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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Faz-de-conta para entender o mundo

Especialistas garantem: ouvir histórias desde a primeira infância estimula a criatividade, facilita o aprendizado e ajuda os pequenos a compreenderem o universo ao seu redor

Por Paula Desgualdo

Era uma vez um bebê que cresceu em meio a bruxas, castelos e fadas. Das letras, ainda estranhas aos seus olhos curiosos, nada conhecia. A ele, bastava sentir a magia na voz de quem narrasse uma fábula para mergulhar em um jogo de aventuras e descobertas. Assim como nos contos de fadas, essa é uma história com final feliz. É que, como você verá a seguir, estimular a imaginação dos pequenos ainda no berço pode ajudar, e muito, a desenvolver a sua criatividade e a compreensão que eles têm do mundo.

“A primeira leitura que a criança faz é a do rosto dos pais”, afirma Ivani Capelossa, idealizadora do projeto Biblioteca da Primeira Infância, do Instituto Brasil Leitor, em São Paulo. “O tom de voz, as expressões de alegria e espanto que eles demonstram ao ler e contar causos para os pequenos são o início de um longo caminho de aprendizado”, completa.

Por mais que a criança não consiga entender a história ou absorver todos os detalhes, ela aprende uma novidade toda vez que ouve um conto – principalmente se ele for repetido dezenas de vezes, como a meninada gosta. Nos primeiros contatos com as narrativas, sejam elas cantigas de ninar ou historietas, os bebês começam a trabalhar a memória e a capacidade de organizar informações. “Quando percebem que as histórias têm começo, meio e fim, eles estabelecem pela primeira vez a idéia de temporalidade”, exemplifica a pedagoga Eleusa Leardini, professora da Universidade São Francisco, no interior de São Paulo.

Segundo a especialista, que defendeu uma dissertação de mestrado justamente sobre contar histórias na educação infantil, a magia da literatura para pequenos não só desperta a curiosidade como também contribui para o desenvolvimento de aspectos sociais e cognitivos na infância. Ela defende, ainda, a idéia de que é preciso estabelecer uma relação com o livro desde os 6 meses – a partir do momento em que a criança consegue se sentar sozinha. “Bebês fazem uma pseudoleitura, ou seja, eles olham as imagens e criam a sua própria história”, diz.

Meninas e meninos mais novos têm uma capacidade de compreensão limitada. A ficção, nesse caso, é uma forma de conhecer e experimentar sensações que ainda não fazem parte do repertório infantil. “As crianças se projetam nas personagens e vivenciam alegria, medo, tristeza, saudade”, comenta Eleusa. Assim, os pequenos começam a moldar as suas reações diante das eventualidades que acontecem em sua própria vida. Reconhecem, por exemplo, que o medo do escuro de seu quarto é o mesmo que sentiram quando o lobo tentou devorar a menina Chapeuzinho Vermelho.

Além dos benefícios que as narrativas proporcionam para o desenvolvimento da criançada, não há como negar que elas são uma ferramenta e tanto para estreitar os laços de afetividade entre quem conta e quem ouve. “Ouvir e contar histórias é um tipo de amor muito especial”, resume a escritora carioca Ana Maria Machado. Isso porque narrador e ouvinte precisam estar atentos e totalmente entregues a essa atividade. “É um momento em que a criança se sente respeitada nas suas necessidades”, explica Alessandra Giordano, professora do curso Contar e Ouvir Histórias, do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Sem contar que, se os pequenos tomarem gosto pela ficção desde cedo, a chance de se tornarem leitores só aumenta. Caso exemplar é o da escritora paulista Lu Martinez, que narrava historinhas para o filho, Gabriel, enquanto ele ainda estava no acalento do útero. Depois que o menino nasceu, as seções de contação ficaram mais freqüentes e o garoto começou a pedir que a mãe repetisse as histórias do dia anterior. Por causa das exigências de Gabriel, Lu passou a registrar as ficções que inventava. Suas anotações renderam sete livros – três deles já foram publicados. “É na primeira infância que se formam futuros leitores”, afirma a pedagoga Creuza Soares, que implantou o projeto Meu Broto de Leitura no berçário municipal Mãe Cristina, em Marília, no interior de São Paulo. Este ano, Creuza inaugurou uma Bebeteca, que, aliás, ganhou o nome da escritora Lu Martinez.

sexta-feira, 5 de março de 2010

E você...lê para o seu bebê?


Eliana Ceia
Consultora educacional

Ao lhe colocarem esta questão, muito possivelmente, em vez de uma resposta, irá deparar-se com uma outra questão... Mas se os bebês não podem aprender a ler, por que razão devemos dar e ler livros aos bebês? De facto, não é algo assim tão despropositado e a resposta não é assim tão complexa. Simplesmente porque ler não é fácil, e porque para se aprender uma tarefa difícil é preciso ter vontade de aprender e praticar muito. Devemos dar livros aos bebés para criar a curiosidade e o desejo de saber o que dizem os livros. O bebê aprende a falar porque ouve as outras pessoas a falarem. Para aprender a ler é necessário que veja e ouça as outras pessoas a lerem.

Estudos recentes (cf. Raikes, H. (2006). Child Development. News release, Society for Research in Child Development) mostram que os bebês recém-nascidos, com apenas alguns dias, são receptivos à leitura. A investigação evidencia também uma associação positiva entre a leitura aos mais novos, logo desde cedo na infância e, mais tarde, um bom desempenho escolar das crianças. As vantagens são muitas...

· A leitura cria uma ligação entre os pais e o bebê;
· Promove a aquisição de capacidades linguísticas e de escrita;
· Melhora a compreensão linguística;
· Promove o desenvolvimento cognitivo;
· Os sons e ritmos das histórias contadas e encenadas são importantes e reconfortantes para os bebês.

Através da leitura os mais novos têm acesso a um mundo de experiências, ajudando-os a serem leitores assíduos mais tarde. E porque não começar logo nos primeiros dias de vida?

Uma leitura breve, de apenas alguns minutos, estabelecendo uma rotina diária. O tempo de leitura poderá aumentar em função da maior capacidade de concentração da criança.

E... onde? Quando..? Não importa o local, ou a altura do dia: de manhã, à tarde, antes da sesta ou ao anoitecer... no consultório, à espera do pediatra, no jardim mas, sobretudo, em casa. Comentar as imagens e, mais tarde, fazer perguntas sobre o texto e as ilustrações é também bastante positivo.


Os livros cartonados com folhas robustas proporcionam aos mais novos o descobrir de uma nova atividade: folhear. Estes poderão ser o ponto de partida para as primeiras histórias, depois em livros de todas as dimensões e texturas (e alguns até com aromas) as palavras e frases vão-se tornando mais densas e complexas à medida que a atenção aumenta.

As bibliotecas são um excelente recurso para os pais: nelas encontram não só uma grande variedade de livros dedicados aos mais novos, mas também várias iniciativas de promoção da leitura, em alguns casos dirigidas em exclusivo a famílias. Também algumas livrarias dispõem de espaços onde os mais novos podem experimentar os livros.

Uma pequena biblioteca destinada apenas aos livros infantis poderá começar a ser construída ainda antes do nascimento do bebê. As crianças aprendem a ler com mais facilidade quando têm ao seu dispor materiais de leitura e oportunidades para os explorar. Ter livros em casa, ver os adultos a ler durante os tempos livres e ir à biblioteca é uma boa receita para o sucesso.

Aprender a ler e a escrever, tal como tudo, leva o seu tempo. Quem aprende necessita da ajuda de outros e de tempo para treinar. À medida que se vai aprendendo, a necessidade de ajuda tende a desaparecer e a criança fica mais autônoma e independente.

Fonte: Cnoti

Leitura: a melhor opção para seu filho

Danielle Cassiano
Era uma vez... Essas três palavrinhas mágicas têm o poder de criar mundos e despertar a imaginação de pequenos ao lerem ou ouvirem muitas histórias infantis. A partir disso, castelos e princesas vão surgindo, lobos-maus e vovozinha também trazem o cenário e a fantasia para a vida de cada pequenino com a ajuda de seus personagens.

É por meio do incentivo a leitura desde a infância, que as crianças podem começar a construir sua própria personalidade, pois além de ser uma atividade divertida, o enredo das historias traz para os leitores mirins conceitos sobre o certo e o errado e o bem e o mal - na maioria das vezes através da conduta dos personagens apresentados.

Larissa Oliveira, de dez anos, é uma leitora assídua de livrinhos de coleções bíblicas em casa e afirma que adora ler “principalmente as histórias da Bíblia”, e que na escola quando a professora pede para ler um texto, fica treinando bastante pra ler melhor.

A criança que pratica o hábito da leitura desde cedo desenvolve mais rápido o senso critico, a auto confiança, e adquire maior facilidade em entender o mundo que a cerca, da mesma forma que no aspecto estudantil a dicção é mais bem trabalhada à medida que este hábito é feito com freqüência.

São inúmeras as vantagens do incentivo a leitura para as crianças, no entanto essa iniciativa tem maior eficácia quando começa em casa. Os pais tornam-se parte essencial para que este método de melhoria na vida dos filhos dê bons frutos a médio e longo prazo.

Pais que estimulam a leitura ensinam os filhos a reconhecerem e se habituarem ao ambiente em que vivem e a desenvolverem atitudes que os influenciarão até a vida adulta. Em alguns casos, esse interesse é o reflexo do que se tem em casa, por isso, é necessário que os pais viabilizem o acesso dos pequenos herdeiros a todo material de leitura tais como revistas e livros.

