vargas a pedido do Ministério da Cultura, 79% das cidades brasileiras possuem pelo menos uma biblioteca municipal. O estudo também revelou que 8% dos municípios não possuem esse tipo de equipamento público e que 12% estão em processo de abertura de uma, com o apoio do Minc. Quando analisados os dados referentes à estrutura, a situação mostra-se mais preocupante: apenas 47% têm, de acordo com os técnicos pesquisadores, condições adequadas de iluminação, ventilação, mobiliário e equipamentos. Outra questão preocupante é a oferta de cursos de extensão (12%) e o acesso à internet para os usuários (29%).

O diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piuba, diz que o Ministério da Cultura está caminhando para zerar o déficit de municípios sem bibliotecas até o fim deste ano e modernizar as existentes. Dentre os principais problemas identificados pelo estudo da FGV, Piuba destaca a baixa frequência, número reduzido de funcionários (a maioria tem entre um e dois) e poucos dirigentes com formação em biblioteconomia (11%). Ele também aponta que seis capitais brasileiras estão em situação crítica na proporção de uma biblioteca para 100 mil habitantes. São elas Manaus, Belém, Recife, Salvador, Goiânia e Fortaleza, esta com cerca de 0,04 biblioteca pública municipal para 100 mil habitantes. Para essas cidades, o Minc desenvolve um plano de instalação de bibliotecas menores nas regiões da periferia. O professor Ezequiel Theodoro da Silva afirma que os dados apresentados pelo estudo da FGV devem ser colocados sob uma perspectiva qualitativa. “Depende do que você chama de biblioteca.” Segundo ele, uma biblioteca precisa contar com profissionais especializados, acervo em quantidade suficiente e em bom estado de conservação, além de estar disponibilizado ao público. “A dívida social é muito grande e depende da mobilização dos governos federal, estaduais e municipais, e isso não ocorrerá em seis meses.”

Silva complementa serem essenciais políticas articuladas e de longa duração, que visem, além da construção de bibliotecas, recursos para a sua manutenção, atualização de acervo e informatização. Somente assim o Brasil poderá finalmente constituir-se, como defendia Monteiro Lobato, em um país feito com homens e livros.

sábado, 11 de setembro de 2010

Institutos Alpargatas e Camargo Corrêa levam bibliotecas a mais de 50 mil alunos na Paraíba


A partir deste mês, os Institutos Alpargatas e Camargo Corrêa começam a levar a biblioteca à sala de aula em seis municípios da Paraíba. A primeira entrega do projeto, uma parceria entre os institutos e a editora L&PM, ocorreu no último dia 7, em Serra Redonda, distante 104 quilômetros da capital, João Pessoa. O lançamento do programa aconteceu no Grupo Escolar Eduardo Medeiros, com a participação do prefeito da cidade, Manoel Marcelo de Andrade, da secretária de Educação do município, Isabel Machado de Andrade, além de alunos, pais, professores, representantes dos institutos e comunidade local.


O Pró-Biblioteca contempla as 19 escolas municipais de Serra Redonda. Até novembro, outras 255 escolas recebem a biblioteca, cujo formato, móvel com rodinhas, permite que seja transportada a todas as salas de aula. As outras cinco cidades contempladas serão Mogeiro, Ingá, Guarabira, Alagoa Nova e Campina Grande. Idealizado pela Associação Rio-Grandense de Bibliotecários, o projeto foi ampliado para se adequar à realidade das escolas públicas da Paraíba, onde os institutos Alpargatas e Camargo Corrêa desenvolvem um programa de melhoria da gestão de escolas públicas, o Escola Ideal.


"Realizamos um diagnóstico da situação das escolas nestes municípios e uma das necessidades apontadas foi a instalação de bibliotecas", explica Francisco Azevedo, diretor-executivo do Instituto Camargo Corrêa. A implantação do projeto conta com parceria da Secretaria de Educação dos municípios envolvidos e funcionários voluntários das unidades locais da Alpargatas. "No meu tempo era muito diferente, não tive as mesmas oportunidades que estas crianças estão tendo hoje. O projeto vai beneficiar muito o município onde moro e trabalho", concluiu Márcia Pontes, monitora de produção da fábrica da Alpargatas de Serra Redonda.

Além de valorizar a leitura nas escolas, o projeto também pretende incentivar a comunidade a ler. Para isto, o programa prevê a capacitação de 80 profissionais, que atuarão como divulgadores das bibliotecas no entorno das escolas. "Queremos, por meio do projeto, estimular o gosto pela leitura não só entre os estudantes, mas na população como um todo", afirma Berivaldo Araújo, diretor executivo do Instituto Alpargatas.

As mais de 40 mil obras que começam a ser disponibilizadas contemplam clássicos brasileiros e portugueses, leituras de interesse geral, livros infantis e infanto-juvenis.

Escola Ideal

O Pró-Biblioteca é mais uma ação do Programa Escola Ideal, cujo objetivo é contribuir para o aprimoramento da gestão de escolas públicas. Também fazem parte da iniciativa os projetos Juntos pela Escola Ideal que, em sistema de mutirão, já reformou 29 escolas na Paraíba, e Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), cuja tecnologia permite o cultivo de hortaliças orgânicas.


O programa teve início em março de 2008, quando as escolas participantes passaram por uma auto-avaliação abordando seis temas: profissionais da educação, condições de ensino, políticas e práticas pedagógicas, desempenho escolar, ambiente educativo e gestão escolar.

A análise dos dados permitiu identificar as necessidades e as potencialidades das escolas. A partir deste ponto foram estabelecidas, junto às secretarias de educação, iniciativas, como o Pró-Biblioteca, que visam o aprimoramento da gestão do ensino público.

Sobre o Instituto Alpargatas

O Instituto Alpargatas tem como missão melhorar a qualidade educacional de crianças e adolescentes das comunidades onde a empresa está presente. Este ano, o IA comemora seu sexto aniversário, com atuação marcante nos municípios de João Pessoa, Santa Rita e Campina Grande, na Paraíba, de Natal, no Rio Grande do Norte, e de Carpina, em Pernambuco. Seu principal projeto - Educação Por Meio do Esporte - envolve as iniciativas Ação Escola, que utiliza a prática esportiva como instrumento metodológico para a melhoria da educação, durante o horário escolar; Ação Pós-Escola, no qual os alunos dedicam-se a modalidades esportivas monitoradas, fora do horário regular das aulas; e apoio financeiro para melhoria de quadras esportivas.

Sobre o Instituto Camargo Corrêa

O Instituto Camargo Corrêa, criado em dezembro de 2000, é o responsável pelos investimentos sociais do grupo. Sua missão é promover o desenvolvimento comunitário sustentável, investindo em crianças, adolescentes e jovens. Para tanto, criou quatro programas: o Infância Ideal, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento saudável de crianças de 0 a 6 anos; o Escola Ideal, que trabalha pela melhoria da qualidade de gestão da escola pública; o Futuro Ideal, voltado para o empreendedorismo juvenil e geração de trabalho e renda; e o Ideal Voluntário, que facilita a ação voluntária dos profissionais do Grupo Camargo Corrêa.

Matéria publicada em 15/05/2009

Fonte: Instituto Alpargatas

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Casa do Saber democratiza a leitura

Prestes a completar três anos, o projeto já implantou 73 bibliotecas e atende atualmente 160 mil pessoas no DF

Publicação: 17/06/2010

Todos os dias, a moradora da Estrutural Jennifer Oliveira, 6 anos, espera ansiosa pela hora de ir à Escola Classe do Setor Residencial Indústria e Abastecimento (SRIA). Lá, a garota começa a se familiarizar com o alfabeto para aprender a ler. Durante o intervalo, pula corda com as amigas. Quando chega a hora das atividades interdisciplinares, a aluna do 1º ano do ensino fundamental mergulha em páginas com desenhos e figuras coloridas. As ilustrações que ajudam o processo de alfabetização da menina ficam nos livros da biblioteca da instituição, montada pelo projeto Casa do Saber, patrocinado pela Rede Gasol.

