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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Geladeira quebrada vira biblioteca pública em praça de Araraquara, SP

Felipe Turioni 
Do G1 Araraquara e Região

"Geladeiroteca" customizada tem livros de diversos autores e assuntos. População pode realizar trocas e levar obras para casa.

Geladeiroteca em Araraquara (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Geladeira customizada possui acervo com livros e revistas (Foto: Felipe Turioni/G1)
 
Uma geladeira quebrada passou a ter um destino diferente em uma praça na região central de Araraquara (SP). Nas prateleiras do antigo refrigerador, ao invés de condimentos e comida, estão livros. A ‘Geladeiroteca’ ganhou uma customização de um artista plástico local e chama atenção de quem passa pela Praça das Bandeiras, na Rua Voluntários da Pátria (Rua 5).

“A ideia pode parecer estranha, mas foi uma alternativa encontrada para conseguir deixar os livros ao ar livre, sem se preocupar com a chuva, por exemplo”, explica a atriz Fabiana Virgílio, idealizadora do projeto. “Poderia ser uma caixa de acrílico, mas não teria a mesma graça, além disso, a gente sempre abre uma geladeira quando está com fome e por que não abrir uma para alimentar a alma?”, acrescenta.

Dentro do refrigerador há obras de diversos autores e diferentes temas, desde literatura infantil até livros específicos de administração, economia e política. O ‘abastecimento’ inicial da geladeira foi feita pelos idealizadores, mas a proposta é que as pessoas também façam doações no local e troquem as obras. “Não queremos manter nenhuma amarra e a ideia é que os livros fiquem livres, as pessoas possam pegar, ler ali na praça, levar pra casa, trocar por algum outro livro”.

Customizada pelo desenhista Hugo Elias, a ‘Geladeiroteca’ pretende transmitir a ideia de coletividade do projeto. “Os desenhos lembram isso, essa troca, e é o que queremos manter”, diz a atriz. Algumas livrarias, sebos e centros espíritas doaram algumas obras para o acervo.

Geladeiroteca em Araraquara (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Livros podem ser lidos no local ou levados para casa (Foto: Felipe Turioni/G1)
 
Para o porteiro Anderson Deodato, de 26 anos, a ideia é criativa. “Chamou a minha atenção e eu abri a geladeira, sem saber se poderia pegar algum livro. Depois perguntei ao pessoal que estava no bar e disseram que podia pegar e levei o ‘Pequeno Príncipe’ para casa”, comenta. “Hoje vim de novo para ver se a geladeira estava lotada para eu trazer alguns que minha mãe não tem interesse em guardar mais”, completa.

Amigos da praça

A idealizadora da ‘Geladeiroteca’ é integrante da Associação dos Amigos da Praça das Bandeiras, formada em 2010 para revitalizar o espaço, que vinha sendo utilizado para consumo e tráfico de drogas. “A praça era considerada a ‘cracolândia’ da cidade, e não havia melhor maneira de mudar a situação investindo na transformação do ser humano com cultura”, observa.

A associação será formalizada em breve. Na terça-feira (19), às 22h, haverá uma assembleia de fundação dos Amigos da Praça das Bandeiras para acertar os detalhes da oficialização. “Precisamos nos formalizar para obter mais apoio”, explica Virgílio. A proposta da associação é fazer eventos culturais no local. Atualmente, a praça recebe shows e games nos finais de semana.

Fonte: G1

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aprender a ler transformou minha vida

Cidades, domingo, 30/10/2011
Larissa Claro

Aprender a ler transformou minha vida


Aos 36 anos, o operário da construção civil, Everaldo Francisco dos Santos, experimenta o prazer da leitura. Ele é um dos alunos do Projeto Escola Zé Peão, que além de alfabetizar, promove o incentivo à leitura nos canteiros de obras de João Pessoa por meio de uma biblioteca volante. O livro que agora faz parte da rotina de Everaldo não deveria ser algo pontual, mas inserido na realidade de todos os paraibanos.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, um em cada três brasileiros conhece alguém que venceu na vida graças à leitura. Um desses brasileiros é o operário paraibano. “Aprender a ler transformou a minha vida. Agora eu vejo o mundo de uma forma diferente porque posso identificar as coisas, como o que está escrito em placas”, revelou Everaldo.

Apesar dos esforços do Ministério da Cultura para diminuir o número de municípios sem bibliotecas no país, a procura pelos equipamentos ainda é discreta. Na Paraíba, em um ano, caiu de 15 para sete o número de cidades sem bibliotecas públicas municipais.

Ainda assim, especialistas e usuários reclamam da defasagem no acervo, falta de modernização nas instalações e, principalmente, a desvalorização do profissional de biblioteconomia, que nem sempre está à frente desses equipamentos.

Ontem, foi o Dia Nacional do Livro. Promover o acesso a ele e a mais bibliotecas ainda é um desafio para a Paraíba e o Brasil.
221 Bibliotecas

Em todo o Estado, 221 bibliotecas públicas, entre cadastradas e não cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas, atendem a população. Esse número, no entanto, pode ser maior, já que algumas bibliotecas não constam em cadastros e levantamentos da Fundação Biblioteca Nacional, como a Biblioteca Pública do Estado, localizada na Avenida General Osório, e a do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP).

1 para 17 mil
Se a atual situação do Estado for comparada ao último levantamento da FBN sobre o cenário nacional, feito em 2009, a Paraíba ocupa uma posição mais favorável: uma biblioteca para cada 17 mil habitantes, enquanto no Brasil sobe para 33 mil o número de habitantes por biblioteca.

Sete cidades da PB não têm biblioteca

Dos 223 municípios da Paraíba, apenas Belém do Brejo da Cruz, Borborema, Cubati, Itatuba, Pocinhos, Riachão do Bacamarte e Campo de Santana não possuem bibliotecas. Já as cidades de João Pessoa, Cabedelo, Santa Cruz e Santa Rita possuem mais de uma. Na Capital, constam no Sistema Nacional de Bibliotecas o equipamento do Espaço Cultural (Biblioteca Juarez Gama Batista), a Biblioteca Municipal (que será instalada no antigo Conventinho, no Varadouro) e a Biblioteca Ariano Suassuna, na Casa do Artesão.

De acordo com a coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas, Cybelle Macedo Nunes, apenas 132 bibliotecas de 127 municípios estão cadastrados no Sistema. Ela explica que é fundamental que todas as bibliotecas públicas municipais se cadastrem para receber do Ministério da Cultura todos os benefícios ofertados através de programas de assistência à biblioteca, como distribuição gratuita de livros, computadores para modernização e apoio técnico.

O nome já diz a que veio: Projeto Escola Zé Peão. A iniciativa de proporcionar aos operários da construção civil a possibilidade de aprender a ler é do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil (Sintricon), mas ganhou parceiros ao longo dos anos. Hoje, dois projetos de extensão da Universidade Federal da Paraíba complementam a ação. Trata-se de uma biblioteca volante e ações culturais. As duas iniciativas são coordenadas pelas professoras e coordenadoras do curso de Biblioteconomia, Geisa Flávia e Alba Lígia.

O projeto Zé Peão teve início em 1991 e ganhou a adesão do projeto ‘Biblioteca Volante: Instrumento de Lazer, Cultura e Informação’ cinco anos depois. Em 2011, 20 anos depois da primeira aula, outra iniciativa do curso da Biblioteconomia da UFPB se uniu ao projeto: a Ação Cultural. Agora, além de ofertar livros aos operários, eles participam de diversas ações culturais, como a visita a bibliotecas e a museus da cidade.

O senhor Everaldo Francisco dos Santos, mencionado no início da matéria, é um dos operários beneficiados pelo projeto. Para ele, aprender a ler foi um divisor de águas, já que durante toda a sua vida a insegurança foi um sentimento sempre presente. “Antes eu não sabia ler uma placa, tinha que perguntar sempre as pessoas. Hoje eu posso identificar as coisas. Pegar um papel na mão e ler o que tem nele é muito prazeroso”, disse.

Everaldo mora na cidade de Alagoinha, mas passa a semana em João Pessoa trabalhando na construção de um prédio no bairro Jardim Luna. As aulas de alfabetização acontecem de segunda a quinta-feira, sempre à noite. Parece obra do destino, mas atualmente ele presta serviço à construtora ABC.
Paraibano lê só 4,2 livros por ano

De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano, sendo que 3,4 são livros indicados pela escola (incluindo didáticos) e apenas 1,3 livros são lidos fora da escola. O paraibano lê um pouco menos: 4,2 livros por ano. Nos três meses anteriores a pesquisa, 45% da população pesquisada disse não ter lido nenhum livro. Isso mostra quanto a leitura precisa ser estimulada na população brasileira.

Para a bibliotecária e coordenadora do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba, Geisa Flávia Câmara, esse estímulo deve começar nas escolas, mas algumas instituições trabalham os equipamentos de leitura de maneira equivocada. “A leitura deve ser trabalhada como instrumento de lazer, libertação e prazer, nunca como castigo. O aluno gazeia aula, por exemplo, e como castigo ele é levado para a biblioteca”, ressaltou. A vice-coordenadora do curso e também conselheira do Conselho Regional de Biblioteconomia, Alba Lígia de Almeida, concorda com a colega e acrescenta: “Os alunos não sabem utilizar a biblioteca e todos os serviços que ela oferece, justamente porque não há profissionais capacitados”, alertou.