Para a mãe de Larissa, Adenalia Nascimento Oliveira, ler é muito importante. “Eu sempre incentivei minha filha a ler e mesmo quando ela era menor, a presenteava com livros de gravuras coloridas. Acho importante, porque além de ser fundamental para ela agora em seu desenvolvimento escolar, antes ela já se familiarizava com as cores e desenhos”.

Para a mãe de Larissa, Adenalia Nascimento Oliveira, ler é muito importante. “Eu sempre incentivei minha filha a ler e mesmo quando ela era menor, a presenteava com livros de gravuras coloridas. Acho importante, porque além de ser fundamental para ela agora em seu desenvolvimento escolar, antes ela já se familiarizava com as cores e desenhos”.
A interação da familia na hora da leitura é
muito importante, além de divertida

Segundo Noelice Francisca de Sousa, coordenadora de uma escola de Ensino Fundamental na Região do ABC, para que a perfeita alfabetização infantil aconteça na vida de uma criança, é necessário existir um trabalho em “equipe. “A relação dos pais, com os educadores e também com os métodos de ensino que a escola adota tem que andar em harmonia para que desenvolvimento criança seja contínuo”, explica.

 Atualmente, com a ajuda de mecanismos tecnológicos e até mesmo com novas ferramentas didáticas, as escolas têm percebido um grande avanço quanto ao interesse dos alunos pela leitura durante o período em que estão na escola. A coordenadora nos fala ainda sobre a concorrência que existe entre a prática da leitura e outras mídias como a televisão e a internet, e acrescenta que “a concorrência é mais intensa a partir da pré-adolescência. Na Educação Infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental, vemos a criança como um leitor em potencial, que é atraído pelas ilustrações e as cores dos livros”.

Recreação

Apesar da possibilidade que a idade das crianças tem de contribuir como fator decisivo pelo interesse pela leitura, existem hoje métodos e ferramentas que vem sendo exploradas para estimular o interesse dos baixinhos pelo fantástico mundo da leitura.
Muitas bibliotecas e livrarias atualmente dispõem de um cantinho exclusivo para o completo entretenimento e informação das crianças enquanto estão utilizando suas dependências. Michele Carvalho trabalha em uma livraria no centro no centro da cidade de São Paulo há três anos e desde então é a responsável pela diversão no Cantinho da Leitura, que funciona todas as tardes dentro da livraria.

Michele conta sobre o dia a dia em seu trabalho e a realização profissional. “Desde que comecei a trabalhar nesse segmento me satisfaço a cada dia. A programação é feita de acordo com a vontade das crianças, têm dias que só leio historias e todos parecem extasiados com o destino dos personagens, em outros, trabalho com fantoches, DVDs e musiquinhas”.

O apoio de materiais diversificados para atrair a atenção dos meninos e meninas é um grande aliado, de acordo com Michele. “É interessante surpreendê-los para não cair na rotina ou tornar o assunto maçante ou cansativo, por isso sempre faço atividades variadas, ora narrando historias, ora cantando ou ouvindo alguma história em DVD. Acredito que a minha participação nessa parte dá a liberdade de expressão para eles na maioria das vezes”.

A criatividade é convidada especial quando o assunto é leitura de historias infantis, como explica a professora de Educação Infantil, Gabriela Pereira “O tempo que tenho com meus alunos é bem  equeno, então preciso de criatividade para aproveitar a energia deles durante as aulas. Por isso, na hora da leitura deixo-os bem a vontade para opinar sobre o que quem ouvir, ou como preferem, as historinhas”.

Sobre os materiais de leitura a professora ainda completa: “é preciso dinamizar, atualmente temos um material vasto nesse assunto, então eu utilizo além dos livrinhos tradicionais que não podem faltar, CDs de historinhas e músicas. Livros em alto relevo também são bem interessantes, no final é tudo muito divertido até pra mim”

Com a leitura de importantes clássicos, como o Sítio do Picapau
Amarelo, de Monteiro Lobato, as crianças podem
conhecer melhor o mundo da escrita

O incentivo a leitura, e a inclusão das crianças no mundo lúdico das histórias e brincadeiras infantis, têm atingido proporções maiores com o passar do tempo.

Bebeteca

Com um novo olhar destinado a educação infantil, pretende-se que principalmente as creches não sejam apenas mais um lugar em que as crianças são deixadas pelos pais ao irem trabalhar, mas que tenham a preocupação de entreter os bebês e crianças até três anos de idade de diferentes formas e com um caráter educacional. Muitas bebetecas estão sendo implantadas também em algumas escolas de Ensino Infantil.

É na bebeteca, que são proporcionadas as primeiras experiências sensoriais em que os estímulos afetivos tornam-se essenciais para que a criança estabeleça com o livro uma relação de prazer e o veja como objeto de sua rotina.

Em países como a Colômbia, Espanha e Chile, são uma febre. Já no Brasil esse projeto está surgindo timidamente. Esse trabalho além de apresentar reflexões sobre aspectos como o desenvolvimento infantil e a integração dos pais nesse período, define o perfil dos usuários das bebetecas.

A interação do Educador ultrapassa as atividades de elaboração e organização de atividades. Para que o envolvimento dos pequenos nas bebetecas seja realmente proveitoso, é preciso que haja um empenho permanente de todos envolvidos em tornar os resultados obtidos durante o período em que ficam na bebeteca.

Questionada sobre a importância de uma bebeteca, a psicóloga Claudia de Sousa explica que “quanto mais cedo a criança ou o bebê, no caso, tiver contato com elementos lúdicos ou algo que o inspire e aguce a sua curiosidade, mais rápido ele vai absorver informações importantes para entender as coisas que acontecem ao seu redor e se situar mais rápido também”.

Bibliotecas para bebês: Livros estimulam os sentidos e despertam o gosto dos pequenos pela leitura e pela escrita

Os sons e as palavras estão presentes desde a remota infância. Mais do que isso: precedem nossa entrada no mundo. Antes de nascer, já estamos imersos no universo da linguagem: fazemos parte de uma história, plena de significados a serem descobertos e construídos simbolicamente. O recém-nascido, antes mesmo de enxergar com clareza o ambiente, responde com o corpo e com vocalizações à fala prosódica dos adultos que dele cuidam e aos ruídos ao seu redor. Cantigas, histórias, cores e texturas são fundamentais nesse processo – estímulos necessários ao desenvolvimento cognitivo, que se inicia no cérebro e se completa nas interações com o meio, numa fina articulação dos sentidos com a memória, a atenção, o raciocínio, as representações e a linguagem.

Um instrumento que começa a ser utilizado agora no Brasil, para aprimorar esse processo e ainda despertar o gosto futuro pela escrita e leitura, são as bibliotecas para bebês e crianças em idade pré-escolar, também conhecidas como bebetecas. Algumas experiências já estão sendo realizadas com sucesso em escolas públicas e particulares. O Centro Municipal de Educação Infantil Cavalinho de Pau, na cidade de Castro, Paraná, é pioneiro nessa iniciativa, atendendo cerca de 130 crianças com idade entre zero e 5 anos, em uma perspectiva de desenvolvimento global. Para isso, a escola disponibiliza aos pequenos e ávidos “leitores” não apenas livros que exploram os sentidos e a imaginação, mas também bonecos, jogos e vídeos. As mães podem participar, contando história aos filhos. Experiências semelhantes têm sido feitas no Centro de Educação Infantil Hilca Piazero Schnaider, em Blumenau, Santa Catarina; e no Colégio Objetivo, de Sorocaba, São Paulo.

Hoje se sabe que desde muito cedo os bebês já se lembram de coisas e comparam suas características. Aos 7 meses, conseguem diferenciar classes de objetos; aos 9, têm um aumento considerável no tempo de retenção na memória de informações ligadas a eventos; e aos 18 são capazes de compreender as figuras apenas na representação de algo real. Por tudo isso, eles têm muito a se beneficiar com projetos como esse, que visa estimular o desenvolvimento da memória, da linguagem oral e escrita, do raciocínio, da capacidade de concentração, bem como promover interações sociais. Mais informações: Boletim PNLL no 104, 19 a 25/5/2008, ou no site http://www.vivaleitura.com.br/

Fonte: Mente & Cérebro

Crianças que ouvem histórias aprendem dois meses antes

Por Mariana de Araújo Barbosa

Mais de dois meses de avanço. As crianças a quem os pais lêem histórias aprendem dois meses mais cedo que as outras. Na altura em que entram para a escola primária, aprender a ler, a escrever e a fazer contas é mais fácil. Segundo um estudo britânico feito a 19 mil bebés e cujos primeiros resultados foram conhecidos ontem, as crianças que ouvem histórias contadas pelos pais aprendem mais depressa e com maior facilidade, não só a ler e a escrever, mas também a contar e a fazer operações matemáticas.

"Os pais devem ler às crianças porque isso lhes desenvolve o cérebro e o raciocínio. Deve ser incentivado - mas nunca uma obrigação", explica ao i o psiquiatra Daniel Sampaio.

Os investigadores do Millennium Cohort Study começaram a seguir crianças inglesas nascidas no início do século xxi com o objectivo de estabelecer um "perfil" de caracterização da geração pós-viragem do século. Os primeiros resultados divulgados referem-se a 2006 e 2007, altura em que as crianças que participam no estudo tinham cinco anos.