O programa leva conhecimento a comunidades carentes e a detentos do Distrito Federal. O Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda ganhou ontem uma unidade do projeto com 5 mil livros. O espaço atenderá os 1,5 mil internos e também os servidores do local. Das 73 bibliotecas, 10 atendem detentos. “Mudamos o comportamento no Presídio Feminino do Gama”, orgulha-se o gestor do projeto, Antônio Matias. A meta é inserir salas como essas em todo o sistema penitenciário do DF.

Segundo ele, a ideia da Casa do Saber surgiu a partir de uma campanha de arrecadação de livros promovida por funcionários da Gasol. Depois de recolhido, o material era doado para a Secretaria de Educação. “Percebemos que o destino final não estava sendo cumprido e decidimos mudar”, relembra Matias. Foi assim que o projeto avançou, passando da doação de publicações para a construção de bibliotecas. “Mas não é só montar uma sala. Precisamos de técnicas para fazer a iniciativa dar certo”, explica.

Com o apoio da Associação dos Bibliotecários do DF e de outras entidades, a iniciativa completa três anos em agosto. A primeira Casa do Saber foi inaugurada em uma escola pública do Lago Oeste. O acervo da biblioteca chega hoje a 16 mil livros. “Na semana passada, fui até lá e vi 25 alunos usufruindo do espaço. Também notei que vários livros estavam emprestados”, relata. Segundo Matias, hoje, aproximadamente 160 mil pessoas são atendidas pelo programa.

Educação

A diretora da Escola Classe do SRIA, Consuelo Cintra, acredita que a biblioteca do local, batizada de Casa dos Sonhos pelos próprios estudantes, trouxe melhorias para o ensino dos 165 alunos da instituição. “Os professores ganharam um lugar para contar histórias e realizar outras atividades”, explica. Consuelo conta que, antes da inauguração da Casa do Saber, a sala de leitura do colégio funcionava de forma precária. “Não havia nem mesas e tínhamos poucos livros. Agora, conseguimos enriquecer o nosso acervo”, justifica.

Há, no espaço, livros didáticos e de literatura infantil. A presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, a coordenadora técnica do projeto, Iza Antunes, conta que antes de idealizar uma nova unidade, a equipe analisa o perfil dos futuros usuários e define as obras mais indicadas àquele público. A instituição beneficiada precisa somente ter o espaço livre e disponiblizar um funcionário para administrar o local. De acordo com ela, a Gasol promove cursos de capacitação para os interessados em atuar na área, com aulas ministradas por profissionais da associação.

“Nunca compramos um livro. O acervo é todo formado por doações”, conta Matias. O coordenador operacional do projeto, Rivelino Braga, calcula que aproximadamente 20 mil livros sejam arrecadados por mês somente no DF. As cidades de Cascavel (CE) e Impertariz (MA) também já ganharam unidade do projeto. Além disso, a Casa do Saber enviou 20 mil publicações para Angola. “Pretendemos integrar o material todo em uma mesma rede”, adianta Rivelino.

O projeto em números
73
número de bibliotecas
10
bibliotecas em presídios do DF
1,6 milhão
Quantidade total de livros
160 mil
Pessoas atendidas por mês

FAÇA SUA PARTE
A Casa do Saber precisa atualmente de livros infantis, mas publicações de outros assuntos também são bem-vindas. As doações podem ser feitas nos postos de combustíveis da Rede Gasol.

A equipe do projeto também busca o material no local determinado pelo doador mediante agendamento pelo telefone: 0800 61 4553.

sábado, 31 de julho de 2010

DIREITO À LEITURA - Lei manda uma biblioteca em cada escola

Para atingir a meta no prazo determinado, que é de 10 anos, será preciso construir 25 bibliotecas por dia no País

Ana Paula Nascimento

Parecia ser o óbvio, mas só agora o País ganha uma lei determinando que todas as escolas públicas e privadas tenham uma biblioteca e um acervo mínimo de pelo menos um livro por aluno matriculado. A Lei 12.244, de autoria do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), foi publicada no dia 25 de maio no Diário Oficial e prevê o prazo de 10 anos para as instituições se adequarem. Com a estimativa do Ministério da Educação de que 37% das 200 mil escolas brasileiras de educação básica ainda não têm biblioteca (Censo/2008), o desafio é grande: seria necessário construir 25 bibliotecas por dia para atingir a meta.

Na biblioteca da Escola Municipal Carlos
da Costa Branco o acervo de mais de 3 mil
livros inclui dicionários, enciclopédias, revistas e gibis

Em Londrina, praticamente todas as 80 escolas municipais (incluindo as rurais), que atendem aproximadamente 37 mil alunos, possuem um bom acervo de livros, mas a Secretaria Municipal de Educação não soube precisar quantas ainda não têm um espaço adequado para biblioteca. É o caso da Escola Municipal América Sabino Coimbra, no Jardim Paulista (Região Norte). Com 110 alunos atendidos em dois turnos, o pequeno espaço improvisado de cerca de nove metros quadrados não comporta de forma confortável mais do que seis crianças por vez.

O local é um dos espaços preferidos dos alunos,
com boa iluminação, mesas, cadeiras e prateleiras
adequadas ao tamanho das crianças

Em prateleiras altas, o acesso aos 600 livros do acervo não é facilitado e a professora regente de biblioteca, Kátia Valéria Rodrigues Monteiro, se desdobra para atender as crianças. A Hora do Conto é feita na sala de aula, assim como o empréstimo dos livros, que são levados em baús. ‘‘Sabemos que isso não é o ideal, que os alunos perdem por não terem um espaço adequado para a leitura, o acesso ao computador e um ambiente mais lúdico’’, lamenta a diretora Marly Guagnini Sander. Recentemente, devido a um problema de infiltração no telhado, cerca de 500 livros novos ficaram estragados.

Por causa da falta de espaço, a Hora do
Conto é feita na sala de aula, assim como o
empréstimo dos livros, que são levados em baús

Segundo a assessoria de planejamento da Secretaria Municipal da Educação, está prevista para o ano que vem a reconstrução da escola – que ainda mantém a estrutura de madeira da sua fundação em 1968 – com a instalação de uma biblioteca adequada.

Ao ser informado sobre esta possibilidade, os olhos do aluno Rafael Alves da Silva, 7 anos, brilharam. ‘‘Sério? Que legal! Eu estava querendo mesmo isso’’, comemora. A aluna Gabriela Moraes Guise, 8 anos, também aprova a iniciativa: ‘‘Eu gosto muito de ler e seria muito bom ter uma biblioteca maior e mais confortável, onde nós mesmos pudéssemos pegar os livros nas prateleiras’’.

Em época de Copa do Mundo, a professora
Maria de Cássia lê um livro que fala das
riquezas da cultura africana

Na Escola Municipal Professor Carlos da Costa Branco, no Jardim Piza (Região Sul), esse sonho já é realidade há seis anos. Inaugurada em 1977, a pequena escola de madeira com cinco salas foi reconstruída em 2004 e, desde então, tem mais salas de aula e uma biblioteca bem estruturada. O acervo de mais de 3 mil livros infantis e infantojuvenis, ainda conta com 14 enciclopédias, 74 dicionários ilustrados, revistas e gibis para o deleite dos 450 alunos que frequentam a instituição.

Na Escola Municipal América Sabino Coimbra a
biblioteca ainda está em um espaço apertado e improvisado

Arejada, com boa iluminação, ventiladores, mesas, cadeiras e prateleiras adequadas ao tamanho das crianças, o local é um dos espaços preferidos delas. A professora regente de biblioteca Maria de Cássia Zamaia Zendrini confirma que o local é ideal para a contação de histórias. Em época de Copa do Mundo ela está trabalhando com os alunos o livro ‘‘A África, Meu Pequeno Chaka...’’ (Cia das Letrinhas), que explora de forma afetiva, através do diálogo entre um avô e seu neto, as riquezas da cultura africana. ‘‘Procuro complementar nas leituras o conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula e também aspectos da vida cotidiana dos alunos através das mensagens dos livros. Eles prestam atenção, gostam da atividade, lêem mais e ficam curiosos’’, comenta a professora.