A categoria vem lutando pela presença de bibliotecários formados em todos os equipamentos, sejam bibliotecas públicas, escolares ou particulares. De acordo com a Lei 12.244/ 2010, até 2020 todas as escolas públicas e privadas devem ter bibliotecas e estas devem contar com profissionais qualificados. Os resultados deverão surgir em médio prazo, mas, para Alba Lígia, a Lei representa um grande avanço e terá um papel significativo na educação de crianças e adolescentes. “O papel do bibliotecário não é só gerenciar livros, mas promover o acesso a informação e o estímulo a leitura através de várias ações, desde a organização de uma vitrine que chame a atenção do leitor, até contar histórias, e se o bibliotecário não tem esse dom, ele pode ser um mediador. O que não pode é transformar a biblioteca em depósito de livros”, afirmou.

Conselheiro de governança do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos afirma que o papel do bibliotecário no século 21 mudou radicalmente. “O profissional tem que ter a percepção de que a biblioteca não é apenas um lugar de armazenar livros e que o seu papel não é controlar devolução e empréstimo de livros. Hoje o bibliotecário tem que ser um catalisador, ele deve ajudar os alunos a chegar de modo mais fácil ao conhecimento”, comentou.

De acordo com o Censo Escolar 2010, das 1.190 escolas públicas da rede estadual, 509 têm bibliotecas ou salas de leitura, o equivalente a 42,47%. Já nas redes municiais de ensino, o número é ainda mais alarmante. Apenas 12% das escolas dos municípios paraibanos possuem bibliotecas. São 6.008 escolas e apenas 721 bibliotecas.

JP terá biblioteca pública moderna


Por deficiência na estrutura física do antigo Conventinho, no Varadouro, a entrega da Biblioteca Municipal de João Pessoa, prevista para este semestre, ainda não aconteceu. O equipamento promete ser o mais moderno do Estado, com sistema de automação e uma ilha com 32 computadores conectados à internet disponível aos usuários. O acervo de mais de 18 mil publicações está armazenado em um depósito da prefeitura e aguarda o fim da reforma para ocupar as estantes. O acervo será dividido por setores, com espaços exclusivos para obras infantis, braile, periódicos e autores paraibanos.

O coordenador da implantação da Biblioteca Municipal de João Pessoa, Marcos Paulo Rodrigues, disse que a inauguração ainda não tem data, mas garante que as obras estão sendo conduzidas a todo vapor. “Estava tudo certo para entregarmos no início do semestre, antes da prova do Enem, mas quando as obras começaram os engenheiros viram que o prédio não tinha alicerce, então tivemos que realizar novo processo de licitação”, explicou.

Atualmente, a equipe está trabalhando no Centro de Capacitação de Professores (Cecapro), onde realiza, entre outros trabalhos, o de automação do acervo. Segundo Marcos Paulo, a Biblioteca Pública de João Pessoa vai abrir todos os dias. Será a única na Capital com acesso ao público nos finais de semana. O coordenador também adiantou que a prefeitura municipal vai apoiar projetos realizados pela população de incentivo à leitura. “Essas pessoas estão realizando o trabalho do Estado, portanto, a prefeitura vai dar todo o apoio. A proposta de Lei já foi aprovada na Câmara Municipal e já estão sendo articuladas as questões burocráticas”, afirmou.

Maioria não é informatizada

A maioria das bibliotecas públicas da Paraíba funciona basicamente com o acervo, mobiliários e equipamentos enviados pelo Ministério da Cultura através de kits de implantação e modernização de bibliotecas, formado por um acervo de pouco mais de mil livros, dois computadores, uma televisão, quatro mesas, seis estantes, entre outros equipamentos. Para especialistas e usuários de bibliotecas, o acervo, em geral, é defasado, e a falta de um sistema informatizado atrasa o acesso ao conhecimento.
Até as grandes bibliotecas do Estado – a exemplo da Juarez Gama Batista, do Espaço Cultural, e a Biblioteca Pública do Estado, na Avenida General Osório – sofrem com essas condições. A primeira possui um acervo de aproximadamente 100 mil publicações, entre livros, periódicos, atlas, enciclopédias, CDs, DVds, entre outros. Por mês, registra uma presença média de quatro mil usuários. No último mês de agosto, foram 456 empréstimos. Entre as bibliotecas públicas do Estado, a do Espaço Cultural é a maior do Estado, mas também apresenta problemas para os usuários.

Não há computadores disponíveis para usuários, como também não existe sistema informatizado. Os usuários também reclamam da defasagem do acervo. A biblioteca ficou fechada para reforma por seis anos, reabrindo ano passado com novo piso, cadeiras, mesas e sistema de ar condicionado. Apesar de não disponibilizar computadores, a biblioteca oferece internet wi-fi para os usuários. “O acesso a internet era uma solicitação constante dos usuários. Ainda não tivemos condições de adquirir computadores, mas o acesso a internet não era impossível. Muitos usuários já trazem notebooks, iPads e tablets para pesquisar”, comentou.

A candidata ao vestibular Raiara Viena, de 21 anos, frequenta a biblioteca do Espaço Cultural desde que abriu. Ela procura o espaço para estudar e explica que encontra o silêncio e o conforte que precisa. A estudante não depende do acervo da biblioteca, mas conta que já presenciou alunos de Direito e candidatos a concursos públicos reclamarem da defasagem dos livros. “Eles contam que o acervo não é atualizado. Para mim, o maior problema é o espaço. As vezes a gente não encontra lugar pra sentar de tão procurada que ela é. Fora isso, não vejo problema. A biblioteca é confortável, tem ar condicionado e a iluminação é boa”, conta.

O autônomo Edson Alencar, de 45 anos, é cadastrado na biblioteca Juarez da Gama Batista há quase 20 anos. A cada 15 dias, ele vai à biblioteca devolver e pegar novos livros, hábito que cultiva desde a juventude. Para o profissional autônomo, apesar de não encontrar todos os títulos que procura, a biblioteca do Espaço Cultural atende bem a comunidade. “Há um desinteresse muito grande pela leitura, principalmente por pessoas da minha geração. Acho que quando uma pessoa quer ler ela dá um jeito e o faz, não pode depender exclusivamente da biblioteca”, afirma.

Edson sente falta de um sistema informatizado, mas conta que procurar os títulos nas estantes é um bom exercício de memória e de incentivo a novas leituras. “Eu prefiro o sistema tradicional ao sistema informatizado porque a gente acaba encontrando outros títulos de interesse, mas sei que faz falta”, conta. Esse também é um problema enfrentado pelos usuários da Biblioteca Pública do Estado, a mais antiga do Estado, localizada no Centro da Capital.

A coordenadora do equipamento, Kátia Augusta da Silva, garante que a biblioteca será automatizada, mas por enquanto o sistema ainda é manual.
Dos livros tradicionais aos digitais


O radialista Paulo Santos anda com uma biblioteca a tiracolo. Atualmente são 25 exemplares, de Eça de Queiróz ao peruano Mario Vargas Llosa. As obras estão no iPad que adquiriu há dois anos, onde já leu pelo menos 20 livros - “com conteúdo grande”, ele destaca - e incontáveis revistas e apostilas. Para o radialista, o livro é interessante, mas o hábito da leitura é mais importante e deve ser estimulado seja através do livro ou a partir de dispositivos eletrônicos.

“A minha geração ainda vê o livro como algo insubstituível. O livro é interessante, mas o hábito da leitura é mais importante e não podemos por capricho de uma geração barrar o processo de desenvolvimento da humanidade”, disse. O radialista conta que atualmente lê mais no dispositivo eletrônico do que no papel. “A gente pode guardar fragmentos dos textos para ter acesso depois só ao que interessa. Isso conta muito pra mim”, explica.

O radialista também vê os audiobooks com bons olhos, mas recorrer sempre a esse formato, para ele, é sinônimo de preguiça. “Eu só escuto se for noutra língua pra estimular a fluência. Criar o hábito só de ouvir é preguiça, mas a atual geração vê de maneira diferente. Acha legal. De qualquer forma, está absorvendo a informação”, afirma.

As novas mídias, como os iPads, tablets e-books, ainda são uma realidade longe das bibliotecas públicas da Paraíba. O conselheiro do Todos Pela Educação, Mozart Neves, explica que o conceito de biblioteca nos dias atuais passou a ser de um ambiente de troca de conhecimento que vai além da consulta ao livro, por isso o acesso às mídias eletrônicas são importantes e indispensáveis. “É papel do Estado começar a prover essas condições de acesso a informação”, disse.

Para a bibliotecária Geisa Flávia, as novas mídias são importantes, mas se muitos alunos brasileiros não têm sequer acesso ao livro, o governo deveria se preocupar primeiro com o essencial, para depois de preocupar com a tecnologia. “Se conseguirmos aliar o tradicional ao tecnológico, melhor, mas a preocupação primeira deve ser o acesso ao livro”, comentou.

Sobre a polêmica de que as novas mídias levarão ao fim do livro, a assessora de imprensa da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid) especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Digital, Fabrícia de Oliveira, comenta: “Algumas pessoas (independente da idade) têm uma intimidade maior com o livro, seja pelo manuseio das páginas, peso, cheiro do papel, exibição nas estantes. Sendo assim, o livro no formato tradicional nunca será substituído, continuará sendo especial, não perderá sua essência. Uma mídia não substitui a outra, elas se complementam. O importante é ampliar as formas de leitura”.