"O potencial máximo de aprendizagem do cérebro acontece até aos seis anos. Está provado do ponto de vista neurológico. O que fazemos até essa altura é vital: se o estímulo for o correcto, potencia as capacidades", defende a psicoterapeuta Rita Ribeiro. A especialista conta ao i que a leitura, quando feita de "forma adequada à faixa etária, potencia as sinapses" - movimentos cerebrais relacionados com a comunicação entre neurónios. "Quanto mais cedo for introduzida de forma lúdica, melhor. Aumenta a capacidade de comunicar, melhora o vocabulário da criança e potencia a criatividade e a imaginação. E ainda a probabilidade de a criança vir a tornar-se uma boa leitora", fundamenta.

A ideia de que ler às crianças é benéfico para o desenvolvimento e para a aprendizagem é um dos fundamentos do Plano Nacional de Leitura. Numa biblioteca de crianças deve haver livros "o mais variados possível", com temas como "medos" ou que lhes permitam conhecer outras realidades, "para não corrermos riscos de criar crianças alheadas do mundo e que pensam que os ovos vêm do supermercado", acrescenta.

Andar também conta Mas aprender não é só ouvir histórias. O estudo conclui também que os bebés que andam mais cedo têm mais facilidade em aprender em idade escolar. Aos cinco anos nota-se nas raparigas uma maior criatividade.

Os resultados obtidos pelos britânicos indicam ainda que os rapazes têm uma desvantagem de mais de quatro meses em matéria de leitura em relação ao sexo oposto. "Por regra, as meninas falam melhor e mais cedo que os rapazes. E eles começam a andar antes delas", conta Rita Ribeiro. A psicoterapeuta acredita tratar-se de um factor cultural. "Os pais, por exemplo, têm brincadeiras muito mais físicas com os filhos rapazes", esclarece.

"Brincar é uma maneira equilibrada de crescer. Agora tendemos a querer que tudo aconteça demasiado rápido, mas o desenvolvimento humano é biológico, ou seja, acontece de acordo com uma tabela natural. O cérebro de um bebé tem o mesmo tamanho que tinha na Idade da Pedra, por isso tem as mesmas necessidades básicas que sempre teve", esclarece Sue Palmer, especialista em psicologia infantil e autora do livro "Toxic Childhood", ao i. A especialista acrescenta que a importância dos primeiros anos de vida já está estabelecida. "São preponderantes para o desenvolvimento do corpo e do cérebro. As experiências das crianças ao longo destes anos têm uma enorme influência não só no potencial que apresentam depois na escola, mas também na personalidade e no bem-estar geral", diz ao i. Essa preocupação, segundo Sue Palmer, passa por deixar as crianças experimentarem o mundo "segundo o seu próprio instinto", ainda que protegidas pelos adultos.

"A personalidade e o potencial constroem-se sobretudo nos primeiros meses de vida. Quanto mais amor, conversa, brincadeira e histórias um bebé tiver, maior o seu desenvolvimento", conclui Palmer.

Fonte: Ionline

Bebeteca de Goioere: Atividade vai ajudar no desenvolvimento educativo das crianças atendidas nas creches

Atividade vai ajudar no desenvolvimento educativo das crianças atendidas nas creches Dentro da nova proposta de trabalho para melhorar a qualidade da educação infantil no município, a Prefeitura Municipal de Goioerê adquiriu seis Bebetecas compostas com acervos específicos a serem utilizados para desenvolvimento de trabalhos educativos com as crianças. Com o novo olhar destinado à educação infantil, a administração do prefeito Beto Costa, está desenvolvendo ações para que os Centros Municipais Educacionais Infantis deixem de ser um local onde as crianças são ‘depositadas’ por um determinado período do dia, apenas para comer, dormir e assistir TV.

Segundo o prefeito o principal objetivo de se adquirir as Bebetecas para todos os Centros Educacionais Infantis é para que as crianças possam desenvolver atividades baseadas na proposta construtivista, buscando desenvolver sua capacidade de observar, descobrir e pensar, buscando sua integração através do desenvolvimento dos aspectos biológicos, psicológicos, intelectuais e sócio-culturais, preparando-as para a continuidade do processo educacional.A secretária de Educação Maria do Nascimento, esse projeto de Bebeteca será muito importante para ampliar o universo cultural das crianças que são atendidas pelo município. “Através dessa atividade as professoras vão iniciar a apresentação dos livros para que os alunos possam desenvolver o gosto e o prazer pela leitura compartilhada como forma de aprender, socializar-se e interagir”, citou.Ela explica que esse livro possui um conteúdo adequado para as crianças a partir de 2 anos de idade. “Todo material é baseado em imagens e formas diversas que vai promover a ampliação e desenvolvimento da linguagem oral, além de noções de causalidade, tempo e articulação de idéias”, frisou.

Ainda segundo a secretária para facilitar o trabalho das professoras também foi adquirida uma mesa com cadeirinhas adaptadas para as crianças desenvolveram as atividades com total segurança e conforto.

Fonte: Prefeitura de Goioere

Bebeteca: lugar de pequenos leitores - Atividades - Plano de trabalho

Objetivos
 Introduzir o hábito da leitura.

Ampliar o universo cultural.

Apresentar procedimentos de contato com os livros.

Desenvolver o gosto e o prazer pela leitura compartilhada como forma de aprender, socializar-se e interagir.

Conteúdos

Leitura de capas, textos e imagens dos livros.

Criação de repertório de textos e imagens.

Ampliação e desenvolvimento da linguagem oral.

Noções de causalidade e tempo. Articulação de idéias.

Ano
Creche.

Tempo estimado

Um mês para montar o espaço. As atividades devem ser permanentes, feitas diariamente durante 30 minutos ou enquanto durar o interesse da turma.

Materiais necessários

Livros de boa qualidade e adequados às características da faixa etária (exemplares de tecido ou plástico, de tamanhos variados, com dobraduras, de papel cartonado, com texturas etc.), estantes ou caixas baixas de fácil acesso, tapete, colcha ou tatame, cadeirinhas, bebê-conforto ou carrinho.

Organização da sala
Em roda.

Desenvolvimento

Comece a montagem da bebeteca selecionando os títulos. Dê preferência a histórias interessantes e que não emitam juízos de valor. Os enredos que apresentam objetos e personagens comuns do universo infantil como bolas, brinquedos e carros, entre outros e que transferem características humanas a animais e coisas costumam ser os prediletos. Fique atento também às ilustrações, pois elas ajudam a chamar a atenção para os livros e a contar o enredo. As figuras grandes, coloridas e bonitas aprimoram a percepção visual e ampliam o repertório de imagens.

Insira no acervo edições de diferentes tipos (de plástico ou tecido) e que inovem na forma (figuras em relevo, páginas com dobraduras ou com espaços de interação). É fundamental agregar gêneros diversos. Histórias que tenham apenas imagens agradam aos menores.

Pense também no espaço físico. Se não houver na creche uma sala própria para esse fim, procure instalar a bebeteca em um canto amplo e tranqüilo. Os livros devem estar sempre à disposição, mas é importante ter um lugar para que sejam guardados. Para isso, use estantes ou caixas de madeira, colocadas em altura própria para que todos alcancem os exemplares.

Decore a sala ou o canto com recursos adicionais como fantoches e móbiles. Para o chão, providencie tatames, colchas e tapetes em que todos possam se espalhar e ficar à vontade para devorar os livros.

Estabeleça um momento específico na rotina diária para as atividades da bebeteca. Nos primeiros encontros, apresente os materiais para as crianças, observando a forma como elas se relacionam com eles, as preferências individuais e o tempo que cada uma dedica à atividade.

Ensine a importância de cuidar bem do material e de preservá-lo.

Durante as atividades, ofereça a possibilidade de manusear os livros.

Leia com a garotada as imagens e os textos, apontando figuras e nomeando personagens. Para desenvolver a escuta atenta e favorecer a concentração de todos, capriche na entonação e no ritmo.

Não tenha receio de repetir a mesma trama mais de uma vez. Os que já sabem falar não se cansam de pedir as preferidas, e isso é importante para que apreendam a história e prestem atenção em detalhes diferentes a cada vez. Você pode ler um livro em várias sessões se ele estiver dividido em capítulos. Sempre que possível, amplie as situações: além de ler por prazer, a turma pode ser colocada em contato com outros propósitos, como o de ler para pesquisar (enciclopédias infantis, sites etc.), estudar e seguir instruções (receitas e manuais).

A leitura é apenas uma das formas de contato com os livros. Outras podem ser exploradas, como o teatro de fantoches, de dedos ou de sombras o flanelógrafo e músicas cantadas. Trabalhe com os personagens, as características e as falas particulares. Convide as crianças a ser os protagonistas nesses momentos. É uma forma de mostrarem as aprendizagens.

No decorrer do ano, diversifique a oferta de materiais ampliando o repertório de histórias. Promova vários momentos de intercâmbio com outros grupos para trocar conhecimentos e interagir.

Confeccione um cartaz em sala com imagens das capas dos livros para estimular a leitura.

Fotografe as atividades, compartilhando com o grupo e as famílias a experiência de contato com os livros. Aproveite algumas idas à bebeteca para promover a aproximação das famílias com a escola: convide pais e mães para ler para os filhos e seus colegas ou mesmo para ouvir as histórias que você conta.