Na opinião do diretor de bibliotecas do município Rovilson José da Silva a nova lei é um passo importante para a valorização das bibliotecas escolares. ‘‘O ideal é que não fosse necessário ter uma lei para isso, mas ela ajuda a reforçar o compromisso do Estado, da União, com esse intrumento de educação. Não é só mandar livros; é preciso ter espaços adequados para o incentivo à leitura, à educação’’, ressalta.

Segundo ele, até pouco tempo a biblioteca escolar era considerada o ‘‘patinho feio’’ e a prioridade dos investimentos ficava por conta das bibliotecas públicas e universitárias.

A nova lei prevê ainda um bibliotecário atuando nas bibliotecas escolares. ‘‘Isso pode gerar uma mudança até na grade curricular do curso de Biblioteconomia. É preciso um olhar diferenciado na capacitação desse profissional que vai atuar diretamente com crianças. Há todo um processo de mediação da leitura, que é fundamental e vai além do aspecto técnico da manutenção do acervo’’, avalia.

Ao saber que sua escola vai ganhar uma biblioteca nova,
Rafael se anima: ‘Sério? Eu estava querendo mesmo isso

Lançado em 2002, o projeto Palavras Andantes, idealizado por Silva, conseguiu modernizar mais de 60% das bibliotecas municipais e impulsionou o incentivo à leitura na rede municipal – de 72 mil livros emprestados em 2002 passou para 650 mil em 2008 (último levantamento realizado). O projeto prevê formação continuada de professores, contação de história e empréstimos de livros semanais, além de revitalização de acervo e infraestrutura das bibliotecas. Há um ano sem coordenadoria, depois que Silva assumiu seu cargo atual, uma nova coordenação deverá ser confirmada ainda nesta semana.

Matéria publicada em 22/06/2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Leituras e prazer na escola

Como horas na biblioteca podem fazer a diferença na vida do aluno

por Galeno Amorim*

Passar uma hora inteira, ao menos uma vez por semana, dentro de uma biblioteca folheando e lendo livros, ou simplesmente de papo pro ar, é tão fundamental para o desenvolvimento dos alunos que deveria fazer parte da grade curricular das escolas. A ideia, que ainda arrepia muita gente, ganha, no entanto, cada vez mais adeptos. E também o apoio, dentro e fora dos estabelecimentos de ensino, de especialistas e de gente importante do mundo dos livros e da educação, mas também de pais, gestores de projetos e, naturalmente, educadores.

Mas a verdade é que não é tão simples assim. A inclusão de pelo menos uma hora semanal na grade das escolas do Ensino Médio e Fundamental consta até da Lei do Livro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Mas, em função das controvérsias em torno do assunto, até hoje a legislação não foi regulamentada.

Há quem diga, por exemplo, que não se pode estipular uma hora única e obrigatória para ler. Isto porque, de acordo com esses argumentos, os livros devem estar presentes durante todo o período escolar e em todas as disciplinas, e não haver uma só matéria para a leitura. Na essência, está absolutamente correto. Só que na vida real não é bem assim que as coisas acontecem.

Os defensores da criação de um espaço permanente no horário escolar para aproximar livros e possíveis leitores e fomentar o hábito e, sobretudo, o gosto e o prazer de ler, pensam diferente. Não se trata, de acordo com esses, de abrir uma nova e única disciplina para confinar e concentrar ali tudo o que for leitura na vida de uma escola.

Mesmo porque, concordam, os livros são fundamentais em qualquer projeto pedagógico e caminho poderoso para a apropriação do conhecimento acumulado pela humanidade. Assim, estão, evidentemente, presentes em todas as disciplinas.

A grande preocupação desses adeptos de maior presença da leitura de literatura na educação brasileira é que, por ausência de políticas mais claras nesse sentido, milhares de escolas brasileiras ainda mantém suas portas fechadas para os livros em geral. A única exceção, naturalmente, fica por conta dos livros didáticos, que são distribuídos gratuitamente pelo governo e costumam ancorar os projetos pedagógicos e as próprias aulas nas diferentes redes de ensino.

Porém, aprender a ler e a gostar de ler livros – ou, no mínimo, tornar essa prática um hábito permanente – continua passando ao largo de boa parte das nossas escolas.

Isso talvez ajude a compreender o atual comportamento da população brasileira, que, com o passar dos anos, simplesmente foge dos livros. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, os maiores índices de leitura estão justamente entre crianças e jovens em idade escolar. Chegam a ser três ou quatro vezes maiores do que na fase adulta, assim como a frequência às bibliotecas, que despenca, até praticamente inexistir, acima dos 30 anos. Este é o caso de nove entre cada dez brasileiros, que deixaram de ir a alguma delas.

Esse mesmo estudo – uma iniciativa do Instituto Pró-Livro e coordenado pelo Observatório do Livro e da Leitura – mostrou, ainda, que os leitores que estão nas escolas chegam a ler duas vezes mais do que aqueles que já saíram de lá. O que mostra que as escolas estão, de certa forma, cumprindo o papel de facilitar o acesso de parte da população aos livros e o de fomentar a leitura entre seus alunos. E, surpresa: enquanto leem, esses leitores acabam associando o ato de ler muito mais a prazer do que propriamente à obrigação, como o senso comum costuma dizer.

Qual é, então, o problema?
Ao mesmo tempo em que tem contribuído, verdadeiramente, para aumentar os índices nacionais de leitura – os brasileiros liam, no início da década, 1,8 livro por habitante/ano, número que saltou para 4,7 em 2008 – a educação brasileira ainda não consegue enfrentar um dilema. Um dilema, por sinal, muito simples e direto, porém de respostas aparentemente nada fáceis: como as escolas, afinal, podem formar leitores que gostem de ler e façam isso pela vida afora, mesmo quando estiverem distantes delas?

Com ou sem obrigação legal, a verdade é que muitas escolas estão, de fato, tentando. E toda diferença, nos mais diversos casos, tem sido feita por uma pequena legião de educadores que acreditam pra valer no valor social da leitura e mesmo nos livros como ferramentas eficazes para seu trabalho na sala de aula e na vida futura de seus alunos.

Não por outra razão, estão sempre animados e dispostos a criar ações simples, porém ousadas, para mudar o quadro atual. E – ainda bem! – eles estão por toda parte. Por sinal, tenho visto muitos deles tanto no site que mantenho sobre esse tema – o http://www.blogdogaleno.com.br/, cuja revista eletrônica é enviada, semanalmente, para 80 mil educadores, escritores, jornalistas, editores, livreiros, bibliotecários e outros interessados no assunto – e em todas as regiões do país onde tenho feito palestras em escolas sobre o poder extraordinariamente transformador da leitura na sociedade.

Sempre com muita criatividade e o esforço pessoal dos professores e dirigentes, um bom número de escolas vem inventando, nos quatro cantos do país, variadas formas para ampliar o acesso aos livros e outros materiais de leitura e, sobretudo, para que esses leitores – no mínimo, leitores em potencial – se sintam estimulados e com vontade de ler. O próximo passo, quem sabe, pode ser aprenderem a gostar de ler – é isso fica pra vida toda.

Em Sinop, no interior do Mato Grosso, por exemplo, uma escola estadual do Ensino Médio motivou a comunidade escolar com uma medida aparentemente simples, e que não exigiu nenhum investimento suplementar. Uma vez por semana, ela simplesmente interrompe as aulas e demais atividades para que todo mundo leia.

Não importa o que estejam fazendo: todo mundo para e, por instantes, entra no mundo mágico da leitura. Para uns, é um mergulho inicialmente raso, para outros, às vezes mais profundo – mesmo porque cada um encontra-se em um estágio e muitos ainda nem aprenderam a nadar.