Fonte: Correio da Paraíba

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Estímulo à leitura é desafio urgente

Mostrar a prática como atividade prazerosa é prioridade

Autor: Leonardo Meira - Jornal Santuário
03/06/2011

Cento e noventa e dois milhões de habitantes. Quinta nação mais populosa do planeta e um país de dimensões continentais repleto de... não leitores. Segundo dados da última edição do estudo Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2008, somente 66,5 milhões de pessoas encaixam-se no perfil “leitores” – leram ao menos um livro nos últimos três meses anteriores à pesquisa –, o equivalente a apenas 35% da população.

Os motivos para a falta de uma cultura literária no país são os mais variados. Passam pelos historicamente elevados preços das publicações, falta de políticas públicas claras para o setor, baixos níveis de escolaridade e de poder aquisitivo da população, ausência de equipamentos culturais eficazes – como bibliotecas públicas –, vinculação entre livro e obrigações escolares e, principalmente, o imaginário coletivo. Quem já não ouviu máximas como “o brasileiro não gosta de ler”, “não se interessa por cultura”? Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita (Alle) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutora Lilian Lopes, essa é uma falsa ideia que termina por justificar a ausência de pesados e necessários investimentos nessa direção. “Se desejarmos um trânsito que seja livre e possível a muitos por toda a gama de esferas culturais, temos de entender que construir uma nação nesse sentido requer bastante esforço dos órgãos públicos e civis e é um projeto de longa duração”, afirma.

“Ler” ocupa o 5º lugar na lista do que o brasileiro mais gosta de fazer durante o tempo livre, com 35% da preferência (60 milhões de pessoas), segundo a pesquisa Retratos. E o que fazer para inverter essa equação? O consenso é que uma grande teia de relações precisa ser tecida, contando com o somatório de esforços de todos os agentes sociais.

Mesmo que ainda sejam necessárias ações mais efetivas de todas as esferas da sociedade para que mudanças mais plausíveis se concretizem, há sinais de que há esperança pela frente. Entre 2009 e 2010, por exemplo, houve um incremento de 9,6% nas vendas das livrarias de todo o país, segundo dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL), e 13% a mais de pessoas consumiram algum bem cultural, de acordo com pesquisa feita pela Fecomércio-RJ. O número de leitores também aumentou consideravelmente entre 2000 e 2007, passando de 26 milhões para 66,5 milhões de leitores, conforme a Retratos.

Iniciativas do governo

As políticas públicas relacionadas ao Livro e à Leitura encorparam-se de modo especial Após 2003, com a sanção da Política Nacional do Livro. Essa lei assegura ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro, considerando-o meio principal de difusão da cultura. Outras iniciativas também foram criadas na última década, como o Prêmio Vivaleitura, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e também houve a desoneração fiscal sobre os livros. O PNLL estrutura-se com base em quatro eixos estratégicos principais, que têm como ponto comum a prioridade de transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia a dia do brasileiro. Já foram criados mais de duzentos projetos para democratização do acesso à leitura, diversos para fortalecimento de redes de bibliotecas, distribuição de livros gratuitos. Há cerca de 1.000 projetos e programas cadastrados.

O consultor e pesquisador de políticas públicas para o livro e leitura, Felipe Lindoso, acredita que faltam ao PNLL os mecanismos institucionais que permitam sua concretização. “Hoje, não há uma integração das diferentes ações governamentais, nem no governo federal e muito menos nos governos estaduais e municipais. Essa é uma questão que tem de ser encarada com mais decisão: fazer que o PNLL seja efetivamente um lugar de integração das ações dos diferentes níveis de governo e da sociedade civil, e para isso é preciso dispor de mecanismos institucionais mais eficientes”, opina. Todas as políticas públicas relacionadas ao livro e à leitura no país estão em processo de transferência de responsabilidade e coordenação para a Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
A entidade também está criando um programa de Livrarias Populares, com o objetivo de estimular editoras a produzirem livros com preços acessíveis e de boa qualidade gráfica e editorial, que serão distribuídos em pontos de venda espalhados no país. “O projeto tem como objetivo estimular a abertura de 10 mil novos pontos de vendas de livros.

Com um conceito parecido com o Programa Farmácia Popular, o objetivo é ampliar o acesso da população aos livros, estimulando o próprio mercado a produzir e oferecer produtos mais baratos (com preços de até R$ 10,00). Com o aumento de tiragem, o mercado editorial consegue produzir a custos mais baixos, sem comprometer a qualidade. Através de editais para distribuição, o Governo participa da compra de títulos, sem interferir no conteúdo editorial dos livros”, explica o presidente da FBN, Galeno Amorim.

Indústria editorial

Em 2004, houve imunidade com relação aos tributos que até então incidiam sobre a cadeia produtiva do livro (PIS e Cofi ns). Isso fez com que o preço fi casse mais acessível e aumentasse o volume de vendas – em 2009, houve incremento de 82 milhões de exemplares com relação ao número de 2004, segundo pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). “O público tem fome de livros e o apetite só tende a crescer. Como tornar essa relação mais virtuosa? Uma saída para diminuir o preço é aumentar a tiragem – se mais pessoas consumissem livros, haveria uma economia de escala que poderia reduzir o valor final. Além disso, também se poderia trabalhar com a ideia de uma tarifa mais acessível para a expedição de livros pelos Correios, pois há casos em que o frete torna-se mais caro que o próprio exemplar”, defende a presidente do Snel e vice-presidente técnica do Instituto Pró-Livro (IPL), Sônia Machado Jardim. Autor do livro O Brasil pode ser um país de leitores?, Lindoso acredita que seja preciso garantir o acesso à multiplicidade de bens culturais como parte integrante da cidadania e mesmo das condições de vida. Ele aponta os problemas de distribuição em um país de dimensões continentais e a ausência na sociedade brasileira de um movimento que incorporasse as bibliotecas como elemento fundamental de sua organização como alguns dos pontos frágeis da
indústria editorial brasileira. “O livro impresso em papel já está totalmente desonerado. Mas estamos diante do desafio do livro eletrônico, e os equipamentos leitores (e-readers) ainda têm uma pesada carga tributária. Os e-readers podem ter um papel muito importante no aumento dos índices de leitura, e esse assunto precisa ser resolvido. Por outro lado, ainda não temos medidas eficazes de fomento para o surgimento de novas livrarias e o estabelecimento de mais pontos de venda. A questão do preço fixo – que prejudica as livrarias independentes – não foi enfrentada. A difusão dos autores brasileiros (não só de literatura) no exterior também é muito precária”, avalia.

Biblioteca Pública

Uma das metas do PNLL é a implantação, modernização e qualificação de acervos, equipamentos e instalações de bibliotecas de acesso público nos municípios brasileiros. De acordo com Galeno Amorim, o Brasil está próximo de zerar o número de cidades sem bibliotecas – número que chegava a 1300 em 2003, segundo dados do IBGE. Esses espaços são vistos por grandes parcelas da população como “depósito de livros” ou lugares aos quais recorrer somente para pesquisas escolares. É nesse sentido que a visão da Biblioteca precisa ser transformada em seu valor simbólico no imaginário da população, passando a ser vista como local onde se estar alegremente, passear, como disponibilidade de acesso ao conhecimento e ao prazer de ler.

Implantar e equipar de modo qualitativo bibliotecas que sejam públicas são ações que podem resolver parte considerável do problema da falta de leitura. “Ao lado disso são necessários conjuntos de medidas que apontem para outras maneiras de significar esses lugares. Temos que considerar que em grande medida somos herdeiros de uma tradição cultural que vê a biblioteca como esse local sagrado, diferenciado. Esses significados se prendem a elementos de permanência. Como estar alegremente num local que costuma exigir silêncio absoluto dos usuários e é cheio de impedimentos de toda natureza? O desafio é buscar outros modos de compor, usar e praticar esses espaços”, indica a professora Lilian Lopes. Um exemplo disso é a Biblioteca Modelo de Manguinhos, inaugurada no ano passado, no Rio de Janeiro, com recursos do Ministério da Cultura. A área onde antes existiam galpões foi totalmente urbanizada e tornou-se local de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade da cidade. “É uma biblioteca pública multifuncional. Seu formato contempla ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à Internet. Este é um exemplo de como o conceito de biblioteca pode ser ampliado, distanciando-se muito dessa ideia de ‘depósito de livros’. Precisamos avançar mais nessa direção”, complementa o presidente da FBN.

No entanto, pesquisa feita pelo próprio Ministério da Cultura e divulgada no final do ano passado aponta que a situação ainda é catastrófica. A maioria das bibliotecas abre precariamente nos horários comerciais (quem trabalha não tem acesso); falta pessoal especializado; o nível de informatização é baixo; a maioria das bibliotecas não possui sistemas informatizados e, principalmente, ainda não há um sistema de bibliotecas com hierarquia (bibliotecas de porte que supram as necessidades de regiões com maior quantidade de acervo), interligação e sistemas de empréstimos entre si.