Avaliação

Faça a avaliação do trabalho durante todo o processo, desde a montagem do espaço até as atividades propostas. Não hesite em alterar a ordem das etapas previstas ou os encaminhamentos planejados em função das necessidades dos bebês. Observe as crianças interagindo com os livros e o tempo que se mantêm concentradas. Um bom termômetro é quando elas começam a pedir para ouvir histórias. Muitas vão começar a deixar explícitos quais são os títulos prediletos, comentá-los e pedir para levá-los para casa. Anote as preferências do grupo. Sugira atividades específicas com elas para verificar a familiaridade com os enredos, personagens e imagens. Importante verificar se a turma tem comportamento leitor no manuseio das obras e na postura para escutá-los. Nessa faixa etária, a paciência e a perseverança são essenciais para um trabalho bem-sucedido.

Consultora: Daniela Pannuti
Orientadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo.

Fonte: Revista Escola

Bebeteca: lugar de pequenos leitores

Mesmo antes de saber falar, sentar ou segurar um livro, crianças da creche podem e devem manusear livros e ouvir histórias
Fabiana Faria

Todo mundo sabe que ler é um hábito adquirido ao longo da vida e que se deve introduzi-lo cedo. Quantas pessoas não têm gravada na memória uma bela história ouvida na infância? O escritor João Ubaldo Ribeiro conta na crônica Memórias de Livros que desde muito novo convivia com volumes variados espalhados pela casa. "A ponto de passar tempos infinitos com um deles aberto no colo, fingindo que estava lendo e, na verdade, se não me trai a vã memória, de certa forma lendo, porque quando havia figuras, eu inventava as histórias que elas ilustravam e, ao olhar para as letras, tinha a sensação de que entendia nelas o que inventara." Na autobiografia As Palavras, o filósofo francês Jean Paul Sartre (1905-1980) revela que a hora da leitura tinha o cheiro de sua mãe, sabão e água de colônia. Sentado numa pequena cadeira de frente para ela, o garoto entrava num universo de fadas, bruxas e criaturas esquisitas.
Foto: Peninha Machado
POUCO TEXTO: Livros com imagens grandes e
bem coloridas chamam a atenção dos bebês
Até algum tempo atrás, acreditava-se que nossa capacidade de representar o mundo só começava a se desenvolver por volta dos 2 anos. Hoje sabe-se que quanto mais cedo a leitura for introduzida na vida da criança, melhor. Isso faz com que ela amplie o vocabulário e passe a se expressar com mais desenvoltura. "As noções de causalidade e organização do tempo são aprendidas mais facilmente e, em médio prazo, isso ajuda a pessoa a ser mais falante e articulada", diz Daniela Panutti, orientadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo. Mas os benefícios não param por aí. Quem se relaciona permanentemente com livros faz mais associações, adquire um repertório maior de histórias, desenvolve a concentração, aprende a ouvir e aprimora a capacidade representativa e simbólica por meio da escrita e das imagens.
"Ler aumenta o contato com o mundo e com as experiências de vida possíveis para a faixa etária. Livro tem de ser considerado brinquedo", diz Silvana Augusto, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. É fácil perceber o desenvolvimento graças à leitura, pois textos e ilustrações são compreendidos como reproduções da realidade e do mundo simbólico. Silvana lembra o dia em que notou o interesse de uma menina de 1 ano pela imagem de uma árvore no outono. No pátio, ao ver folhas secas espalhadas pelo chão, a garota pegou uma e guardou dentro do livro. "As crianças estabelecem essas relações muito rapidamente. E isso não significa roubar a infância. Ao contrário, só aumenta a possibilidade de compreender o que acontece ao redor com mais propriedade."
Foto: Peninha Machado
LIVRE ESCOLHA: Opções de leitura variadas estimulam
o interesse pela literatura desde cedo
Quando o bebê ouve uma história e tenta repetir palavras, também está desenvolvendo as linguagens oral e escrita, mesmo que ainda não saiba falar. Ler para as turmas de creche e pré-escola requer rotina, livros variados e atraentes e um espaço bem planejado. O ideal é que isso seja feito diariamente, respeitando os limites de tempo do grupo para não cansar nem dispersar ninguém.

Acervo especial

No CMEI Cavalinho de Pau, em Castro, a 160 quilômetros de Curitiba, há um espaço especialmente montado para os bebês: a bebeteca. O diferencial está no acervo, voltado para a faixa dos menores de 3 anos, e na disposição de recursos adicionais, como fantoches e móbiles. "É uma maratona dar conta de tanta energia e planejar todas as possibilidades de exploração que o trabalho permite", explica Márcia Maria King, coordenadora da bebeteca. A atividade não ultrapassa 15 minutos por turno. Mariana Senhorini, bibliotecária de Londrina, a 380 quilômetros de Curitiba, adverte que o espaço físico e os outros recursos ajudam o educador, mas o importante mesmo é o livro. "Não há fórmula para explorar o faz-de-conta literário. Conhecer o interesse da turma e auxiliar na representação das histórias no faz-de-conta são as principais coordenadas", afirma.
Por enquanto, bebetecas são raras no Brasil. A chave é ampliar o cantinho de leitura. No CEI Hilca Piazero Schnaider, em Blumenau, a 139 quilômetros de Florianópolis, muitas almofadas e edredons forram o chão para deixar o ambiente aconchegante. As estantes baixinhas são um convite irresistível à leitura. A proposta funciona porque a equipe docente tem um projeto para garantir a aprendizagem. "Poderia ser apenas mais um trabalho, mas virou um espaço especial de convivência e conhecimento", conta a diretora, Maria Estela Pitz.
Foto: Marcelo Almeida
HORA DA LEITURA A atividade deve ocorrer diariamente,
durante o tempo em que houver interesse
Toda semana, ela se reúne com os professores para discutir os lançamentos e a função das imagens. A equipe dá atenção à fundamentação teórica sobre a importância da leitura no desenvolvimento humano. Tudo para encontrar os títulos que não tenham lições de moral, personagens estereotipados e diálogos preconceituosos. Em ambas as escolas, as famílias são informadas sobre as histórias selecionadas para que elas acompanhem o desenvolvimento da leitura da garotada. Proporcionar o empréstimo de livros é uma maneira de estabelecer uma convivência saudável entre pais e filhos. "Quem gosta de ler vai além dos momentos planejados. Bom mesmo é ver os pequenos com um livro na mão, seja em casa, seja na escola, e com uma história pronta para ser contada", avalia Márcia Maria, da escola Cavalinho de Pau.
Quer saber mais?
CONTATOS
CEI Hilca Piazero Schnaider, R. Mariana Bronemann, 353, 89036-080, Blumenau, SC, tel. (47) 3329-0395
CMEI Cavalinho de Pau, R. Antônio Menarim, s/nº, 84172-390, Castro, PR, tel. (42) 3906-2156
Daniela Pannuti
Mariana Senhorini

Fonte: Revista Escola

segunda-feira, 1 de março de 2010

Comentários sobre o pré-leitor e a educação do ato de ler

[Janeiro/2010]
Autor: Adriano Messias

Introdução

Tem-se, desde algum tempo, o costume de dividir em fases o desenvolvimento do leitor e existe uma interpenetração destas fases com as do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, de acordo com estudiosos da psicologia infantil. Costumamos encontrar as seguintes divisões: “pré-leitor” para o período que abrange a primeira infância (dos 15/18 meses aos 3 anos de idade) e a segunda infância (dos 2/3 anos até 6 anos); depois, surgem as fases do “leitor iniciante”, aos 6/7 anos, do “leitor em processo”, a partir dos 8/9 anos, do “leitor fluente”, a partir dos 10/11 anos, e, por fim, do “leitor crítico”, a partir dos 12/13 anos. Os estudiosos também costumam tornar estas fases interdependentes, as quais não podem ser “saltadas”, ou seja, uma se torna base para a outra. Estas divisões, obviamente, não são rígidas e dependem de vários fatores, dentre eles a maturidade cognitiva e emocional da criança e o ambiente no qual ela se insere.

Apesar de entendermos que estas fases têm uma finalidade didática e estruturalista, decidimos abordá-las neste artigo visando a oferecer um panorama que pode ser útil a educadores, professores diversos, bibliotecários e profissionais das ciências da informação.

Diversos estudos sociológicos já discutiram que o leitor infantil passa a ser considerado a partir dos séculos XVII e XVIII, grosso modo. Até então, acreditava-se, na Europa, que a criança era um ser à semelhança de um adulto em miniatura. Suas especificidades de desenvolvimento e maturidade não eram entendidas como hoje. Naqueles tempos, a partir do novo projeto social e econômico, os filhos da classe social que se fortalecera desde o fim de Idade Média – a chamada burguesia – se tornam alvo das preocupações educacionais e, só então, surge a perspectiva de um leitor ainda não adulto, para o qual deveriam desenvolver um mundo de literatura e referências bastante específico.

Foi naquele momento, juntamente com as escolas e com os métodos de ensino, que surgiram os chamados livros para crianças. Inicialmente, tratavam-se de obras adaptadas de livros para adultos ou de “contos populares” (contos de fadas, contos maravilhosos, fábulas, mitos e lendas). Havia os que também eram “encomendados” por instituições a determinados escritores, com o objetivo de ensinar “virtudes” e “comportamentos adequados” às crianças da nova classe dominante. Nascia a chamada literatura infantil que, nos séculos seguintes, cresceria e tomaria um espaço só para si – apesar de, historicamente, ter sido menos valorizada do que a considerada “literatura para adultos”.

Além do progresso social e econômico, as pesquisas na área das ciências humanas também colaboraram para que a leitura, os livros e a infância passassem a receber atenção mais ampla. O desenvolvimento da psicologia infantil contribuiu bastante para a reformulação do entendimento sobre a literatura na infância. Hoje, sabe-se que a leitura não começa e não deve começar somente na fase de alfabetização. Pelo contrário, o contato com os livros é bem-vindo sempre, desde o útero, quando a mãe pode ler em voz alta para o filho.