Sejam professores ou alunos, funcionários ou mesmo pais e outras pessoas que estiverem por lá. Vale tudo: todo e qualquer gênero da literatura, e revistas, jornais, gibis... Seja lá o que for. O que importa, afinal, é ler. Ainda que alguns torçam o nariz, dar os primeiros passos nessa direção é algo sempre muito bem-vindo.

O que se diz por lá é que tudo ficou melhor: o desempenho escolar, a autoestima dos estudantes, funcionários e professores e as próprias relações pessoais entre eles. Até a leitura fora da escola teria evoluído. Ao que parece, as pessoas entenderam a mensagem: que ler é mesmo um valor, e tanto é assim que a escola inteira até para tudo por causa disso.

Os depoimentos que tenho ouvido em outras cidades sobre esse tipo de experiência são igualmente positivos. É bem verdade que os livros de literatura disponíveis nas escolas ainda são insuficientes. Ou que para cada escola que possui uma biblioteca escolar, há outras duas que não têm nada disso – isto vai ser objeto de uma outra conversa, para tratar, de forma específica, da necessidade de uma vigorosa e urgente política nacional de bibliotecas públicas, sejam elas municipais, estaduais, escolares, universitárias ou comunitárias.

Afinal, a leitura tem papel fundamental na formação do ser humano. A capacidade de ler, compreender e processar as informações de um texto é adquirida de uma maneira: lendo. Proporcionar o aprendizado dessa atividade com prazer depende de todos nós – começa na família, em casa (as mães, por sinal, são vistas pelas crianças como aquelas pessoas que mais influenciam no gosto de ler). O resultado de todos os esforços e investimentos será, com toda certeza, uma sociedade de cidadãos plenos.

Com a implantação do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do governo federal, em 2006, passou a existir maior articulação entre Ministério da Cultura e Ministério da Educação para fortalecer as políticas públicas nos estados e municípios para investir mais na formação de leitores e, para tanto, na formação dos chamados agentes mediadores de leitura: professores, bibliotecários, gestores de projetos de leitura. Afinal, quem não gosta de ler, dificilmente conseguirá fazer alguma outra pessoa gostar.

Esta década talvez entre para a história como aquela em que, até hoje, mais se avançou no sentido de tornar esse tema uma política de estado no Brasil. Agora, no entanto, é preciso avançar mais, para que nos estados e municípios exista uma maior percepção por parte de autoridades e lideranças políticas e comunitárias sobre a função social e estratégica dos livros na sociedade. E que podem fazer um grande bem para suas cidades e estados e para seus próprios governos.

Os livros já foram, um dia, objeto sagrado cujo acesso era permitido a poucos. Mais tarde, passou a ser tratado como fonte de prazer e lazer de qualidade. Sem perder uma e outra condição, a verdade é que a leitura também é um meio eficaz para o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo e para ampliar sua visão de mundo e suas possibilidades de intervenção no lugar em que vive. Mas também para melhorar seu emprego e renda.

Dessa forma, tem um novo e importante papel na educação e na sociedade de forma geral, algo que nunca foi muito claro na cabeça das pessoas. Se houve um tempo em que, na economia primitiva, a água e, mais tarde, o petróleo, na era da industrialização, possuíam importância estratégica para as nações, hoje é o conhecimento que faz toda a diferença. É o conhecimento que se constrói com as várias leituras: dos livros, jornais e das diferentes estéticas culturais, com o tempero e fermento das vivências e experiências do cotidiano.

Os livros fazem toda a diferença!

*Galeno Amorim (http://www.blogdogaleno.com.br/) é diretor do Observatório do Livro e da Leitura e foi o criador e primeiro coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). É autor de 12 livros, entre os quais Retratos da Leitura no Brasil.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fábricas de Diadema ganham bibliotecas - Projeto Ponto de Leitura

Folha de São Paulo – SP, por Grazielle Schneider, em 29/07/2010

Ministério da Cultura investiu R$ 200 mil em kits com computador, móveis e acervo de 650 obras para cada fábrica

Dez empresas de metalurgia de Diadema, na Grande São Paulo, receberão bibliotecas para seus funcionários. A primeira delas foi inaugurada na manhã de ontem, na fábrica da IGP, que atua no mercado de autopeças.

A iniciativa faz parte do projeto Ponto de Leitura nas Fábricas, uma parceria entre a prefeitura local, o Ministério da Cultura e os sindicatos dos Metalúrgicos do ABC, dos Químicos e da Construção Civil. Até o final de agosto, todas as salas de leitura estarão prontas.

O ministério investiu R$ 200 mil na distribuição de kits -móveis, um computador com impressora e um acervo de 650 obras- para equipar os locais. Já a prefeitura ficou responsável pela implantação do projeto e pela capacitação de dois ou três agentes de leitura em cada fábrica. Esses agentes têm como função promover e organizar as bibliotecas.

“Pretendemos, com os acertos e erros, estender o projeto a outras fábricas pelo Brasil, desde que haja articulação com prefeituras e sindicatos”, afirma Silvana Meireles, coordenadora do Mais Cultura, programa do ministério que abriga a ação.

O projeto atingirá 5.000 funcionários, segundo levantamento da prefeitura. Para Maria Regina Ponce, secretária da Cultura de Diadema, a ideia é criar um ambiente de aprendizado e prazer dentro do local de trabalho para que os funcionários possam ter mais acesso aos livros. Ela destaca que outras empresas do setor químico e de construção civil já se interessaram pela iniciativa.

Como o material poderá ser retirado e levado para casa, estima-se que outras 15 mil pessoas sejam beneficiadas indiretamente. “A pesquisa Retratos da Leitura mostrou que a mãe é a maior responsável pelo interesse dos filhos por livros. Queremos que o funcionário seja um mediador e crie um ambiente familiar de estímulo à leitura”, diz Meireles.

SEM CUSTOS

A única responsabilidade das empresas é ceder o espaço e fazer as adaptações necessárias para a sala de leitura, de acordo com Renato Cicarelli, diretor da IGP.

Um dos escolhidos para ser agente de leitura na fábrica é Laércio Aparecido Beggiora, 45, assistente de departamento pessoal. No curso de capacitação que recebeu da prefeitura, aprendeu a etiquetar os livros, montar o acervo, atender o público e incentivar os colegas a ler.

“Achei maravilhoso. Hoje [ontem], a biblioteca já ficou lotada. Tem poesia, ficção, ação. Tem gibi e contos infantis para a criançada e tem até DVDs que ensinam inglês”, conta.

A empresa tem 380 funcionários e começou a investir na qualificação deles em 2005, com a criação do programa de educação continuada. Cicarelli diz que 70 trabalhadores já se formaram no ensino fundamental e que, hoje, não há na fábrica ninguém que não saiba ler e escrever.

sábado, 3 de julho de 2010

Araçatuba - Educação fala sobre "Lei das bibliotecas"

O presidente Lula sancionou e foi publicada no dia 25 de maio a Lei 12.244/10, que estabelece que todas as escolas devem ter uma biblioteca e as que já existem devem se ajustar às normas exigidas. A lei define como biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos destinados à pesquisa, estudo ou leitura. O acervo deverá ter no mínimo um título para cada aluno matriculado. As escolas terão um prazo de 10 anos para se adequarem à lei.
Estér com alunos da Emeb

Para o coordenador de projetos de leitura da Secretaria de Educação de Araçatuba, professor Antônio Luceni, a Lei é um grande agente para fortalecer o hábito da leitura e incentivar novos leitores nas escolas. “A criação das bibliotecas incentiva a leitura dos alunos, possibilitando que eles levem os livros para a casa, para que os pais possam ler também e adquirir o hábito de comprar livros para seus filhos. É um grande estímulo ao aprendizado e pode transformar vidas”, argumenta o professor, que reforça a importância de cada biblioteca ter um profissional formado em biblioteconomia, que fique responsável por coordenar o local e pelo empréstimo dos livros, além de indicar boas leituras.
... desde cedo com os livros

Em agosto de 2009, a Prefeitura já havia iniciado um levantamento com os profissionais da rede municipal de ensino para futuramente implantar as bibliotecas nas escolas municipais de Araçatuba. Estes estudos consistem em avaliar as condições das escolas para receber uma biblioteca, analisando o espaço a ser construído ou reformado, se existe iluminação apropriada, se o lugar é arejado, entre outros pontos. De acordo com a secretária de Educação, professora Beatriz Soares Nogueira, ao montar bibliotecas em todas as Emebs do município projetos de leitura que já estão acontecendo se fortalecerão. “Todas as unidades possuem um espaço reservado para a leitura e também desenvolvem projetos relacionados aos livros. Nossa intenção é, com as bibliotecas, ampliar o atendimento também para a comunidade ao redor da escola”, diz Beatriz.