Formação de leitores

Em meio à vasta gama de iniciativas sociais de fomento à leitura está o Grupo Projetos de Leitura, coordenado pelo escritor Laé de Souza. Um dos projetos do grupo chama-se Ler é Bom, Experimente! e é dirigido ao público infantil e juvenil das escolas públicas. Desde 2004, mais de três mil escolas em diversas regiões do Brasil já foram atendidas. Laé acredita que a formação do hábito de leitura nas crianças deve ser compromisso partilhado, especialmente, entre família e escola. “Na família, é indispensável a leitura dos pais para os filhos e a conversa sobre um texto lido. Aguçar a curiosidade para e leitura não é obrigação somente dos professores. Pais que gostam da leitura terão mais facilidade de formar filhos leitores. A escola precisa utilizar métodos para formar leitores. Para isso, é necessário que o aluno leia por prazer e que o próprio professor também conheça o prazer da leitura”, ressalta. Aí surge a necessidade crucial de transformar o professor em um mediador da leitura como atividade prazerosa, não tarefa penosa.

“É preciso despertar o interesse pela leitura. As dificuldades de acesso ao livro só são resolvidas quando o próprio livro ganha valor na vida de cada pessoa. É preciso incrementar ações efetivas no que diz respeito ao simbolismo do livro para conquistar novos leitores”, sugere a coordenadora de projetos do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla. O tipo de contato que os diversos núcleos – família, escola, entre outros – possuem com os materiais de leitura, a disposição em relação a essa prática, os modos de apresentar esses materiais, exercitar suas leituras, falar sobre elas, afeta diretamente o processo de formação dos futuros leitores. “Distribuir as leituras conforme a faixa etária – especialmente quando se trata da literatura para crianças e jovens – faz parte de nosso senso mais comum. No entanto, podemos olhar para outras categorias, como aquelas apoiadas nos distintos gêneros literários e níveis de leitura, por exemplo. Também na escola pode ser feita uma abordagem transdisciplinar, pois a escrita sempre diz respeito a todas as disciplinas, é uma responsabilidade a ser compartilhada por todos os profissionais e não cabe apenas (como se costuma pensar) ao professor de português”, defende a coordenadora do Alle.

A questão do analfabetismo funcional – pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente letras ou frases, sentenças, textos curtos e números, não desenvolve habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas básicas – também é um problema que precisa ser solucionado com ações mais efetivas junto à educação básica.

De acordo com a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, realizada em 2009, a taxa de analfabetismo funcional é de 20,3%. Isso significa que um em cada cinco brasileiros enfrenta o problema.

Retratos da Leitura no Brasil

Um dos principais estudos sobre o comportamento leitor no país é a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. A iniciativa é gerenciada pelo quarteto Instituto Pró-Livro (IPL), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Já foram publicadas pesquisas em 2001, 2008 e uma terceira edição será divulgada no segundo semestre deste ano. Os resultados revelam o comportamento leitor da população, a percepção da leitura no imaginário coletivo, definem o perfil do leitor e do não leitor de livros, identificam as preferências dos leitores e os canais e formas de acesso à leitura e suas principais barreiras.

Confira os principais resultados da última edição:

Número de leitores
2000 - 26 milhões de leitores (1,8 livro lido por leitor/ano)
2007 - 66,5 milhões de leitores (3,7 livros lidos por leitor/ano)
* Vale destacar que as duas edições tiveram metodologias diferentes. A primeira comparação plenamente confiável da série histórica será possível apenas após a publicação da pesquisa deste ano.

Referência
60% dos leitores se habituaram a ver os pais lendo
63% dos não leitores nunca ou quase nunca viam isso em casa

Motivação para ler
63% leem por prazer, gosto ou necessidade espontânea

Motivação para comprar um livro
28% compra por prazer ou gosto pela leitura

Maior influência para ler
49% mãe (ou responsável mulher)
33% professora
30% pai (ou responsável homem)

O que a leitura significa
69% indica fonte de conhecimento é o valor mais associado à leitura

O que brasileiro gosta de fazer no tempo livre
Ler aparece em 5º lugar, com 35% da preferência (60 milhões), atrás de “Assistir televisão”, “Ouvir música”, “Descansar” e “Ouvir rádio”.

Frequência da leitura
1 vez por dia - 20% jornais
1 vez por semana - 27% revistas
1 vez por mês - 14% livros em geral

NÚMEROS
2% é a despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras com recreação e cultura (o equivalente a R$ 42,76), à frente apenas dos gastos com “fumo” e “serviços pessoais”

0,2% é a participação da despesa orçamentária com cultura no total da despesa das esferas de governo (federal, estadual e municipal). De acordo com os dados mais recentes, do R$ 1,538 bilhão de gastos orçamentários dos governos em 2005, apenas R$ 3,129 milhões foram destinados à cultura. É o mesmo que dizer que todos os níveis de governo do país aplicaram em ações culturais menos de 1% do que está previsto, por exemplo, para construir um estádio em Salvador para abrigar os jogos da Copa de 2014 (com capacidade para 44.100 pessoas, a obra está orçada em R$ 360 milhões) R$ 16,99 é o investimento per capita das três esferas de governo com cultura.

Fonte: IBGE

Dados extraídos do Blog do Galeno

terça-feira, 31 de maio de 2011

Acesso à leitura ganha espaço

Crescem iniciativas que oferecem livros e uso gratuito de bibliotecas

MARLENE JAGGI

Detalhe da Borrachalioteca
Foto: João Gustavo Soares

O mineiro Marcos Túlio Damasceno, de 32 anos, sempre foi apaixonado por livros e um observador dos hábitos das pessoas. Licenciado em letras, não deixava de notar o interesse dos amigos e clientes da borracharia do pai pelos jornais e revistas que ficavam entre os pneus, à disposição de quem os quisesse ler. Solícito, decidiu ajeitar uma estante com livros no estabelecimento. A iniciativa agradou tanto aos moradores de Sabará, município a 25 quilômetros de Belo Horizonte, que o professor se jogou de corpo e alma no projeto. Resultado: dos primeiros 70 livros de 2002 passou a um acervo de 20 mil exemplares nas quatro unidades atuais da Borrachalioteca: a sede, que ainda funciona dentro da borracharia; a Sala Son Salvador, no bairro Cabral; o espaço Libertação pela Leitura, aberto dentro do presídio de Sabará, e a Casa das Artes (que abriga uma biblioteca infanto-juvenil e uma Cordelteca). “Acabamos nos tornando referência para os amantes da leitura na cidade”, conta Damasceno.

A Borrachalioteca é um dos milhares de projetos que avançam, Brasil afora, com o objetivo de oferecer à sociedade acesso gratuito à leitura. São iniciativas de todos os tipos e portes, criadas para todos os públicos, pelas mais diversas instituições – de representantes da sociedade civil às três esferas do governo – e que trazem à tona uma realidade pouco percebida: o brasileiro, de fato, lê muito pouco, mas crescem em número e diversidade as alternativas de acesso à leitura no país.

Essa onda pró-leitura inclui programas grandiosos, como o lançamento, em 2009, do Mais Livro e Mais Leitura nos Estados e Municípios, iniciativa do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), dos ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC) e do Instituto Pró-Livro, que visa incentivar essas instâncias de governo a criar seus próprios planos de promoção da leitura. Há também projetos pontuais de grande porte, como a reabertura em janeiro da Biblioteca Mário de Andrade na capital paulista, e a inauguração, há um ano, da Biblioteca de São Paulo, assim como iniciativas singelas semelhantes à Borrachalioteca ou ao Jegue-Livro, criado em 2005 em Alto Alegre do Pindaré (MA) e que lança mão dos recursos disponíveis para levar livros a comunidades que, de outra forma, não teriam acesso a eles: um jegue, que sai da Casa do Professor carregando dois jacás coloridos cheios de livros para levar literatura a cinco povoados da região.

“É incrível o poder multiplicador que projetos como esses têm sobre a sociedade”, diz Lourdes Atié, coordenadora pedagógica do Prêmio Viva Leitura. Criado em 2006 por iniciativa do MEC, do MinC e da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o concurso recebeu até agora 2 mil inscrições no Brasil inteiro. O projeto do Jegue-Livro ganhou o prêmio em 2006. A Borrachalioteca, em 2007. “No início, foi uma surpresa encontrar um Brasil feito de pessoas não eruditas, mas comprometidas em fazer alguma coisa pela cultura. Hoje percebemos que as experiências, vencedoras ou não do prêmio, ganham visibilidade e inspiram iniciativas semelhantes”, diz ela.

Assim como a borracharia, estabelecimentos como açougues e quitandas reservam um espaço para abrigar livros e emprestá-los aos moradores vizinhos. Há também quem desenvolva propostas para seu próprio pessoal. Foi o que fez Kátia Ricomini, de 29 anos, dona da paulistana Translig, empresa de motoboys. Para incentivar o hábito da leitura entre os funcionários, que não tinham o que fazer enquanto aguardavam novas entregas, ela criou, em 2006, o projeto Translivroteca. Três anos depois implantou também o Pegadas da Leitura, que estimula a troca gratuita de livros. Funciona assim: as obras levam na contracapa um resumo do projeto, onde se pede às pessoas que, depois de ler, passem o exemplar adiante, formando uma corrente de leitura. “A pessoa lê o livro, envia um e-mail para a Translig, conta o que achou e ‘liberta’ a obra em algum local. Pode ser no ponto de ônibus, na cafeteria, no metrô – em qualquer lugar onde ele encontre um novo leitor”, diz Kátia.