Os códigos que envolvem o ato de ler e o objeto livro podem ser descobertos muito cedo pela criança, tal a profusão de publicações para todas as faixas etárias e a precocidade com que os filhos de pais de classe média e alta são colocados em escolas maternais. Infelizmente, sabemos que boa parte da população ainda fica à mercê desta realidade.

Para estudiosos como Sigmund FREUD e Jean PIAGET, a base do desenvolvimento afetivo e da interpretação do mundo residiam na primeira e na segunda infância. Portanto, se os três primeiros anos de vida são fundamentais para o futuro do indivíduo, não podemos ignorar, justamente neste período, a extrema importância que os livros terão. O mau leitor pode nascer de experiências desagradáveis ou nulas nesta faixa etária.

A criança pequena e o livro - A criança sente uma curiosidade inata por tudo e, consequentemente, pelos livros. Porém, isso só se efetivará em sua vida se eles estiverem presentes em seu universo: na casa, na escola, nos passeios. O livro deve ser mostrado à criança como um brinquedo especial, como uma forma de descobrir o mundo. Esta abordagem tem se tornado cada vez mais necessária, de modo que vários programas de governo e de ONGs se preocupam em criar espaços em comunidades para que o livro seja acessível. Não apenas presentes, os livros infantis devem estar ao alcance das crianças, a uma altura manuseável por elas, e não no alto das prateleiras.

Leitura para bebês - Desde bebê, a criança pode ter contato com os livros e com a leitura. O ato de decodificar o livro tem relação direta com o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, da criatividade imaginativa e artística, do desenvolvimento da sensibilidade para o escutar e o olhar, e com a educação do ato de ler. É evidente que os bebês não entenderão a história, mas uma leitura em voz alta, com o adulto folheando o livro, é essencial para seu desenvolvimento global. Crianças de colo já são capazes de perceber que os adultos falam diferente ao contarem uma história. Elas começam a desconfiar que existe uma maneira de se falar quando se vai contar, pedir, oferecer, zangar. Elas notam que o ritmo e a emoção se alteram quando um personagem passa por uma dificuldade ou chega ao final feliz.

Os bebês também começam a perceber que existem “coisas” dentro dos livros além das imagens. Eles veem uma árvore, um ursinho de pelúcia, mas também percebem coisas que, mais tarde, saberão serem as letras que formam as palavras. Por conseguinte, em uma creche com berçário, as educadoras devem, sim!, ler para os bebês. Devem contar histórias com emoção, devem mostrar as imagens, devem deixar os bebês tocarem, cheirarem, sentirem o livro.

Além dos livros “indestrutíveis” para a hora do banho, para as idas ao parquinho, os educadores devem orientar a manipulação dos livros feita por crianças bem pequenas, deixando-as perceber que existem formas de se chegar ao livro, de estarem com ele, de se despedirem dele.

Como neste artigo, porém, nos interessa mais a criança a partir dos seus 18 meses, vamos abordar, nos parágrafos a seguir, como é a criança entre o 1º e o 6º ano de vida.

Entre 1 e 2 anos de vida – Nesta fase, a criança geralmente já anda sozinha, descobre seu ambiente e expressa seus desejos por gestos e por balbucios, ou mesmo por palavras completas. Ela começa a conquistar uma autonomia que exigirá estímulos, mas também limites. Não poderá subir em todos os lugares, nem comer o que quiser e quando quiser, tampouco derrubar, quebrar ou destruir objetos. As primeiras tentativas de se estabelecer o limite podem desencadear uma reação contrária da criança. É a birra ou pirraça, em que ela comumente costuma se jogar no chão, espernear e começar um choro monótono e, muitas vezes, sem lágrimas.

Como o mundo se abre repentinamente ao alcance de suas mãos – literalmente –, ela não tem paciência para ficar assentada na hora do almoço ou não quer dormir na hora devida. Isso mostra que o contato com os livros, neste momento, sofrerá também reflexos deste comportamento sem concentração. A criança pode manipular rapidamente o livro, para abandoná-lo em seguida e trocá-lo por outra coisa. Contudo, os pais e educadores podem estimular a sua relação com os livros, mostrando que eles têm sempre mais a revelar do que se supõe.

Nesta idade, as brincadeiras ainda são bastante egocêntricas. Quando em grupo, uma criança poderá brincar nas proximidades de outras crianças, mas a sociabilidade ainda é bastante inicial. Meninos e meninas podem até brincar do mesmo jogo ou atividade, mas cada um em seu mundo.

É aqui que surge também o período de imitação: imita-se o adulto, seu comportamento; surge o desejo de brincar de usar roupas e calçados de “gente grande”. Este é um dos termômetros para que se saiba que as maravilhosas portas do faz-de-conta estão abertas. A criança faz de conta que é o pai ou a mãe ao brincar de casinha e bonecas, faz de conta que está falando no celular, faz de conta que está passeando no bosque, faz de conta que está no castelo encantado.

Na primeira infância, o pré-leitor desenvolve sua relação com a leitura e os livros por meio da afetividade e dos sentidos. A responsabilidade do adulto “mediador da leitura” nesta fase é essencial para a forma como a criança se relacionará com os livros no futuro. Esse mediador geralmente é a mãe ou a professora da escola maternal, mas também pode ser o pai, os avós, um arte-educador, um amigo da família ou até mesmo um personagem apresentador de um programa educativo da TV. É este sujeito que mostra o livro à criança e faz com que ela se sinta atraída por este objeto. Desta forma, toda vez que a criança vir um livro, ela vai saber que de dentro sairão histórias. Ela saberá que existem imagens e também a possibilidade de tocá-las e descobri-las. Por isso, defendemos a ideia de que o livro tem de ser apresentado como um brinquedo especial, que tem a característica de desenrolar enredos, de encantar a imaginação e de embalar os sonhos.

Não podemos nos esquecer também que a criança é mais observadora do que pensamos. Com alguns meses de vida, ela já terá visto os adultos manipulando livros de papel e já saberá que tais objetos existem. A maneira como os adultos próximos lidam com os livros fará toda a diferença para a criança – que aprende muito pela imitação. Uma casa sem livros com certeza não será um bom exemplo em um lar em que se deseje filhos criativos e leitores felizes.

A manipulação do livro pela criança de até 3 anos - Até os três anos, a criança pega o livro de uma maneira mais bruta, sem muita coordenação motora e, quanto mais nova, mais levará aquele objeto à boca, como faz com qualquer outro. A influência da fase oral em seu desenvolvimento ainda determina parte desta atitude. Por isso, os livros que são deixados à manipulação da criança costumam ser de material não-rasgável, como livros emborrachados e de material plástico ou pano. Além de levá-los à boca e correr o risco de ingerir pedaços de papel com tinta, a criança costuma rasgar os livros feitos de papel.

Entre 3 e 5/6 anos de vida – Este é, em geral, um período de mais calmaria para os pais e educadores. A sociabilidade está em progresso e a criança depende menos dos seus responsáveis. A agitação do “pega tudo e derruba tudo” passou. O entendimento do uso de símbolos e de conceitos como idade, espaço, tempo, certo e errado, já se aprimora. Este é um período de compreensão muito maniqueísta do mundo, em que as situações, pessoas e bichos são vistos como totalmente bons ou totalmente ruins – não há meio termo. Nos contos de fadas, a fada é sempre boa, enquanto a bruxa é sempre malvada. O sapo é sempre feio, a não ser quando se transforma em príncipe. O lobo e a cobra são sempre perigosos. A criança não entende, neste período, que os personagens – assim como as pessoas e ela mesma – às vezes são legais, às vezes não, às vezes querem ajudar, às vezes não, e que atributos como a beleza e a feiura podem ser relativos e ter fundamentos culturais...

Nesta idade, a criança está completamente dentro de seu mundo mágico. É a doce fase da infância em que acreditamos em Papai Noel, em duendes, em fadinhas e em bicho-papão de uma forma mais imaginativa. Aqui também costumam aparecer amigos imaginários, pois a realidade e a fantasia frequentemente se confundem.

A manipulação do livro pela criança de 3 a 5/6 anos - Na segunda infância, a musculatura fina começa a amadurecer. A criança tem mais entendimento do que é o livro, de que não deve rasgá-lo e de que ele continuará à disposição sempre que desejá-lo. A linguagem e a sociabilidade estão mais aprimoradas e as rodas de leitura costumam ser uma excelente atividade.

Como são os livros voltados à primeira infância – Até os três anos de idade, a criança não deveria manusear livros de papel sozinha para não se ferir ou mesmo intoxicar. Quanto à temática, livros para esta faixa etária praticamente não têm texto escrito. Eles são imagéticos e versam em torno de situações comuns ao universo da criança: a hora do banho, a papinha, o brinquedo, o gatinho, a família... Junto aos enredos simples, o adulto deve levar à criança o sentimento que envolve cada imagem ou situação. As gravuras costumam ser grandes, com poucos elementos.

Como são os livros voltados à segunda infância – Nesta idade, a compreensão da criança está mais aprimorada e os enredos podem ser mais ricos e longos. A famosa “reiteração” ou “repetição” faz parte deste momento, quando a criança pede ao contador para repetir (quantas vezes ela sentir necessário) uma mesma história ou a exibição de um mesmo filme. O adulto não deve se preocupar com isso. Esta demanda por repetições faz parte da construção interna do mundo da criança. Ela se sente segura ao ouvir uma história cujos momentos principais já conhece de cor e salteado (o conhecido “conte outra vez”...). É aqui que a criança também entende melhor a estrutura narrativa: as histórias têm um início, um meio e um fim. O fim, nesta idade, quase sempre é positivo e estimulante. É o “e viveram felizes para sempre” e similares.