PROJETOS EM ANDAMENTO

Alguns projetos de incentivo a leitura já foram adotados pela Secretaria da Educação, como o Projeto Fazer Em Cantos, destinado aos alunos de Educação Infantil, onde as salas são divididas em cantos, como o canto da leitura e do “Faz de Conta”, onde o objetivo é despertar desde cedo nesses alunos o gosto pela leitura. Há também grupos de estudos, destinados aos diretores, coordenadores e professores, como o Programa Ler e Escrever, o PAE (Programa de Alfabetização Especial), a Olimpíada de Língua Portuguesa, os Concursos de Redação para alunos e professores, entre outros.

EXEMPLO DE EMEB

Há sete anos é desenvolvido na EMEB Sônia Maria Corrêa um projeto de incentivo à leitura, onde os alunos levam toda semana para casa um livro diferente e uma vez por mês um DVD educativo ou filme infantil. A diretora Estér Brito de Paiva Castro diz que após a leitura os alunos fazem um desenho para ilustrar a história. “Os pais não compravam livros para as crianças e a partir desse projeto eles perceberam que os filhos gostam de ler. O nosso objetivo é estimular os alunos a ler e consequentemente os pais”, disse a diretora. Estér acrescenta que este processo de incentivo à leitura desencadeou nos alunos uma responsabilidade, pois eles aprenderam a conservar os livros.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ler rima com prazer


O sem-teto Severino Manoel de Souza nos pegou a todos de surpresa quando em 2006 sua história chegou à mídia. O catador de papel havia inaugurado em setembro de 2005 uma biblioteca com livros encontrados no lixo em um prédio invadido no centro de São Paulo, na Avenida Prestes Maia. Os usuários eram os próprios moradores do prédio, cerca de 1.800 pessoas devidamente cadastradas em um computador doado a Severino. No acervo, entre os mais de 16 mil títulos, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Gabriel García Márquez e tantos outros. O prédio foi desocupado e Severino ficou sem o seu acervo.

Com a perseverança que só os corajosos têm, o pernambucano nascido no sítio Olho D’Água Seco montou em Itapecerica da Serra, em São Paulo, uma nova biblioteca que já conta com 4.500 títulos. Para ele, Machado de Assis é o preferido e, durante a entrevista à Revista da Cultura, comentou que neste ano são comemorados os 100 anos da morte do escritor e colocou até uma placa na sua biblioteca lembrando o público sobre a data. Severino diz que aprende muita coisa boa nos livros e gosta especialmente de romance e poesia. E ele é realmente um apaixonado por livros. “Para mim, são como uma boa sobremesa. Hoje mesmo, depois do almoço, achei um ‘livrozinho’ de Camões, sentei na beirada da cama e fiquei lendo”.

A história de Severino contraria todas as estatísticas e também os nossos aparentes motivos para não pegarmos um livro para ler. “Meus pais nunca leram pra mim” ou ainda “a professora só dava coisa chata” são as principais respostas às perguntas sobre o fato de alguém não ter o hábito da leitura.

Culpas a parte, o que pode ser feito realmente para mudarmos o quadro apresentado nas pesquisas – veja o resultado da mais recente delas no box da página ao lado – e começarmos enfim a desenvolver o gosto pelos livros? “Não existe propriamente uma receita. Digo sempre que quem não lê não sabe o que está perdendo”, afirma o bibliófilo José Mindlin. “Inicialmente, é importante apresentar a leitura como fonte de prazer, e não como obrigação”, ressalta. “Tanto a família como a escola podem ser instrumentos fundamentais para despertar esse interesse. Colocaria a família em primeiro lugar, mas, na hipótese de esta não ter biblioteca ou interesse pelos livros, passaria essa responsabilidade à escola, onde a tarefa poderia ter condições de ser executada”, complementa Mindlin.

Para Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, os pais são os principais responsáveis pelo incentivo à leitura. “Antes de adquirir o hábito, os filhos querem imitar os pais. Um bom leitor se faz fundamentalmente em casa, mas toda colaboração através de exemplos é sempre muito útil”.

Uma das sugestões de Mindlin para disseminar o gosto pela leitura é que existam muito mais bibliotecas públicas e escolares: “Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer cidadezinha tem uma biblioteca circulante que, se não possuir o livro procurado, trata sempre de obtê-lo”, diz o bibliófilo. “Ter o livro não devia ser condição de leitura. O acesso a estes deve ser feito por bibliotecas públicas e escolares, independentemente dos esforços para estabelecer o contato mais pessoal de crianças e jovens com o livro”, explica.

É preciso formar leitores

O Brasil tem hoje cerca de 650 municípios sem nenhuma biblioteca, mas há números que são promissores. Segundo José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, o PNLL, articulado pelos ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC), que reúne um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas, há aproximadamente 5 mil bibliotecas públicas, 10 mil comunitárias e quase 55 mil escolares. “É um número já expressivo, embora saibamos das imensas deficiências de acervo, instalações etc.”, diz Castilho. “Quanto às livrarias, falta um número ainda maior, conforme o levantamento da ANL, principalmente se pensarmos que o número das 2.600 livrarias existentes cobre cerca de 600 cidades do país”, explica o secretário.

Em São Paulo, a Secretaria da Cultura do Estado mantém o programa “São Paulo: um estado de leitores”, que caminha a passos largos desde 2003 para disseminar o hábito de leitura. Além da implantação de bibliotecas em vários municípios, salas de leitura estão sendo criadas em hospitais, penitenciárias, condomínios de baixa renda e associações de bairros. “Mas cabe notar, no entanto, que não basta criar bibliotecas, é preciso também formar bibliotecários interessados”, ressalta José Mindlin. Nesse sentido, José Luiz Goldfarb, coordenador do “São Paulo: um estado de leitores”, destaca que a Secretaria da Cultura oferece o curso “Entre na roda” para a formação desses profissionais “É muito importante capacitar o profissional que vai atuar nas bibliotecas e salas de leitura. São os multiplicadores do gosto pela leitura e eles têm papel fundamental junto ao público.”

Goldfarb comenta ainda a importância da revitalização das bibliotecas existentes. “Em alguns municípios, o acervo da biblioteca é de 20, 30 anos atrás, e é necessário fazer a atualização para que o leitor se sinta atraído a freqüentar aquele espaço”, diz. Para cooperar com a modernização dos acervos, a Livraria Cultura tornou-se parceira da Secretaria da Cultura neste programa e lançou em outubro de 2007 o projeto “Adote Biblioteca”, cujo objetivo é enriquecer as bibliotecas públicas de 30 municípios de São Paulo, selecionadas por Goldfbarb. No site da Cultura – www.livrariacultura.com.br - é possível comprar um livro e doar a uma dessas cidades. “Esse projeto vem ao encontro a uma das nossas missões, a de facilitar o acesso ao livro e conseqüentemente à leitura e à cultura”, explica Pedro Herz.