Para todos

A movimentação pela democratização do acesso à leitura lança mão de todos os meios de transporte. O que vale é deslocar materiais de leitura para pontos estratégicos, seja por meio de um jegue, barco, ônibus, caminhão ou metrô. O projeto Embarque na Leitura, por exemplo, gerenciado pelo Instituto Brasil Leitor e apoiado pelo MinC, colocou bibliotecas em seis estações do Metrô de São Paulo que emprestam livros de graça a quem utiliza esse meio de transporte. Desde 2004, 45 mil pessoas já se cadastraram e fizeram quase 500 mil empréstimos. No total, as seis bibliotecas reúnem quase 24 mil títulos.

O meio escolhido pela Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo foi o ônibus. São quatro ônibus-biblioteca que percorrem 20 roteiros fixos para levar leitura à população da periferia carente de equipamentos culturais, na capital paulista. No lugar de ônibus, o Serviço Social do Comércio (Sesc) usa caminhões-baú como base para o projeto BiblioSesc. O primeiro foi implantado em Pernambuco, em 2005. A regional de São Paulo encampou o projeto em 2009 e hoje utiliza dois caminhões – um que vai a cinco comunidades em Interlagos e outro que vai a seis, em Itaquera. “Ainda este ano teremos outros dois”, afirma Francis Manzoni, assistente de leitura da gerência cultural do Sesc-SP.

O projeto atualmente está em todo o Brasil. No total são 27 veículos espalhados por vários estados onde o Sesc tem unidades regionais. Até o final do ano serão 52, diz Lisyane Wanderley dos Santos, assessora técnica de biblioteca. Em 2010, o BiblioSesc recebeu 26,6 mil inscrições de pessoas, em 35 municípios brasileiros.

Um dos critérios do projeto é atender comunidades carentes de equipamentos culturais. Cada caminhão tem estantes com cerca de 3 mil publicações, escada para acesso à carroceria, ar-condicionado (que funciona mediante parceria com instituições locais que cedem energia elétrica) e bibliotecário para dar suporte às atividades. O interessado entra e escolhe o livro, faz a carteirinha na hora e leva para ler em casa, devolvendo na volta do caminhão, 15 dias depois.

Avanço

De acordo com José Castilho Marques Neto, ex-secretário executivo do PNLL e diretor presidente da Fundação Editora da Unesp, o movimento para formar leitores cresceu muito nos últimos anos, principalmente a partir de 2003, quando passou a contar com a decisão política dos chefes de governo ibero-americanos de colocar a leitura como um objetivo a ser alcançado nos países da região. “Estamos num momento de inflexão importante e a hora é de avançar ainda mais nas conquistas, em todos os planos nacionais de leitura que acontecem em 19 países ibero-americanos”, diz ele.

Em sua opinião, no Brasil o projeto Mais Livro e Mais Leitura nos Estados e Municípios trará a capilaridade necessária e fará com que as cidades e estados se apoderem do PNLL, mas ele lembra que o governo federal precisa adotar outras medidas para constituir um país de leitores: institucionalizar o PNLL por lei, para garantir sua perenidade, criar o Instituto do Livro, Leitura e Literatura, para orientar e coordenar a política pública de incentivo à leitura no país, e formar um fundo específico para assegurar recursos continuados à área.

Até agora, os números oficiais preocupam. A última pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, de 2008, apontou o índice de 1,3 livro lido por ano por pessoa (descontadas as obras escolares, que, se incluídas, elevariam o resultado para 4,7). “Como o levantamento já tem quatro anos, estamos com a expectativa de que, com os milhares de ações pró-leitura mais recentes, tanto dos governos quanto da sociedade, esse índice tenha aumentado”, diz Castilho.

Apesar dos esforços, no entanto, nem sempre o resultado é o esperado. A intenção do governo Lula de garantir o funcionamento de pelo menos uma biblioteca pública em cada cidade brasileira até 2010 não se concretizou. Dos 1.126 municípios que receberam kits com estantes e livros, somente 215 comunicaram a abertura de bibliotecas ao Ministério da Cultura. Por outro lado, as metas governamentais já não parecem tão distantes. Segundo o 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, feito pela Fundação Getúlio Vargas a pedido do Ministério da Cultura e divulgado em abril de 2010, 79% das cidades brasileiras possuíam ao menos uma biblioteca em funcionamento. O levantamento mapeou os 5.565 municípios do país e identificou 4.763 bibliotecas em 4.413 deles. Em 13% das localidades havia unidades em fase de implantação ou de reabertura e em 8% estavam fechadas, extintas ou nunca existiram.

“O programa Mais Cultura fomentou centenas de projetos para construção, reforma e modernização”, diz Castilho, segundo o qual tão importante quanto o avanço quantitativo é a mudança de conceito de biblioteca – que migrou de espaço sisudo e vazio para áreas abertas a um público maior, com recursos multimídia, alcançando leitores de todas as idades e necessidades.

Renovação

São Paulo é um bom exemplo dessa mudança. A maior parte das 54 bibliotecas públicas da cidade foi revitalizada e quase todo o acervo de 2,2 milhões de exemplares já está no catálogo online. “Durante muito tempo as bibliotecas foram espaços escolares e até por isso havia uma separação entre as destinadas a adultos e as infanto-juvenis. Isso mudou. Além da integração do acervo, os espaços foram reformados, ganharam novos móveis, como estantes, tatames, pufes e mesinhas, e reforço na programação de eventos culturais, o que permite que uma família inteira encontre leitura e entretenimento”, avalia Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo.

Novinha, a Biblioteca Álvaro Guerra, do bairro de Pinheiros, tem tudo isso e até um jardim de leitura em que crianças, adultos e idosos da região podem ler ou emprestar qualquer um dos 25 mil exemplares do acervo, conta a coordenadora da unidade, Jamile Salibe Ribeiro de Faria. Essa renovação pode ser observada também na Biblioteca Mário Schenberg, localizada na Lapa. Fundada há 57 anos, ela era, até há pouco tempo, um depósito de estantes, lembra a coordenadora, Patrícia Marçal Frias. Inserida no projeto Descobrindo os Encantos da Biblioteca Pública, da Secretaria Municipal de Cultura, virou uma das oito unidades temáticas da cidade – projeto que acrescenta às características tradicionais uma área dedicada a livros e atividades de determinados temas. O da Mário Schenberg é ciência. Lá há livros específicos e ocorrem exposições e até shows, como os do grupo Mad Science.

Na Alceu Amoroso Lima, também situada em Pinheiros, a especialização é poesia. São 3 mil títulos do gênero. Para quem gosta de tradições populares, o endereço é a Biblioteca Belmonte, localizada no bairro de Santo Amaro, com seus 500 livretos de cordel. São também temáticas as bibliotecas Cassiano Ricardo (música), Roberto Santos (cinema), Viriato Corrêa (literatura fantástica), Hans Christian Andersen (contos de fadas) e Raul Bopp (meio ambiente). Até 2012, a cidade ganhará mais duas – uma delas, a de cultura negra, será aberta ainda neste ano, no bairro do Jabaquara.

Além das bibliotecas públicas e temáticas, a cidade tem oito Bosques da Leitura, que funcionam aos domingos em vários parques, como Anhanguera, Ibirapuera, do Carmo e da Luz, e 12 Pontos de Leitura – espaços com no mínimo 60 metros quadrados e acervo de 1,5 mil exemplares, instalados na periferia da cidade, em locais como Jardim Ângela e São Miguel Paulista. Em 2010, o Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo registrou a frequência de 1,2 milhão de pessoas e emprestou cerca de 900 mil livros – não estão computados nesses totais os dados das bibliotecas Mário de Andrade e do Centro Cultural São Paulo.

Fechada desde 2007 para reforma, a Biblioteca Mário de Andrade foi reaberta em janeiro, após um processo de restauração e modernização do prédio e desinfestação do acervo de 200 mil livros, entre os quais uma coleção com 50 mil obras raras e especiais, 27 mil volumes de arte e 42 mil livros circulantes. Com 3,3 milhões de itens, ela abriga o segundo maior acervo documental e bibliográfico brasileiro (o primeiro é o da Biblioteca Nacional, no Rio de janeiro).

Além disso, o paulistano pode se preparar para mais novidades: a reforma da Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato; a inauguração neste ano do novo prédio da Biblioteca Sérgio Buarque de Holanda, em Itaquera, e a abertura do Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes, que está em construção e prevê uma biblioteca de aproximadamente 500 metros quadrados.

Inclusão

Nesse processo de modernização e mudança de conceito das bibliotecas, os públicos com necessidades especiais são sempre lembrados. O melhor exemplo dessa preocupação está na Biblioteca de São Paulo, inaugurada em fevereiro de 2010 exatamente onde funcionava o Carandiru, o maior presídio da América Latina e um dos mais violentos que o país já teve. Ali, além de um acervo em braile, o usuário encontra cadeiras e estantes adequadas a faixas etárias e mesas reguláveis de fácil adaptação para cadeiras de rodas. A unidade dispõe ainda de mil títulos de audiobooks e até de um scanner que transforma páginas de livros convencionais em áudio ou placas de braile, o que permite acesso dos deficientes visuais à literatura geral. Para quem não pode movimentar as mãos, a biblioteca oferece folheadores automáticos de páginas. “A Biblioteca de São Paulo é um marco, um lugar mágico em que foram investidos R$ 12,5 milhões”, informa Adriana Ferrari, idealizadora do projeto e coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do estado de São Paulo. De fato, em vez de celas e violência, o que se vê ali é um parque arborizado e um prédio moderno, alegre, que recebe 30 mil pessoas por mês.