Os livros manuseados pelas crianças, porém, ainda devem ter o predomínio da imagem sobre a grafia, mas as gravuras já costumam ter mais elementos do que as da fase anterior.

Como esta é a idade dos porquês, a criança vai fazer muitas perguntas em torno de uma história e o adulto deve estar preparado para dar as respostas conforme for conveniente.

Nesta fase, a criança assimila muitos valores simbólicos que existem nas histórias. O adulto não deve se preocupar de forma alguma com aquilo que ele considera “violento” ou “agressivo” em um conto de fadas, por exemplo. A criança não será violentada ou agredida ao ouvir a história de um lobo que engole uma vovozinha. Isso é perfeitamente assimilável em seu mundo de faz-de-conta. Pelo contrário, a criança precisa da compreensão dessa “violência simbólica” para se fortalecer emocionalmente. Ela entende, à sua maneira, todos os elementos que existem em uma narrativa, vivenciando a morte, a dor, a separação, mas também a conquista, o amor e a amizade nas mais diferentes histórias.

Crianças de 3 a 6 anos respondem muito bem à “hora do conto”, que deve ser criada na escola ou em casa. Uma criança que ouve uma história antes de dormir tem o carinho e a socialização dos pais junto a um sono melhor e mais produtivo.

Conclusão – O ato de ler é algo que se educa. Assim como se educa o ato de se apreciar um quadro ou uma escultura dentro de um museu, ou mesmo as árvores de um jardim, educa-se a maneira de ler, a forma de se lidar com o livro. Educa-se, sobretudo, pela interferência do adulto e por seus exemplos na fase que é, para a criança, como já enfatizei, uma fase muitíssimo importante. Diríamos mesmo decisiva, pois a maneira como a criança entenderá o livro e as histórias, neste período, irá acompanhá-la pelo resto de sua vida.

Notas

1 - No século XIX, a teoria da evolução de Charles DARWIN teve reflexos em várias áreas, dentre elas a do desenvolvimento infantil. Inicialmente, o foco estava nas formas de a criança se adaptar ao ambiente e na influência das heranças dos pais em seu comportamento. Só em 1916 é que Lewis TERMAN criou o teste que passou a ser chamado “teste de Stanford–Binet”, voltado ao desenvolvimento intelectual infantil. Nos anos 20, Arnold GESELL estudou o comportamento infantil filmando o comportamento de crianças de diversas faixas etárias. Foi quando surgiram as primeiras abordagens do desenvolvimento intelectual, dividindo-o em etapas, como já tinham feito em relação ao desenvolvimento do corpo físico. Muitas contribuições ao entendimento da infância surgiram depois com renomados psicanalistas e filósofos, como Melanie KLEIN, Donald Woods WINNICOTT, Jacques LACAN, Gilles DELEUZE e Jacques DERRIDA, por exemplo. Alguns contribuíram de forma mais direta, outros, de forma mais indireta.

Adriano Messias - Escritor, tradutor e adaptador. Fez graduação em letras, jornalismo e concluiu mestrado em comunicação. Dentre seus livros voltados para crianças e jovens, estão: A Vaca Fotógrafa (Positivo), Que bicho está no verso? (Positivo), Telefante sem fio (Positivo); Histórias mal-assombradas em volta do fogão de lenha; Histórias mal-assombradas do tempo da escravidão, Histórias mal-assombradas de um espírito da floresta, Histórias mal-assombradas do Caminho Velho de São Paulo (Biruta), O Elefante Infante (da obra de Rudyard Kipling) (Musa), Antes de Colombo chegar/ Antes de la llegada de Colón (Alis), Minha tia faz doce no tacho (Cuca Fresca), 20 Histórias de Bichos do Brasil (Cuca Fresca), O mestre cuca fresca: receitas divertidas para gente feliz (Cuca Fresca). Contatos com o autor podem ser feitos pelo email: adrianoescritor@yahoo.com.br

Fonte: Blog do Autor: http://adrianomessiasescritor.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estimulando a leitura

Psicopedagoga Ana Cássia Maturano dá dicas para ocupar as crianças nas férias e, de quebra, formar pequenos leitores.

Mês de férias escolares, período em que a maioria das crianças, se não vai para uma colônia de férias, fica o dia inteiro em casa. Esse tempo ocioso é, quase sempre, gasto diante da TV. Segundo a psicopedagoga Ana Cássia Maturano, os pais poderiam usar o período das férias para criarem o hábito da leitura entre as crianças. “Além de ocupar a criança, o tempo é preenchido com uma atividade que desenvolve o intelecto”, afirma.

Com tantas atividades eletrônicas, opções multimídia de ensino e de divertimento, os livros são cada vez menos requisitados nas horas de lazer pelo público infantil. Contudo, como hábitos também são adquiridos por influência dos pais, as crianças podem aprender a gostar de ler a partir de atitudes simples. “A prática da leitura exige uma atitude ativa, permitindo o exercício da criatividade, da imaginação e da livre interpretação”, explica a especialista.

A psicopedagoga sugere, para fazer da leitura uma atividade prazerosa, que os pais desde cedo presenteiem os filhos com livros e levem os pequenos leitores a bibliotecas ou em eventos como a Bienal do Livro.Um bom começo é o próprio modelo dos pais, demonstrando prazer nessa atividade. Eles podem comentar com os filhos o que leram, buscar informações em material impresso e ler para e com as crianças num momento de prazer.

Ana Cássia explica que nunca a leitura pode ser aplicada como um castigo, para não tomar conotação indesejada, pois a criança pode associar esta atividade à punição. “Isso tolheria qualquer entusiasmo, pois tal prática adquiriria um valor negativo” afirma.

Um tipo de livro para cada idade

A leitura pode e deve ser estimulada na criança desde cedo. “A faixa etária é só um indicador”, ressalta a psicóloga. “Antes de mais nada, é necessário observar o desenvolvimento da criança para perceber o que é mais adequado a ela, pois quanto mais nova, maior deve ser a participação do adulto em atividades envolvendo livros”. Confira as dicas da psicóloga para o estímulo da leitura em cada faixa etária:

Entre um ano e meio e três anos: Nas crianças menores, Ana Cássia sugere incluir entre os brinquedos livros de papelão, plástico ou pano, contendo gravuras que permitirão a criança explorar o ambiente pelo tato e nomear os objetos.

Dos três aos seis anos: Aqui os livros só com imagens e enredos curtos são os mais indicados, já que as crianças utilizam atividades lúdicas no seu impulso de descobrir o mundo real e a linguagem nesta fase. “No material deve haver o predomínio absoluto das imagens, simples e de fácil comunicação visual, retratando histórias comuns relacionadas ao cotidiano da criança, que possam ter algum significado para ela”, explica Ana Cássia. “O enredo deve ser curto, contendo humor e mistério, com repetição dos elementos para a manutenção de sua atenção”. A participação do adulto é essencial, segundo a psicóloga, “enquanto leitor das situações apresentadas, permitindo à criança estabelecer uma conexão entre o mundo real e o mundo da palavra, que nomeia o real”. Ela alerta para a necessidade de o adulto tornar a leitura interessante e incluir a criança como um participante ativo, “fazendo-a interagir com a história por meio de perguntas, por exemplo, ou pedindo que reconte a ´estória´ numa outra situação”.

Dos seis aos oito anos: é nesta idade que a criança inicia o aprendizado formal da escrita. Segundo Ana Cássia, a atividade requer ainda o predomínio da imagem como ferramenta para ajudar a criança a entender o texto. Assim, as situações apresentadas devem ser simples, referir-se ao mundo maravilhoso ou cotidiano, com toques de humor e ter começo, meio e fim. Outra dica, segundo a especialista, é buscar histórias com personagens bem definidos quanto ao caráter, “para evitar que a criança se confunda quanto a esse aspecto”. Para uma melhor compreensão do texto nesta fase, ele deve ser breve, conter palavras de silabas simples, frases em ordem direta e elementos repetitivos. Os temas podem ser variados, mas um elemento sempre atrativo nesta etapa é o da inteligência vencendo a força. “Não se deve perder de vista que o pequeno leitor está se arriscando numa nova aventura, com muitos obstáculos a serem superados”, explica Ana Cássia. “Por essa razão, o incentivo carinhoso e compreensivo do adulto é fundamental nessa descoberta”.

Dos oito aos 10 anos: Nesta fase em que a criança já tem um domínio maior do mecanismo da leitura, Ana Cássia indica livros contendo imagens dentro de uma relação dinâmica entre o verbal e o visual, de modo a ampliar a compreensão do texto. As frases continuam simples, porém devem ser substituídas aos poucos por períodos compostos por coordenação. Com começo, meio e fim, as histórias preferencialmente devem contar com uma situação central, a ser resolvida com toques de humor e situações inesperadas, podendo ser reais ou fantásticas. “Mais uma vez o adulto assume papel importante, não só de incentivador da atividade, mas também no pós-leitura, funcionando como um suporte frente ás dificuldades”, explica a psicóloga.