O secretário José Castilho concorda com Mindlin: “A simples presença da biblioteca estimula apenas o leitor já ‘iniciado’, mas não aquele que precisa ser estimulado por mediadores de leitura, capacitados para isso, que transmitam por meio de atividades permanentes o gosto pela leitura. Não basta apenas edificar, modernizar e reformar bibliotecas, é necessária a mediação para que a ação final, que é ler, ter o gosto pela leitura para sempre, prevaleça”, conclui.

A pedagoga Cristina Antunes, que trabalha com José Mindlin há quase 30 anos, conta que o que mais impressiona nos Estados Unidos é a relação entre as bibliotecas americanas e a comunidade – a consciência da população sobre a importância das bibliotecas e destas sobre o seu papel. “Essas bibliotecas realmente fazem parte do cotidiano das pessoas, do mesmo modo como ir ao cinema, ir ao parque, ir ao museu. Ir à biblioteca é um ‘programa’ prazeroso, pois elas oferecem um sem-número de atividades”, explica. “Por outro lado, a postura das pessoas que trabalham nas bibliotecas, o conhecimento que, em geral, os bibliotecários têm do papel que desempenham e da razão da existência daqueles acervos muda completamente a qualidade do atendimento ao público, seja este público uma criança ou um pesquisador especializado. Esse tipo de relação biblioteca-comunidade é muito pouco explorada em nosso país”, conclui.

Além da necessidade de criação de novas bibliotecas, é fundamental a formação daqueles que as dirigem, dos que atendem ao público e dos animadores das atividades ali desenvolvidas, para que elas sejam vistas como fonte de prazer. E isso deve começar nas bibliotecas escolares. Para o coordenador do Livro e Literatura da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, RS, Baiard Brocker, o hábito da leitura pode ser incentivado desde as séries iniciais através de atividades diversas, como hora do conto, feira de livros, feira de troca de livros, visita de escritores e dramatização de textos de literatura infantil. Para ele, é essencial a dinamização das bibliotecas escolares: “É fundamental que a biblioteca esteja inserida na programação de toda a escola, pois é nela que os alunos devem procurar as informações para complementar tarefas escolares e também é nela que eles devem ser estimulados a procurar prazer através da leitura”.


A troca que estimula

O interesse pode vir de formas diferentes, e o incentivo da família, do professor, de um bibliotecário ou de um vendedor de livros pode mudar totalmente a relação com a leitura. Mas é importante que escolas, governos, livrarias, associações de bairros e ONGs da área ajudem a estimular a formação de leitores. “A idéia equivocada, mas que ainda se espalha entre nós – a de que o brasileiro não gosta de ler – é facilmente derrubada quando o Estado ou organizações da sociedade dão acessibilidade à população”, diz o secretário José Castilho Marques Neto.

Um bom exemplo desse tipo de ação é a Feira de Troca de Livros e Gibis organizada pela prefeitura de São Paulo. Realizada nos parques da cidade, aos domingos, a feira acontece pelo segundo ano consecutivo. “As pessoas adoram, em cada parque é um público e você percebe isso pelos livros trocados”, conta Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo. Na feira podem ser trocados livros e gibis por outros expostos em bancas. Não há nenhuma relação com o valor do livro, a exigência é que estejam em bom estado.

Acompanhada pelos avós Dimas Canteiro e Luci Góes Penha, Giovana Penha da Conceição, de 10 anos, chegou à feira realizada no Parque do Ibirapuera com uma sacola de livros e gibis. “Eu trouxe um monte de coisa, trouxe até a minha mala cheia de livros. Gosto de mistério, de suspense e de gibi”, conta a estudante. “A minha professora passa um monte de livros pra gente ler. A gente lê, faz trabalhos e aí eu fico com mais vontade de ler. Eu leio qualquer um, os que ela indica e outros também”. E o avô entusiasmado não pensou duas vezes antes de levar a neta. “Eu li no jornal que teria essa feira e ela lê muito, essa menina é incrível! Ela pega um livro e, se gosta, devora”, diz. “Falei com a avó, ‘vamos levá-la, vamos separar o que ela tem de livro, pra escolher o que ela vai trocar’”. Sobre a importância de ter o hábito de ler, Dimas Canteiro afirmou: “É muito importante. A leitura é o início da educação de uma criança; antigamente a gente não recebia tanto incentivo”.


Para Baiard Brocker, o acesso ao livro existe, não existe é interesse da maior parte das pessoas pelo livro, pois isso não é valorizado. “Por exemplo, que presentes são dados, via de regra, às crianças em situações de aniversário, Natal etc.? Geralmente bobagens plásticas e eletrônicas.” Segundo o coordenador, se mais livros fossem comprados, mais barato seria seu custo. “Para que mais livros sejam comprados, é necessário que se realizem campanhas maciças de valorização do livro e, principalmente da leitura, pois, como diz Jean Foucambert, no livro A Leitura em Questão (esgotado), devemos desenvolver mais uma atitude – ler – do que o objeto – livro”, conclui.

Mais e mais leitores

Outro fator importante que pode colaborar para a divulgação do hábito de leitura no Brasil é a possibilidade de ampliação do número de leitores por exemplar de um mesmo livro. Ações nesse sentido, como a Feira de Trocas, por exemplo, podem suprir a carência daqueles que têm a vontade de ler, mas não têm condições de adquirir o livro.

Para José Mindlin, é preciso trabalhar para o surgimento do hábito de transferência. “Quando digo que ter o livro não deveria ser condição de leitura, estou pensando naquelas pessoas que não têm possibilidade de adquirir livros, mas têm o desejo de ler”, explica. “Ter o livro também é uma coisa muito boa. Eu que o diga...!”, brinca o maior bibliófilo do Brasil.


A própria história da Livraria Cultura começou dessa forma, quando Eva Herz, mãe de Pedro Herz, teve a idéia de abrir um serviço de aluguel de livros. “Ela achava justamente que quanto mais pessoas lessem o mesmo livro, melhor”, conta Pedro. “Nesta mesma linha de pensamento, lançamos há alguns anos um serviço chamado ‘Mais Leitores’, no qual recompramos livros vendidos para clientes com até seis meses de uso e em bom estado. Depois, vendemos apenas em nosso site este mesmo livro pela metade do preço do exemplar novo”, explica o livreiro.

Em Brasília, a Parada Cultural da ONG Projetos Culturais T-Bone instalou 17 bibliotecas nos pontos de ônibus da Asa Norte que funcionam 24 horas. O empréstimo requer apenas um cadastro feito no local e o potencial leitor, enquanto aguarda a sua condução, pode desfrutar da companhia de um bom livro. E bem sabemos que esse tempo de espera nem sempre é tão curto quanto gostaríamos.

Projetos existem, e muitos. Novas bibliotecas e salas de leitura são inauguradas com certa freqüência, ONGs criam projetos na área, livrarias lançam programas, governos promovem feiras de trocas e bibliotecas ambulantes, contadores de histórias iniciam os pequenos, e líderes comunitários, de grão em grão, vão fazendo o que podem.

Para o pernambucano Severino, o que falta são campanhas publicitárias visando a divulgação do livro e da leitura. “Para incentivar o hábito, é importante que tenha propaganda nas revistas, nos jornais, na televisão, no rádio”, sugere. “Deviam fazer comerciais sobre livros e escritores, assim as pessoas leriam mais”. E complementa: “É como a moda, antes dela sair, sai primeiro a propaganda e aí as pessoas já vão em cima. Com o livro devia ser igual”.

Fica o recado de quem, apesar da vida dura, e talvez até por isso mesmo, reconhece o prazer e a viagem que só a leitura de um bom livro pode proporcionar.