Outro diferencial desse estabelecimento, alinhado com o movimento atual que ocorre no país, é a determinação em fazer com que a leitura vire sinônimo de prazer e a biblioteca, um espaço de cultura e entretenimento. Assim, não é de estranhar que a Biblioteca de São Paulo tenha 94 computadores para o público acessar a web gratuitamente durante duas horas e meia por dia. Inspirada no modelo da Biblioteca de Santiago, no Chile, tem espaços organizados por cores que indicam as faixas etárias – os destinados às crianças têm mesas, tatames, estantes baixas. Resultado: virou um grande centro de convivência onde se pode ler o jornal do dia, uma revista estrangeira, fazer empréstimo de títulos de literatura, observar o ranking dos mais procurados no painel eletrônico, assistir a um show, jogar xadrez e até mesmo ter acesso a literatura erótica. No seu primeiro ano de funcionamento, recebeu 317 mil pessoas e emprestou mais de 180 mil livros, informa a diretora, Magda Maciel Montenegro.

Com 30 mil itens, entre livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, a biblioteca tem até um terminal de autoatendimento, que permite ao usuário cadastrado liberar o empréstimo sozinho. Os mais procurados, contudo, podem desapontar os intelectuais: são geralmente best-sellers. “Todos temos um tempo próprio para amadurecer nossas leituras”, diz Adriana. “O que não se pode é não dar acesso aos livros.” É por isso, segundo ela, que o governo do estado prepara uma nova unidade nos moldes da Biblioteca de São Paulo, no Parque do Belém.

Na escola

Segundo Lourdes Atié, do Prêmio Viva Leitura, apesar de todo o esforço que vem sendo feito, o estímulo à leitura ainda tem um longo caminho a percorrer, principalmente nos estabelecimentos de ensino. “Não basta ter acervo. Falta intencionalidade; pensar no que se pode fazer para que a escola não vire um depósito de livros”, diz ela. Daniela da Costa Neves, de 28 anos, já tem o seu jeito. Professora orientadora da Sala de Leitura da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Maria Berenice dos Santos, que fica no Jardim das Flores, na região de Guarapiranga, criou o Projeto Semana Literária, que, pelo terceiro ano consecutivo, coloca 470 crianças de 6 a 10 anos em contato com ilustradores, escritores e contadores de histórias, para estimular nelas o prazer da leitura.

As 45 bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) são outro exemplo de que a leitura vem ganhando espaço nas escolas, embora o censo escolar divulgado no ano passado pelo Ministério da Educação mostre que ainda há muito a fazer. Segundo o levantamento, entre as escolas do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental apenas 30,4% têm biblioteca. Do sexto ao nono ano, o índice sobe para 60% e, no ensino médio, para 73,2%.

Dentro ou fora das escolas, não é fácil elevar os índices de leitura no Brasil. “Não podemos nos esquecer de que o problema vem de longe, de nosso tipo de colonização, da exclusão histórica e contínua da maioria da população em relação aos bens culturais e, entre esses, aos livros em particular”, observa Castilho. Em sua opinião, a leitura ainda é considerada um “biscoito fino” pelas nossas elites. A saída? Elaborar uma política pública de longo prazo que assegure esse direito a todos os brasileiros.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Iepê, cidade que lê

No município paulista de sete mil habitantes, livros não ficam em caixas nem param nas prateleiras

Reportagem de Maria Lígia Pagenotto
Fotografias de Luiz Dantas

Quando assumiu, há um ano e meio, a direção pedagógica da Escola Municipal de Educação Fundamental João Antônio Rodrigues, em Iepê, a 540 quilômetros da capital paulista, Ieda Maria Monteiro logo tratou de promover mudanças na biblioteca. Livros dispostos ao acaso em prateleiras escuras, paredes vazias e cores apagadas não combinavam com ela – um lugar assim, na opinião da pedagoga, jamais chamaria a atenção da criançada. “Biblioteca tem de ter vida”, prega.

A mudança começou pelas cores. Móveis escuros foram repintados em tons vivos. A mesa e as cadeiras para leitura foram trocadas de lugar na sala, de modo que o espaço fosse melhor aproveitado. Sofá macio, cortinas para diminuir a luminosidade e um tapete aconchegante terminaram por compor o novo ambiente. As paredes, porém, ainda pediam algo. “Foi então que recebemos uma coleção de arte, e tivemos a idéia de enquadrar os pôsteres”, lembra Ieda. Conta a pedagoga, ela mesma ex-aluna da escola e leitora voraz desde seus tempos de garota, que a Biblioteca Olavo Bilac existe há cerca de 30 anos e foi ela, junto com outros colegas, quem ajudou a criar o espaço.

Em cada classe, do 1º ao 5º ano, há um lugar batizado de “Cantinho da Leitura”, com estantes cheias de livros provenientes do acervo do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). “Quando chegam as obras, separamos o que pode interessar a cada ano. Uma parte fica na biblioteca enquanto outros livros são espalhados pelos cantinhos das salas de aula, para os alunos manusearem diretamente”, diz Ieda. A professora Marta Atencia, do 2º ano, explica que o sentido do “cantinho” é facilitar ao máximo o acesso da criança ao livro. “É para estimular, mesmo, a curiosidade deles. Deixo-os manusearem à vontade, disputarem o livro”, revela. Quem quiser, leva um para casa, que deve ser devolvido na emana seguinte.

Expressando o que sente

É nesta faixa etária, na qual a criança começa a se alfabetizar, que a professora explora ao máximo o recurso de contar histórias para os pequenos. Ela monta com os alunos fichas das palavras ouvidas durante a narrativa e, depois, pede para eles escreverem essas palavras. “É muito fácil ver os progressos na criança que tem mais estímulo para a leitura e sabe aproveitar isso – ela se diferencia das demais em todas as matérias”, acredita Marta, professora há 17 anos.

A mesma opinião tem Márcia Regina Costa Cardoso, professora do 5º ano. Ela chama atenção para os avanços conquistados nas aulas de Matemática, especialmente. “Os alunos não liam os problemas com atenção ou, se liam, não compreendiam – já queriam logo saber se era conta de ‘mais’ ou de ‘menos’ –, tinham preguiça de tentar entender”, recorda-se. Segundo ela, o quadro começou a mudar quando foi introduzida a pedagogia de projetos na escola. Com ela, a leitura, aos poucos, ganhou mais importância na escola. “No meu cantinho da leitura tem de tudo, estou sempre falando para eles levarem livros para casa, mostrarem para os pais, os amigos”, afirma Márcia. “Acho que com isso eles passaram a ler melhor nas entrelinhas. A Matemática ficou mais clara, o problema ficou mais fácil de ser solucionado”, diz.


A cada semana, a Escola João Antônio Rodrigues promove o projeto Sala de Leitura. Os alunos das diferentes séries escolares se revezam, então, para ouvir histórias contadas pela monitora Débora Adna Palma Rocha, de 20 anos, estudante de letras e ex-aluna da escola.

Ao final da leitura, realizada na biblioteca, eles são estimulados a produzir algum trabalho sobre o que foi lido. “Pode ser um texto, uma dramatização, um desenho, o que quiserem”, explica a jovem. Depois fazemos uma exposição num painel pregado na parede da biblioteca, e renovado semanalmente. “Nossa proposta, com isso, é fazer o aluno perder o medo de expressar o que sentiu com aquela leitura”, explica a pedagoga Ieda Monteiro.

Neste dia também cada aluno escolhe um livro da biblioteca para levar para casa. Depois, na sala de aula, quem quiser comenta sobre o que leu. “Não é uma tarefa obrigatória, mas sim uma forma de estimular o contato com o livro. Penso que se a criança não leu naquela semana, alguém da casa pode ter lido, ao menos folheado o livro”, argumenta Ieda.

Filhos e pais que lêem

 A professora da turma do 3º ano da João Antônio Rodrigues, Elcimara Gomes da Mota, acha que o livro, para os alunos de Iepê, desperta especial interesse porque se destaca na realidade doméstica das crianças. “O município é pequeno, poucos alunos têm computador em casa, o livro chama atenção”, argumenta. Para ela, um diferencial importante da escola está em envolver os pais nas atividades de leitura dos alunos. “Isso é feito nos finais de semana, quando acontecem oficinas de leitura. Os pais são incentivados a pegar livros na biblioteca e a escrever”, explica.

A responsável pela cozinha da João Antônio Rodrigues, Cássia Regina Pelim Damásio, é uma das mãesleitoras de Iepê, além de funcionária da escola. Suas três filhas herdaram o gosto pelos livros. “Adoro revistas e livros. O estilo varia – pode ser Érico Veríssimo, Machado de Assis ou Sidney Sheldon”, diz Cássia.

Sua filha mais velha, Carolina, de 22 anos, estudante de Direito, é responsável pela brinquedoteca de Iepê, que funciona junto à Biblioteca Municipal, na praça mais movimentada da cidade. Quem cuida deste espaço é uma organização não-governamental, a Amigos da Cultura, formada em sua maioria por jovens que curtem saraus literários e musicais – uma irmã de Carolina, Juliana, de 19 anos, também faz parte do projeto. Na brinquedoteca, Carolina promove oficinas de leituras com crianças, entre outras atividades. Ela gosta tanto das letras que, junto com o amigo Anderson Douglas da Silva, estudante de Pedagogia, animou-se a escrever e produzir um livro de poesias e reflexões, publicado com recursos próprios.