Dos 10 aos 12 anos: Nesta idade, o leitor já domina o mecanismo da leitura, tem maior capacidade de concentração e abstração e é capaz de compreender o mundo expresso no livro. Os textos podem ser mais densos, maiores, com uma linguagem mais elaborada, sendo as imagens dispensáveis. Ana Cássia ressalta que há, nesta fase, uma grande atração por confronto de idéias, por heróis humanos que lutam por seus ideais, histórias de problemas cotidianos que impedem a realização do indivíduo ou histórias de amor, por elementos desafiadores da inteligência, num contexto realista ou maravilhoso. Há uma farta variedade de literatura para essa faixa de idade. Exemplos são contos, crônicas, novelas de aventuras ou sentimentais, mitos, lendas, ficção científica, policial, documentários, histórias de humor, de raças ou animais. E o adulto, qual função ocupa nessa empreitada? “Aqui o leitor já é um pré-adolescente, alguém que se sente muito forte e portanto dispensa a participação dos adultos, que podem assumir o papel de desafiados desse ser em ebulição”, ressalta a psicóloga.

A partir dos 12 anos: Nesta etapa encontra-se o leitor crítico que, por ter um pensamento mais reflexivo e dominar plenamente a leitura, é capaz de fazer uma reflexão mais profunda do texto a da realidade. O mercado editorial para essa faixa etária é bastante amplo. “Um adolescente que foi estimulado durante sua vida para o exercício da leitura, que freqüentou livrarias e bienais, de uma maneira positiva, não terá dificuldade em saber o que ler, não só por seus interesses, mas por já estar habituado a atividades do gênero”, resume Ana Cássia.

Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga pela USP, especializada em Problemas de Aprendizagem. É co-autora do livro Puericultura – Princípios e Práticas, onde aborda aspectos relacionados a ‘estimulação cultural da criança’.

Fonte: Guia do Bebê

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fraldas e livros

Julia Priolli novaescola@atleitor.com.br, colaborou Carol Salles

Acredite: não é perda de tempo ler para quem ainda nem aprendeu a falar. Conheça seis projetos voltados à primeira infância

Pequenos se divertem com livros-brinquedos na UME Doutor Luiz Lopes, em Santos, SP: projeto de leitura no berçário causou espanto no início, mas acabou sendo premiado. Quando a escritora de livros infantis Tatiana Belinky perguntou ao pediatra, nos idos de 1940, em que momento deveria começar a educar seu filho, então com 3 meses de vida, ouviu como resposta: "Você já está atrasada". Parece mera frase de efeito. O fato, porém, é que o doutor estava coberto de razão. Não há idade para dar início à educação de uma criança - e isso vale também para o incentivo à leitura.

Bebês podem até não entender todo o enredo de uma história, mas a leitura em voz alta os coloca em contato com outras dimensões das linguagens oral e escrita, que serão importantes em seu desenvolvimento. "Eles percebem que a fala do dia-a-dia é diferente daquela usada numa leitura, que tem cadência, ritmo e emoção. Entendem, por exemplo, que há um começo, um clímax e um desfecho", explica Fraulein Vidigal de Paula, doutora em Psicologia Escolar.
Especialistas acreditam que, para alguém se interessar por livros na vida adulta, é fundamental que a palavra escrita esteja ao seu alcance desde cedo. Ou seja: estimular a leitura dentro do berçário, com bebês que ainda nem aprenderam a falar, pode ser o caminho mais curto para a formação de um futuro leitor. "Manuseando um livro, eles são capazes de identificar a existência da grafia e passam a estabelecer uma relação direta com a linguagem escrita", afirma Fraulein. Pouco importa se a criança ainda não aprendeu a ler ou se o exemplar em questão é feito de papel, plástico ou tecido.

Eu recomendo

CLÁUDIA LEÃO, criadora do projeto Leitura no Berçário! Por Que Não?, de Santos, vencedor do prêmio Proler

"Para os bebês, a leitura de histórias que assustam é sempre boa sugestão. Os pequenos se entregam ao ritmo, à cadência e à entonação usadas pelo narrador. Melhor ainda se a criança já tiver capacidade de entender o enredo, ou pelo menos parte dele. Aí, ela se empolga de vez. Uma das figuras que mais provocam medo na primeira infância é o Lobo Mau, um clássico dos contos infantis. Por isso, todas as histórias com esse personagem são altamente recomendadas: Chapeuzinho Vermelho, Três Porquinhos, Pedro e o Lobo, entre outras. A Companhia Editora Nacional tem uma compilação belíssima de todos esses contos. E a obra é ilustrada por grandes artistas."

O GRANDE LIVRO DOS LOBOS, Vários autores, 120 págs., Companhia Editora Nacional, tel. (11) 2799-7799, 45 reais

É verdade que leitura para bebês pode assustar até professores. Foi o que descobriu a pedagoga Cláudia Leão, de Santos, no litoral de São Paulo. Em 2002, durante uma reunião com educadoras do berçário onde trabalhava, Cláudia propôs uma atividade de leitura. A idéia foi recebida com espanto e até um pouco de desdém. Mas Cláudia bateu o pé e, da sua teimosia, nasceu o projeto Leitura no Berçário! Por Que Não?. Àquela altura, a pedagoga não fazia idéia do que ainda estava por vir. Cinco anos mais tarde, em 2007, seu trabalho seria amplamente reconhecido e ela receberia um prêmio do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler).

"Manuseando o livro, os bebês são capazes de identificar a grafia e estabelecem uma relação direta com a linguagem escrita"

Para despertar a paixão pelos livros nos pequenos da UME Doutor Luiz Lopes, Cláudia usou uma estratégia muito simples: ela criou livros feitos de pano e feltro que têm, em todas as páginas, desenhos de bichos e fotos de cada um dos bebês, lado a lado, como se fossem personagens de uma história. Quando a criança se reconhece, ao virar uma página e encontrar a própria foto, ela se levanta e escolhe outro livro, trazendo-o de volta à roda de leitura para dar continuidade à brincadeira. "Mecanismos desse tipo levam-na a perceber que entre ela e o livro há uma distância mínima", diz Cláudia. Conforme crescem, tornam-se elas mesmas as contadoras de histórias.

Dicas de leitura

A CASA SONOLENTA, Audrey Wood, 32 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 20,90 reais

A ARCA DE NOÉ, Vinícius de Moraes, 64 págs., Ed. Cia. das Letras, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

MICO MANECO, Ana Maria Machado, 24 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 22,90 reais
EU GOSTO MUITO, Ruth Rocha e Dora Lorch, 16 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 17,90 reais
DE QUE COR VOCÊ É?, Corinne Albaut e Virginie Guérin, 12 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 49,90 reais

Leitura em família

São muitos os benefícios que o contato com livros, ainda na primeira infância, é capaz de proporcionar. Várias funções psicológicas podem ser desenvolvidas, entre elas a memória e a capacidade de estruturar as informações. A leitura em voz alta para uma criança de até 3 anos ajuda a despertar sua sensibilidade para diferentes formas da fala e ainda tem o efeito positivo sobre a chamada atenção seletiva - a capacidade de se desligar de outras fontes de estímulo, mantendo-se concentrada numa só atividade por períodos mais longos. Ler histórias também ajuda no desenvolvimento da noção de tempo. O bom e velho "era uma vez" carrega em si a idéia de algo que acontecia e já não acontece, apresentando à criança a existência do antes, do agora e do depois. "Com a prática da leitura, os bebês desenvolvem estruturas para a ordenar o mundo com base no critério de temporalidade", diz Fraulein Vidigal de Paula.
Na capital mineira, um projeto que estimula o envolvimento dos pais no incentivo à leitura tenta potencializar todas as vantagens que a proximidade com livros pode oferecer aos pequenos. E, assim como o Leitura no Berçário!, também vem colhendo bons resultados. Trata-se do Espaço de Ler, Direito de Todos, que foi implementado em nove creches e atende 950 crianças. Ele é mantido pelo Instituto C&A, que, por meio de seu programa Prazer em Ler, apóia iniciativas para a formação de leitores, com suporte do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Nas creches de Belo Horizonte, são realizadas mediações de leitura com as professoras e também com funcionários das lojas C&A, que participam como voluntários. A cada 15 dias, os próprios pais são convidados a ler histórias para toda a turma. Isso estimula os pequenos a levar livros para casa e continuar por lá a "brincadeira" de leitura com o resto da família.

Eu gostei

DAVID FELIPE GONÇALVES, 2 anos, ouviu muitas histórias no projeto Espaço de Ler, Direito de Todos
David gosta muito do livro Cadê Clarisse?, de Sônia Rosa. O motivo? As ilustrações são grandes e coloridas. "Ele não precisa entender as letras para entender a história", diz a mãe, Solange Cristina Gonçalves.