A gente não que só comida

A editora Rita Tavares há dois anos costuma comprar livros e doá-los à comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. Mensalmente um livro é escolhido por eles, comprado por ela em sites de lojas e enviado diretamente à comunidade. “Por um tempo entregaram, mas depois deixaram de entregar, alegando dificuldade de acesso, claro, por ser uma favela”. Rita só conseguiu realizar a entrega dos livros doados com a Livraria Cultura. “Fui pessoalmente à Livraria, combinei tudo com eles, foram feitas consultas ao setor de entrega... foi uma mobilização, mas deu certo”. A editora destaca que acabou fazendo um casamento entre dois serviços da Cultura: doa livros para Paraisópolis pela Entrega Foguete e aproveita para enviar algum exemplar também pelo “Adote Biblioteca”. Rita alerta para o formato da doação. “Doei o Harry Potter para Paraisópolis e no mês seguinte eles me pediram novamente. Afirmei que já tinha mandado e eles explicaram que havia uma fila de 57 pessoas para ler o único exemplar”, conta. “Isso demonstra que as pessoas têm vontade de ler”. Essa via de mão dupla pode definir um futuro leitor. Não adianta impor uma leitura, mas sim ligá-la sempre ao prazer, a algo que vai trazer bons momentos, e não a uma obrigação. “Existe um intervalo muito grande entre o que eu acho que as pessoas querem ler, e o que realmente as pessoas querem ler, por isso peço que eles indiquem os livros”. Fica para Rita a certeza de que eles serão lidos.

Matéria publicada em junho/2008

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Falta biblioteca em escolas públicas - Dificulta o acesso a leitura

Autor: Redação JL
Falta biblioteca em escolas públicas

Nem metade delas tem este espaço; Estado prefere salas de leitura

Para brincar, os parquinhos. Para comer, a cantina. E para ler? Só um cantinho reservado na sala de aula. Pesquisa feita pelo Jornal de Limeira mostrou que menos da metade das escolas da rede pública de Limeira possui biblioteca. O levantamento foi realizado em 78 escolas municipais e 30 estaduais. Das 108 unidades públicas, apenas 51 (ou 47,2%) têm biblioteca.

O déficit é predominante na rede municipal. De 78 escolas de educação infantil e ensino fundamental, só 26 (ou 33%) possuem uma sala específica dedicada à leitura. Treze manifestaram ter um "pequeno acervo" de livros. Isso pode ser explicado, em parte, por conta da idade dos alunos. Os centros infantis (CIs) são destinados a crianças de 0 a 3 anos. Ao todo, são 17 CIs em Limeira.

O incentivo à leitura se inicia de forma mais forte a partir dos 4 anos, quando a criança entra na educação infantil e começa a ser alfabetizada.

O próprio secretário de Educação de Limeira, Antonio Montesano Neto, admite um outro problema. Segundo ele, as escolas não possuem bibliotecas por conta da falta de espaço específico para a instalação destes espaços, além da questão da idade das crianças, que "ficariam perdidas frente a tantos livros", diz. "As novas escolas estão recebendo salas específicas para as bibliotecas", complementa.

Da rede municipal, as escolas que trabalham com educação infantil e ensino fundamental juntos são as que mais têm o espaço específico para o acervo de livros - são 18 bibliotecas em 37 escolas. Por meio da Assessoria de Comunicações da prefeitura, a secretaria informou que as escolas dispõem de cantinhos de leitura. "Dependendo da escola e da demanda, é necessário optar pelo uso da sala para aulas, mas todas as escolas possuem acervo de livros, independentemente do espaço físico", cita.

Ainda conforme a assessoria, as escolas receberam 5.280 livros só este ano. Serão entregues outras 19 mil unidades, que já foram compradas. Montesano explica que todas as classes recebem livros iguais e atuais. Duas coordenadoras de escolas municipais ouvidas pelo Jornal - e que preferiram ficar no anonimato - elogiaram os livros enviados pela secretaria. Ambas, porém, comentaram que nas escolas onde dão aulas não há um espaço específico para a biblioteca.

A situação é diferente nas escolas estaduais. Das 30 unidades da rede em Limeira, 25 (ou 83,3%) possuem bibliotecas. A Secretaria de Estado da Educação, porém, prefere falar em "salas de leitura". A nomenclatura é mais do que um detalhe. "Possuímos salas de leitura coordenadas por professores readaptados. As salas não exigem bibliotecários formados", informa por meio da assessoria de imprensa.

Das 30 escolas estaduais, apenas quatro (13,3% do total) informaram ter bibliotecários. Na rede municipal, são sete (9%). No lugar de criar bibliotecas, a secretaria estadual aposta na distribuição de livros aos estudantes (veja nesta página).

Estímulo ao aluno, diz pedagoga

Para a pedagoga e professora do 1º ano do ensino fundamental Solange Cristina de Oliveira Hergert, os cantinhos de leitura são eficientes no incentivo ao hábito de ler, mas as bibliotecas estimulam mais o aluno por conta da variedade de títulos. Além disso, as crianças criam o hábito de freqüentar bibliotecas - o que é positivo.

"Sabemos que despertar o gosto pela leitura é complicado, tem que tentar alguns macetes para estimular", diz Solange. Livros com letras grandes e ilustrações ricas são os mais indicados na alfabetização dos alunos. Em uma biblioteca freqüentada por estudantes de diferentes séries, deve haver livros de níveis variados. "Por mais que seja infantil, os professores precisam orientar as crianças para ter contato com aqueles feitos para suas idades", afirma.

A pedagoga salienta que ir à biblioteca traz benefícios, além da leitura em si. "Levar as crianças para a biblioteca ensina alguns valores - como respeito, silêncio e noções de comportamento", explica Solange.

Estado entregará livros

Os 3,3 milhões de estudantes de 5ª à 8ª série e de ensino médio da rede estadual ganharão até o fim deste ano três livros infanto-juvenis de escritores brasileiros. O projeto é da Secretaria de Estado da Educação.

Os alunos receberão também um atlas geográfico e um dicionário (a ser entregue no próximo ano). Estudantes do 2º e 3º anos do ensino médio receberão dicionários bilíngüe. Ao todo, serão 9,9 milhões de livros, 3,3 milhões de dicionários e 3,3 milhões de atlas.

A secretaria também enviará às escolas de 5ª à 8ª série e ensino médio uma coleção de livros temáticos.
Para crianças de 7 a 10 anos, há outro projeto. Até o fim do ano, os 230 mil alunos de 1ª série do ensino fundamental terão nas salas de aula um "cantinho da leitura" com livros infantis, almanaques e revistas.

São 2,2 milhões de exemplares adquiridos pela secretaria. A iniciativa - que inclui ainda a disponibilização de um globo terrestre nas classes - será implantada posteriormente nas salas das outras séries - 2ª, 3ª e 4ª.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Biblioteca na escola é obrigatório. E agora?

Não basta um acervo primoroso: leitura se dá por afeto também na escola

Cristiane Rogerio
Quando hoje penso na palavra biblioteca, duas imagens me veem à mente. Uma é da minha infância com os amigos na escola explorando a biblioteca sem muita supervisão. Éramos “livres” para ficar na Chácara do Castelo, no bairro da Vila Mariana. Mas a liberdade tinha um preço: não está nas minhas lembranças alguém que me inspirasse a ler. O que fazíamos acontecia por nós mesmos.

A segunda imagem é a primeira entrevista que fiz aqui com a escritora Ruth Rocha. Ela ficava na biblioteca de um colégio em São Paulo. E me contou que os alunos adoravam pedir indicações para ela. Lógico! Ruth desde que aprendeu a ler é uma apaixonada por livros. Imagine o quanto ela contagiava os alunos?

Hoje eu estou fazendo uma pós-graduação chamada A Arte de Contar Histórias e há muitas bibliotecárias na minha turma. Muitas apaixonadas por histórias e que fazem de tudo para inspirar leituras.

Este é o aspecto principal a ser discutido a partir da publicação no Diário Oficial da União da lei que obriga todas as instituições públicas e privadas de ensino do país a ter uma biblioteca. Na lei há até um número: pelo menos um título por aluno matriculado. Ótimo. Repertório tem a ver com quantidade, sim. Mas não basta. Também citaram que cabe à escola divulgação, preservação e funcionamento das bibliotecas escolares. E divulgação tem a ver com deixar o espaço disponível. E preservação tem a ver com cuidar. Mas não pode ser proibido entrar. Livro mexido, livro ‘velhinho’ é livro lido.