Primeiras leituras

Na Escola Municipal de Educação Infantil Dona Juventina Zago de Oliveira, para crianças de zero a seis anos, os alunos fazem poesias e participam de saraus, da mesma forma que os maiores. “Temos leitura todo dia e um cantinho para livros nas classes”, diz a diretora Vera Lúcia Braga Dias. “Eles estão começando a conhecer as letras. Eu leio e eles recontam a história a seu modo, atividade que adoram”, afirma a professora do Pré Eliene Nunes.

Rosicléia Barreto, mãe de dois alunos da escola, está feliz com o método utilizado e acha que se a criança não pega no livro desde pequena não aprende nunca a usá-lo. “Não tenho muito tempo para ler para minhas crianças, meu marido é quem lê. As crianças cobram da gente, trazem sempre livros para casa.”

No município só não tem contato com livros quem não quer mesmo. No Espaço Amigo Casa da Criança, mantido pela prefeitura, destinado a ocupar os pequenos com atividades fora do horário escolar, há uma sala especialmente dedicada aos livros infantis. Lá as crianças se sentam em roda e ouvem histórias, desenham sobre o que ouviram e produzem todo tipo de textos.


Município bem avaliado

Em Iepê parece haver um apreço especial pelas atividades literárias. “A leitura sempre foi bem trabalhada nas escolas aqui”, conta Maria Alves da Silva Ruela, assessora técnica da atual Secretária Municipal de Educação, Aliete Aparecida Bispo da Silva. No dia 24 de junho, data de fundação de Iepê, o município se mobiliza em torno de uma grande festa e os alunos das três escolas – duas municipais e uma estadual – apresentam seus trabalhos. Este ano muitos iriam recitar poemas produzidos ao longo do primeiro semestre nas salas de aula.

O incentivo à leitura já rendeu à cidade resultados quantificáveis, tanto no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), realizado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, quanto no Prova Brasil, avaliação que veio complementar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e foi realizada, pela primeira vez, em 2005. Segundo dados da última avaliação, na qual, pela primeira vez, foi divulgado o desempenho de cada escola, a média da Escola Municipal João Antônio Rodrigues, a única administrada pela prefeitura, foi de 183,16 pontos em Língua Portuguesa e 187,33 em Matemática, no nível de ensino equivalente à 4ª série (o total possível era de 350 pontos). Para se ter uma idéia, esta colocação deixaria Iepê em quarto lugar em um ranking com todas as capitais de estado – só perdendo para Campo Grande (MS), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG). A capital paulista teve médias bem abaixo disso: 160,42 em Língua Portuguesa e 166,86 em Matemática.

As escolas municipais não são obrigadas a participar da avaliação, mas a Escola Municipal de Ensino Fundamental João Antônio Rodrigues, segundo Ieda Monteiro, optou por ser testada já há três anos, com o Saresp. “É importante para nós, porque montamos nossos projetos didáticos baseados nos resultados das avaliações”, argumenta. A diretora da escola, Márcia Regina Maciel, assegura que o bom desempenho no Saresp e no Prova Brasil apenas corroboram os avanços que ela sente no dia-a-dia com as crianças. “Percebo que estão menos tímidos, conversam mais, interrogam. Acho que se realizam diante dos livros e os pais também notam as mudanças, tanto que comentam e procuram ler mais também”.

A mesma satisfação em ver os progressos dos alunos pode ser sentida na Escola Estadual Antônio de Almeida Prado. Em 2005, dois alunos – do 6º e do 7º ano – obtiveram 100% de acertos em Português na avaliação feita pelo governo estadual. “Sabemos que compreendendo o que lê, o aluno se sai melhor em todas as disciplinas”, afirma o diretor da única escola de ensino médio do município, Francisco Régis Zago. Como exemplo, ele cita o desempenho dos alunos na Olimpíada de Química do Estado. A escola foi uma das 100 selecionadas, entre cinco mil, para participar de um evento na capital paulista.

Parte do progresso obtido diante das palavras é creditado na escola ao professor de Português, Sílvio de Lima Rocha. Ele é responsável pelas aulas de leitura e assume que seu entusiasmo pelos livros tem contagiado os alunos. “Ensino a eles que quanto mais concentrados num texto, mais eles viajam, se tornam criativos. Na classe, mantenho uma estante de livros e digo que para aprender é preciso mergulhar no texto.”

Todas as salas de aula da Escola Estadual Antonio de Almeida Prado contam também com uma biblioteca de classe, montada com livros doados pelo MEC. Maria Damásio, responsável pela biblioteca da escola afirma que, embora o local seja muito procurado pelos alunos para pesquisas, sente falta de que os mais jovens retirem mais livros para deleite próprio, com o único objetivo de usufruirem o prazer de uma boa leitura. “Se eles soubessem o que perdem quando não lêem, não é?” Mas, para satisfação de Maria Damásio e outros adultos, os estudantes desta pequena cidade-leitora talvez estejam, aos poucos, descobrindo o que têm a ganhar mergulhando em páginas e mais páginas de boas histórias. É assim que a pequena Iepê já está fazendo a sua própria história.

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Portas e livros abertos à comunidade
Iepê tem uma biblioteca municipal com cerca de nove mil livros catalogados. Mas o trabalho ainda não foi concluído, segundo a responsável pelo lugar, Dorothea Zaganini. Há 10 anos no posto, ela conta que tem conseguido fazer da biblioteca um ponto de encontro importante dos jovens da cidade, seu sonho desde que assumiu.


“Estamos localizados na praça onde eles se reúnem, ao lado da lanchonete principal. Quero que eles gostem cada vez mais daqui”, diz. À frente do trabalho de catalogação está Angelita Maria de Souza, estudante de Letras, também integrante da ONG Amigos da Cultura. “Já fizemos muito sarau de poesias aqui. Sempre temos alguma programação”, explica.


Já a Biblioteca Olavo Bilac, da Escola João Antônio Rodrigues, tem um acervo de cerca de 4 mil obras. A estudante de Letras Débora Rocha, ao lado da pedagoga Ieda Monteiro, é quem ajuda a cuidar do espaço. “Temos um caderno de controle, para marcar que livro saiu, qual o autor, o gênero da obra, quando saiu e para quem foi. Cada pessoa pode ficar uma semana com o livro, mas esse prazo é renovável”, diz Ieda. Ela argumenta que não cobra multa por atraso porque não quer que ninguém tenha medo de pegar livro. “Isso pode assustar as pessoas”.


A biblioteca escolar é aberta a toda comunidade – qualquer pessoa da cidade tem acesso aos livros, revistas e também vídeos e DVDs.

Fonte: Revista LeituraS

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Espetáculo infantil "Histórias Daqui e de Lá" conscientiza o público infantil sobre o hábito pela leitura


Texto: Fernanda Lima e Lincoln Spada
Foto: Rodrigo Fernandes

Foi possível escutar dezenas de risadas infantis vindas da Biblioteca Municipal de Cubatão, durante a canção final de "Histórias Daqui e de Lá", peça apresentada no local, nesta terça-feira, dia 3. A alegria das narrativas das atrizes Danielle Barros e Lívia Sales contagiou o público do Ensino Fundamental I da UME Acre nas duas sessões: às 9 e às 15 horas. O espetáculo está em cartaz há 15 anos na companhia As Meninas do Conto, e desde 2008 é encenado no Programa Viagem Literária, projeto da Secretaria de Estado da Cultura em parceria com bibliotecas municipais. Tendo uma colcha de retalhos como pano de fundo, as atrizes encantavam as crianças com contos que remetem à tradição oral. Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Câmara Cascudo foram alguns dos autores que tiveram suas histórias atualizadas na versão das narradoras. Ricardo Campinas Gonçalves, de seis anos de idade, abraça contente sua mãe, a Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Patrícia Campinas Gonçalves, que diz: "Quando você trabalha com o lúdico, as crianças desenvolvem mais a criatividade e interagem ainda mais com o mundo".

Na ponta dos pés, Danielle despertava a curiosidade dos estudantes: "E Pequetito se tornou um lindo, garboso e alto samurai". Depois dos aplausos, a professora de Educação Artística da Escola Estadual Afonso Schmidt, Laura Ribeiro, elogia o trabalho da companhia teatral: "De fato, a narrativa é um recurso ilimitado para a imaginação dos alunos". A atriz complementa: "O universo das histórias pertence às crianças. A história é o meio de chegarmos às nossas raízes, precisamos fazer essa continuidade oral chegar às futuras gerações".


Espetáculo - Olhos atentos, sorrisos no rosto, imaginação aberta e muitas gargalhadas. Foi assim que aproximadamente 50 crianças da UME Acre Cota 200 reagiram ao escutar histórias sentadas no chão de uma das salas da biblioteca municipal. Quem estava atrás ficou de joelhos para não perder nenhum movimento das meninas do conto.

Tambor, balafon, carrilhão, conduíte, prato, chapéu, avental, anel, entre outros instrumentos de percussão e adereços, encantaram ainda mais as narrações. Com um simples chapéu surgia um personagem, com um avental aparecia outro. E as crianças não paravam de rir, não só pelos contos, como também pela música, que era transformada em uma emocionante viagem. “Conta de novo”, disse uma aluna após ouvir a história “A Pequenininha”. Mas não só as crianças, os adultos também puderam relembrar sua infância. Prova disso foram as risadas que ressoavam nos corredores da biblioteca.