CADÊ CLARISSE?, Sônia Rosa, 18 págs., Ed. DCL, tel. (11) 3932-5222 , 16 reais

"Crianças, familiares e educadores participam ativamente do espaço das bibliotecas, coisa que não acontecia antes de implementarmos o projeto", diz Leandro Gomes, coordenador pedagógico da Creche Elizabeth Santos e integrante do conselho gestor do projeto. Outras atividades de incentivo à leitura são especialmente aguardadas pelos pequenos. Uma delas: eles podem escolher, entre vários livros colocados sobre a mesa, quais querem ler enquanto tomam lanche.
O Espaço de Ler, Direito de Todos é apenas um dos projetos que apostam na participação intensiva de pais e familiares para garantir o envolvimento das crianças com a leitura. Em Curitiba, outra iniciativa segue a mesma linha. Ela acontece na CEMEI Santa Izabel e tem por trás o Instituto Avisalá, de São Paulo, cujas principais ações se concentram na formação continuada de profissionais que trabalham com Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Dicas de leitura

TRAQUINAGENS E ESTRIPULIAS, Eva Furnari, 32 págs., Ed. Global, tel. (11) 3277-7999 , 18,50 reais

QUEM PEGOU O PÃO DA CASA DO JOÃO?, Bia Villela, 24 págs., Ed. Paulinas, tel. (11) 5081-9333 , 13,80 reais

QUEM TEM MEDO DE CACHORRO?, Ruth Rocha, 24 págs., Ed. Global, tel. (11) 3277-7999 , 21 reais

UM PASSEIO COM A NUVEM SOFIA, Nicoletta Costa, 10 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 39,50 reais

HISTORINHAS DE CONTAR, Natha Caputo e Sara Cone Bryant, 128 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 39,50 reais

HISTÓRIAS COM POESIA, ALGUNS BICHOS E CIA., Duda Machado, 32 págs., Ed. 34, tel. (11) 3816-6777 , 18 reais

A pedagoga Andréia Bonatto, que planejou a atividade, explica: "Toda sexta-feira, as crianças voltam para casa com uma sacolinha de pano. Dentro dela vai um livro, que elas mesmas escolheram, e um caderno, com um bilhete solicitando aos pais que façam a leitura com o filho. Na segunda-feira, os pequenos trazem consigo o livro lido e o caderninho, com anotações feitas pela família sobre a experiência do fim de semana. Então, a professora lê em voz alta o que foi escrito".

O resultado é que, muitas vezes, além de querer recontar a história para os colegas, as crianças também anseiam por compartilhar suas próprias impressões sobre a leitura - exatamente como feito por escrito, no caderno. "A atividade os fez tornarem-se ávidos contadores de histórias. Toda segunda-feira é uma farra, porque cada um quer contar primeiro aquilo que leu no fim de semana", diz Andréia.

"Toda sexta-feira, as crianças voltam para casa com uma sacolinha. Dentro vai um livro, que elas mesmas escolheram"

Dicas de leitura

BEM-TE-VI E OUTRAS POESIAS, Lalau, 32 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 17,50 reais

A CASA DOS RATINHOS, Marie-José Sacré, 8 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 42,50 reais

DUAS DÚZIAS DE COISINHAS À-TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ , Otávio Roth, 32 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 14,90 reais

O GRANDE RABANETE, Tatiana Belinky, 32 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-17-2002, 22,90 reais

FUTEBOL, TÊNIS... , Svjetlan Junakovic, 24 págs., Ed. Cosac Naify , tel. (11) 3218-1444 , 39 reais
A GIRAFA QUE COCORICAVA, Keith Faulkner, 12 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

Biblioteca-mirim

No primeiro ano de vida, o bebê aprende a chorar, comer, engatinhar... até andar. A velocidade da transformação é tamanha que, a cada semana, sua capacidade de compreender uma história muda completamente. É por isso que obras clássicas da literatura universal funcionam tão bem: por serem clássicos, são atemporais e emocionam sempre. Podem ser recontados inúmeras vezes, e é assim que os pequenos preferem. Eles gostam de se antecipar à página seguinte e contar o que vai acontecer naquela história. Por isso, ilustrações são especialmente importantes nos livros destinados à primeira infância. Nessa faixa etária, o texto é menos importante, pois as letras ainda não fazem sentido para a criança. O que realmente interessa são as formas e as imagens, além da expressão vocal e facial de quem lê para ela. Do mesmo modo que um bebê é capaz de dormir tranqüilamente ao som de uma doce canção de ninar, sem prestar atenção à letra, ele pode se emocionar escutando uma história que ainda não entende muito bem, só de prestar atenção na voz do contador.

Ao lidar com bebês ou crianças muito pequenas, descobre-se logo que qualquer atividade pedagógica tem prazo de validade. Se está vencida, é hora de mudar. Para driblar a dispersão natural, os momentos de leitura com pequenos de até 3 anos devem ser dinâmicos, com duração variável. Criatividade é a palavra de ordem. E um bom exemplo de abordagem criativa é o projeto Ler é Saber - Primeira Infância, idealizado por Ivani Capelossa, do Instituto Brasil Leitor.

"Entre uma diversão e outra, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os brinquedos. Não é o caso separá-los"

O projeto prevê a instalação de bibliotecas planejadas especialmente para crianças pequenas. Já existem 18 salas de leitura como essas em Centros de Educação Infantil espalhados pelo país. Dessas, nove concentram-se no município de Cubatão, a 57 quilômetros de São Paulo. Lá, quem manda são as crianças: as prateleiras são tão baixinhas que até um bebê, engatinhando, é capaz de alcançar os livros. Os móveis, também desenhados especialmente para o projeto, não têm quinas. O acervo de livros é composto por aproximadamente 400 títulos. Ainda assim, o espaço mais se parece com uma brinquedoteca, tamanha é a quantidade de outros objetos - entre fantoches, marionetes, bonecos e instrumentos musicais, dos mais variados. Tudo isso para tornar mais envolvente, dinâmica e fascinante a atividade de narração de histórias.
Entre uma diversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos. "Considero cada um daqueles objetos como parte do acervo da biblioteca", ela afirma. "Não é o caso de separá-los dos livros, pois eles estão relacionados. E uma educadora pode passar a tarde inteira desenvolvendo atividades com as crianças aqui, sem que a diversão se esgote."

Dicas de leitura

MEG, A GATINHA - MUDE A CENA!, Lara Jones, 10 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002 , 40,90 reais

OH!, Josse Goffin, 52 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3241-3677 , 39,40 reais

SEU SONINHO, CADÊ VOCÊ?, Virginie Guérin, 22 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

XXII!! 22 BRINCADEIRAS DE LINHAS E LETRAS, Léo Cunha, 32 págs., Ed. Paulinas, tel. (11) 5081-9333 , 18,50 reais

TAMBORIM DÁ SEU ESPETÁCULO, Virginie Guérin, 16 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 45 reais
BRASILEIRINHOS, Lalau, 32 págs., Ed. Cosac Naify, tel. (11) 3218-1444 , 33 reais

Muita imaginação

Nem sempre se pode contar com salas de leitura tão aparelhadas quanto as de Cubatão. E, nesses casos, simples fantoches, marionetes e fantasias são meios de convidar as crianças a participar da história. É assim, com poucos recursos mas muita imaginação, que as mediadoras da creche do Projeto Âncora desenvolvem nos pequenos o amor pelos livros. O projeto, sediado em Cotia, a 34 quilômetros de São Paulo, existe desde 1995, dando a crianças e adolescentes da região a oportunidade de conhecer livros de boa qualidade literária.
O contato com a palavra escrita é estimulado em uma atividade batizada Porto da Leitura, coordenada pelas pedagogas do projeto. Os mediadores são adolescentes atendidos pelo Âncora. Eles recebem capacitação em mediação de leitura pelo A Cor da Letra, uma entidade com sede em São Paulo que desenvolve e acompanha projetos de literatura, juventude, educação, cultura e saúde. E quem escuta as histórias são os bebês, estimulados com brincadeiras relacionadas aos livros escolhidos. Maria de Nazaré Almeida Filho, educadora do Projeto Âncora, revela o segredo do sucesso das histórias: "Vale a pena preparar o ambiente antes da leitura, apagar as luzes, utilizar um cenário... Assim, é mais fácil prender a atenção dos pequenos. Se conseguimos mantê-los atentos por 20 minutos, já é uma vitória".

Na Creche Vovô Juca, em São Paulo, essa dificuldade parece ter sido superada. A instituição, sem fins lucrativos, atende famílias da região do Jardim Taboão. Atuando como voluntários do projeto Ler, Conviver e Aprender, os alunos de Ensino Médio e pré-vestibular do Colégio Universitário Taboão, em Taboão da Serra, na região metropolitana da capital paulista, conseguem a proeza de manter atentos, por duas horas seguidas, os 15 bebês mantidos pela creche.

Pitada Literária

Borboletas rabo-de-andorinha

Coloridas
Labaredas
Feitas
De seda.

Borboletas
Não batem as asas
Só para mostrar
Sua beleza.
Borboletas
Aplaudem
A Natureza.

BRASILEIRINHOS, Lalau, Ed. Cosac Naify
Idéia do professor Mauro Chiavassa, a iniciativa recebeu o selo Escola Solidária em 2007, concedido pelo Instituto Faça Parte. Para envolver as crianças na atividade de contação de histórias, os jovens mediadores de leitura se preparam cuidadosamente: em encontros semanais, sempre acompanhados de um coordenador, eles decidem qual obra literária será objeto de trabalho com os pequenos. A partir daí, desenvolvem uma série de atividades relacionadas à história.

Ler é importante porque...

• Para a formação de bons leitores, é fundamental que as crianças com até 3 anos de idade apreciem e valorizem a escuta e a leitura de histórias desde pequenas.
• A criança cria o hábito de escutar histórias, valorizando o livro como fonte de conhecimento e entretenimento.
• A escuta de histórias na escola oportuniza momentos prazerosos em grupo, enriquece o imaginário, amplia o vocabulário, além de familiarizar a criança com a leitura, uma prática valorizada pela sociedade.

Dicas de leitura

CARNEIRINHO, CARNEIRÃO, Marie Hélène Gregoire, 8 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 41,90 reais

MILA MIMOSA, Camila Moody, 20 págs., Ed. DCL, tel. (11) 3932-5222 , 29,90 reais

TODO MUNDO VAI AO CIRCO, Gilles Eduar, 36 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 27 reais

Fonte: Revista Escola