Tem que ter AÇÃO. Precisa ter interação com outras atividades da escola. Tem que fazer parte. O aluno precisa ter a biblioteca da escola como um refúgio, um lugar para sonhar, ser. Para se emocionar, aprender, descobrir. Muitas vezes guia demais atrapalha. Precisa ter estímulo, trabalho focado, claro. Mas precisa de liberdade. Ler é libertar-se. Inclusive na biblioteca. Mesmo que em silêncio.

Para quem quiser ideias, temos sempre o Livros Pra uma Cuca Bacana com resenhas novas todos os meses e, nesta sexta-feira, a novidade: a lista dos 30 Melhores Livros Infantis do Ano! A nossa exclusiva lista sai pelo quinto ano consecutivo (e está maravilhosa!).

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.


Fonte: Revista Crescer

O açougue-biblioteca que tomou as ruas de Brasília

Por Mariana Saraiva

A leitura faz parte do cotidiano de poucos brasileiros, quase sempre relacionada à escola. Em Brasília, um empresário trabalha para aproximar o livro da rotina da população, levando mini-bibliotecas para pontos de ônibus e em um açougue. A repórter Viviane Basile foi conferir o projeto Parada Cultural e registrou o sucesso da empreitada.
Quem é de Brasília já está acostumado com as perguntas indelicadas. É só viajar, dizer que é daqui, para ouvir um sonoro: “De Brasília? Aquela cidade de ladrão?”. Nós, brasilienses, costumamos ser comparados também com corruptos e mentirosos. Pagamos um preço alto por sediarmos o Poder.

Por esse simples motivo é tão bacana poder contar um boa história daqui. Sim, em Brasília há gente trabalhadora, honesta e cheia de ideais para mudar o País. É o caso do Luiz Amorim, o açougueiro-livreiro mais querido do pedaço! Luiz, de origem pobre, revolucionou as paradas de ônibus de uma das avenidas mais movimentadas da capital federal, a W3 norte. Montou 35 bibliotecas ao ar livre, abertas 24 horas para qualquer um pegar o livro que desejar.

Na rua, enquanto preparávamos o material para o Cidades e Soluções, eu e o repórter cinematográfico Josuel Ávila constatamos que o sonho do Luiz faz a diferença na vida de muita gente. Conversamos com diaristas, empregadas domésticas e camelôs que começaram a ler depois da instalação das bibliotecas nas paradas. São pessoas que não entrariam numa livraria para comprar. O livro, infelizmente, ainda está bem distante do dia-a-dia de muitos brasileiros.
Das paradas seguimos para a Esplanada. Brasília é uma cidade de muitos contrastes. Concordo que as diferenças estão presentes em todo o Brasil, mas aqui há um destaque. Especialmente para os jornalistas. É que você pula do povo para o ministro em minutos. Foi o que aconteceu nessa reportagem. Dos leitores da W3 fomos conversar com o ministro da Cultura. O ministro conhecia o projeto do Luiz e outros mais que também são mostrados nessa edição do Cidades e Soluções. Ele reconheceu que há falhas nas políticas de incentivo à leitura. Mas disse que está trabalhando firme para tentar mudar isso. Enquanto o governo não encontra a solução, prosperam os sonhos do Luiz e de outros brasileiros, que de pouco em pouco oferecem as palavras para quem dificilmente teria acesso à elas.

Viviane Basile, repórter da TV Globo / Brasília

sábado, 29 de maio de 2010

Leitura: "Ter acesso a biblioteca é fundamental", diz estudante

Jean Oliveira

O estudante de Direito Reginaldo Ananias Rodrigues, 42, de Araçatuba, é um dos freqüentadores assíduos da Biblioteca Municipal Rubens do Amaral, em Araçatuba. Ele diz que vai ao local com alguma frequência há vários anos, tanto para estudar sobre leis, quanto para se inteirar de outras disciplinas que são exigidas em concursos públicos.

"Ter acesso a biblioteca é fundamental. Aqui temos uma grande variedade de livros e um ambiente agradável. Acho que todas as cidades deveriam ter espaços como estes para garantir que as pessoas vão se informar."

IMPORTÂNCIA

O professor, coordenador do curso de Letras do Unitoledo e integrante da AAL (Academia Araçatubense de Letras) de Araçatuba, Tito Damazo, diz que os livros são essenciais para a formação da personalidade, do imaginário e de todas as questões humanísticas de uma pessoa, por isso o acesso a eles por meio das bibliotecas deve ser incentivado, sempre.

"E não importa se é livro impresso ou digital, desde que ele cumpra o papel de divulgador de informações." Damazo diz que as bibliotecas universitárias e de escolas complementam os serviços prestados pelos centros públicos de leitura. "A rede pública de ensino tem sido muito bem reforçada nos últimos dez anos em relação à oferta de obras literárias."

Universalização de bibliotecas incentivará leitura

BRASÍLIA - Foi publicada no Diário Oficial de hoje a Lei 12.244/10, que prevê a universalização das bibliotecas nas escolas públicas e privadas do País. O deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) foi o autor do projeto (PL 1831/03) que gerou a norma.

“Acredito que a lei terá sua implementação. A própria sociedade, os alunos e a comunidade escolar vão cobrar”, disse o deputado, em entrevista à Agência Câmara.

Pela nova legislação, todas as escolas públicas e privadas do País deverão ter, em até dez anos, bibliotecas com, pelo menos, um livro por aluno matriculado. A organização, a manutenção e o funcionamento dos acervos deverá ser feita por cada instituição.

De acordo com o censo escolar de 2008, feito pelo Ministério da Educação, 37% das 200 mil escolas de educação básica no País não possuem biblioteca. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ainda não possui uma tabela fechada com os dados sobre o levantamento de 2009.

Agência Câmara – Como o senhor espera que a universalização de bibliotecas possa contribuir para a vida dos estudantes e da sociedade em geral?
Lobbe Neto – Essa foi uma reivindicação do Conselho Federal de Biblioteconomia e do Conselho Regional de São Paulo para o incentivo a várias bibliotecas na rede educacional particular e pública. Teremos dez anos para implementação dessa rede com um mínimo de acervo necessário. Essa proposição é muito importante, vem ao encontro do incentivo à leitura e a projetos culturais e educacionais que precisamos implementar.

Agência Câmara – Em quanto tempo o senhor acredita que essa universalização seja realmente efetivada?
Lobbe Neto – Depende da eficácia e do gerenciamento de cada estado e município. Isso já tem um avanço significativo em várias escolas na parte de informática, com bibliotecas virtuais, e mesmo com seu acervo. Talvez o prazo de dez anos não seja necessário e tenhamos essas instalações até antes dessa data.

Agência Câmara – Quais os principais desafios para implementação dessa lei? Haverá fiscalização para execução da lei?

E caso as escolas não tenham um acervo em dez anos, haverá alguma medida a ser tomada?
Lobbe Neto – O principal desafio é a parte administrativa e de gerenciamento, de escola a escola, de estado a estado, de município a município. Precisamos garantir o incentivo através de programas dos governos federal e estaduais. A própria sociedade, os alunos e a comunidade escolar vão cobrar. Acredito que a lei terá sua implementação. Alguns municípios, dependendo da gestão, têm uma tendência a aprimorar um assunto ou outro. Com o incentivo da lei, os agentes políticos poderão fazer com que a demanda seja construída com os estudantes.

O senhor acredita que a lei poderá ser implementada no âmbito do Plano Nacional de Educação ou do Plano Nacional do Livro e da Leitura?
Lobbe Neto – Acredito que a lei poderá ser utilizada dentro de um desses programas para que ela seja implementada com maior eficácia.

Fonte: Jornal DCI