Nathalia Rodrigues Leonel, de seis anos, estudante do 1° ano do Ensino Fundamental, participou pela primeira vez de uma aula diferente: “Só a minha mãe me conta histórias, e foi muito legal ouvir outra pessoa. Senti medo e alegria simultaneamente”. Já para a Sofia Oliveira da Silva, de sete anos, além de sua mãe, só a professora contava histórias. “Elas fazem mágicas. Foi muito legal ouvi-as com os instrumentos”, afirmou a aluna do primeiro ano.

Ao final do espetáculo, levantando o braço e um pouco tímida, uma criança perguntou: “Vocês usam a imaginação?” A atriz Danielle respondeu: “Sim, com certeza. A gente pegou essas histórias dentro da biblioteca, por que a gente vai embora, mas as histórias ficam”. Baseado em contos literários, Histórias Daqui e de Lá tem direção de Simone Grande, cenário e figurino de Luciana Bueno.

Educação pela fábula – “História é metade de quem ouve e metade de quem conta. E hoje, todos nós contamos histórias”, disse Danielle. Dilcelene de Souza de Aquino, uma das professoras das cinco turmas que estiveram na biblioteca, também acredita na educação pela fábula. “Foi maravilhoso. As duas associaram os sons com os contos. E foi dessa forma que elas incentivaram os professores a fazer essa didática na escola”, ressaltou.

As atrizes acreditam na educação emancipadora. “A criança aprende a história porque existem valores nela. A gente planta a sementinha e a tendência é sempre continuar. Todo mundo pode contar histórias”, explicou Danielle.

Chefe da Divisão de Bibliotecas e Arquivo Histórico de Cubatão, Welington Ribeiro Borges ressalta: "Esse momento tem a função de despertar o interesse das crianças de freqüentar a biblioteca e de desenvolver o hábito da leitura". O Programa Viagem Literária proporciona eventos artísticos mensais nas bibliotecas do Estado de São Paulo. Cubatão participa das programações desde a primeira edição, em 2008.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Biblioteca móvel leva leitura e cidadania às comunidades de Araxá

Criado há dez anos pela bibliotecária Maria Clara Fonseca, o projeto Embarque nas Letras disponibiliza um ônibus que circula diariamente os bairros da cidade mineira de Araxá, levando livros e serviços de informação utilitária.

Inaugurada em abril do 2000, a Biblioteca Móvel de Araxá percorre atualmente 24 bairros – visita em média de três bairros por dia – aos quais leva seu acervo com mais de 6.500 livros. Em cada bairro, permanece estacionado de duas a três horas, e retorna ao local a cada dez dias. “O maior número de empréstimos se destina ao público infanto-juvenil”, informa a Maria Clara Fonseca, ao destacar que o projeto, vinculado à Biblioteca Pública Municipal Viriato Correia, foi inspirado no Carro Biblioteca, do Centro de Extensão da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG.

Após a implantação do projeto e o acompanhamento dos quatro primeiros anos de funcionamento, a biblioteca móvel tornou-se objeto de pesquisa do mestrado de Maria Clara, intitulado “Biblioteca Pública: da extensão à ação cultural como prática de cidadania”. A pesquisa mostra a experiência de otimização da unidade móvel além da oferta de livros como principal fonte de informação.

Atualmente, o projeto está sendo reavaliado por uma equipe de profissionais do serviço de extensão e da pesquisa do o Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá), objetivando maior envolvimento dos estagiários e a implementação de novas ações. “O convênio entre Prefeitura Municipal de Araxá e o Uniaraxá está sendo renovado em julho de 2010, por um período de mais quatro anos. A expectativa é que, a partir do segundo semestre, possamos reiniciar uma nova etapa do projeto da biblioteca móvel”, informa.

Ampliação

Ao longo dos anos, o projeto conseguiu abrir novas perspectivas de serviços à comunidade. “A leitura e o empréstimo de livros deixaram de ser exclusivos, pois outros serviços essenciais à cidadania passaram a ser programados e oferecidos pelos estagiários, através da informação oral e utilitária, com o objetivo de esclarecer dúvidas, orientar e encaminhar o cidadão às fontes certas para a solução dos problemas do dia-a-dia”, diz Maria Clara.


Ela explica que o primeiro serviço disponibilizado na Biblioteca Móvel foi a Assistência Judiciária Gratuita do Uniaraxá, com a participação de alunos do curso de Direito. “Em seguida, outras instituições aderiram ao projeto, a exemplo da Agência da Previdência Social, do Sine-Araxá e do Procon. Sempre que solicitadas, essas instituições disponibilizam serviços e treinamentos aos estagiários para atuarem como agentes multiplicadores de informações nas comunidades mais distantes do centro da cidade”.

Atualmente, o projeto está sendo reavaliado por uma equipe de profissionais do serviço de extensão e da pesquisa do Centro Universitário Uniaraxá, objetivando maior envolvimento dos estagiários e a implementação de novas ações. “O convênio entre Prefeitura Municipal de Araxá e o Uniaraxá encontra-se em processo de renovação e a expectativa é que, a partir do segundo semestre, possamos iniciar uma nova etapa do projeto da biblioteca móvel”, informa.

Leitura é carro chefe

Maria Clara destaca que a leitura continua sendo o carro-chefe da Biblioteca Móvel, que leva consigo outros serviços essenciais à cidadania. “Como um importante equipamento cultural que há dez anos circula os bairros da cidade, o projeto contribui de forma significativa para a formação de cidadãos conscientes e participativos. A leitura é um instrumento fundamental para a ampliar o conhecimento e tomar o cidadão um conhecedor de seus direitos, tornando-o mais ativo na sociedade”, avalia.


Maria Clara pondera que a Biblioteca Pública, em sua sede fixa, atende na grande maioria pessoas letradas e que muitos não usufruem desses serviços por não possuírem um nível mínimo de letramento. “Mas é possível criar alternativas de acesso à informação que não está disponível nos livros. A informação oral e interpessoal é uma forma bastante eficaz, principalmente em atendimento a esse 'não público', que carece de maior esclarecimento e orientação nas suas necessidades básicas do dia a dia. Assim, ao oferecer outros meios de atendimento, a Biblioteca passa a ser um espaço de inclusão promovendo a cidadania de forma integral”, afirma.

E completa: “Da tradicional função de ir ao encontro da comunidade para levar a cultura e a educação, surge a necessidade de a Biblioteca Pública tornar-se mais útil socialmente. Para isso, é necessário que o serviço prestado fora de sua sede vá além da oferta de livros e exerça uma ação educativa na comunidade. Essa ação é um processo que envolve a comunicação entre pessoas e estabelece o diálogo”.

Maria Clara explica que o projeto atingido seus principais objetivos, que são: realizar trabalho em parceria com as instituições locais; organizar um serviço de informação utilitária na Biblioteca Móvel; evitar que o cidadão se desloque do seu bairro em busca de informações; descentralizar o posto de atendimento das agências centrais; capacitar estagiários e torná-los agentes multiplicadores de informação; levar o serviço de informação utilitária a todos os bairros da cidade; e criar na comunidade uma cultura informacional para o exercício da cidadania.

Além da Biblioteca Móvel, Maria Clara é responsável pela implantação de outros projetos, tais como a ampliação e melhoria da Biblioteca Pública Municipal de Araxá (1998) – Mudança de sede na “Casa do Poeta”; implantação da Seção Braille “Dona Nemen” (2001); reestruturação e infraestrutura da Biblioteca Pública Municipal de Araxá (2007); e Projeto de Acesso à Informação Digital (2008), os dois últimos em convênio com a Secretaria de Estado da Cultura.

“Agradeço ao CRB-6 pelo convite e pela oportunidade de divulgar o projeto da biblioteca móvel. Espero que a minha experiência possa servir a outras localidades. Assim como vários profissionais nos visitaram para implantar o projeto em suas cidades, podem surgir outros interessados, através da divulgação do Boletim do Conselho”, comenta Maria Clara, ao fornecer seu email para contato: clara@uniaraxa.edu.br.

Matéria publicada em 09/07/2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dissertação: Sueli Bortolin - A leitura literária nas bibliotecas Monteiro Lobato de São Paulo e Salvador

BORTOLIN, Sueli. A leitura literária nas bibliotecas Monteiro Lobato de São Paulo e Salvador. 2001. 233f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília.

RESUMO

As bibliotecas públicas infanto-juvenis são agências mediadoras da leitura; portanto, têm um importante papel a desempenhar na sociedade, em especial num país em desenvolvimento. Elas têm realizado cotidianamente inúmeras atividades no sentido de promover a leitura, porém observamos que nem tudo que se faz em nome da leitura, leva à leitura. Assim, esta pesquisa analisou as ações das Bibliotecas Monteiro Lobato de São Paulo e Salvador quanto à promoção de leitura. As informações para análise, foram obtidas por intermédio da literatura pertinente, e também de entrevistas in loco nas referidas bibliotecas. Após a coleta das informações cotejamos estes dados com os pareceres de especialistas em leitura e em bibliotecas infanto-juvenis quanto à eficácia e à pertinência das atividades para a promoção de leitura. Concluímos que as bibliotecas pesquisadas têm ações semelhantes quanto as atividades de promoção de leitura; demonstramos também que em ambas os funcionários não têm clareza de quais atividades realmente levam à leitura. Esperamos que este estudo, venha trazer subsídios a todos os que, de uma forma ou de outra, estejam envolvidos e/ou interessados na formação de leitores e na otimização do uso de bibliotecas e de seus respectivos acervos por meio das atividades culturais desenvolvidas.