sábado, 29 de maio de 2010

Leitura de ouvido ou Audiolivros: vamos falar da Universidade Falada

Recebi a sugestão de um leitor do nosso blog, a indicação do site da Universidade Falada. Aproveitem e divulguem...

No site da Universidade Falada existem vários títulos de audiolivros gratuitos. No texto abaixo a Universidade Falada explica o motivo de não colocar todo acervo gratuito.

Editora Alyá e a Universidade Falada

A Universidade Falada® (UNIFA) é uma iniciativa privada, e tem como objetivo difundir cultura pelo Brasil, distribuindo conteúdo em áudio.

No portal http://www.universidadefalada.com.br/  você encontrará um endereço eletrônico para uma áudio-teca. Uma gigantesca livraria de assuntos em áudio para você adquirir e escutar onde quiser. Todo o seu conteúdo e os direitos autorais pertencem a Editora Alyá, empresa criada exclusivamente para viabilizar este projeto.

O projeto Universidade Falada® pretende democratizar a cultura. Facilitar o acesso às grandes obras à população mais afastada dos grandes centros culturais do país.

Nossa missão é ajudar pessoas, oferecer conhecimento. Discutir temas velhos e novos, ensinar e filosofar. Agregar valor ao ser humano. É isso que nós editores, autores e palestrantes desejamos desta empreitada.

Nossos preços permitem que qualquer brasileiro com acesso a internet possa adquirir nossos produtos. Sem exceção.

Nos próximos anos devemos produzir centenas de áudio-livros, sempre pensando em levar cultura, informação e formação para você, seja onde estiver.

Os preços, como você verá, são muito baixos. Mas essa entrada de capital que deve sustentar o projeto. Acreditamos que a quantidade vendida seja tanta que ajude o projeto a crescer.

Assim ninguém precisa copiar ou piratear. Ninguém pode falar que não aprendeu filosofia porque não tinha condições, por exemplo. Lembre-se que sem essa venda, o projeto não se mantém.

Alguns cursos tradicionais que chegam a custar de R$ 200 a 700, podem aqui ser adquiridos por valores simbólicos de R$ 15 a 70.

Esperamos que você aproveite e, acima de tudo, adquiram o gosto da boa “leitura de ouvido”.

Divirta-se,
Dr. Cláudio Wulkan
Coordenador do Projeto Universidade Falada®

Vejam as diversas categorias de audilivros disponíveis:

• Infanto-Juvenil
• Animais de Estimação
• Artes
• Astrologia
• Astronomia
• Auto-Ajuda
• Biografias
• Cultura Geral
• Cursos de Idiomas
• Direito
• Educação
• Educação Infantil
• Empresas e Negócios
• Esportes
• Ficção
• Filhos
• Filosofia
• Finanças
• Gastronomia e Enologia
• Geopolítica
• História
• Humor
• Literatura
• Medicina
• Meteorologia
• Misticísmo
• Mitologia
• Música Clássica
• Peças de Teatro
• Psicologia
• Religião
• Teatro
• Turismo
• Yôga
• Informática
• Audiolivros para Vestibular
• Concursos e Prova OAB
• Concurso Público
• Preparatório para Prova da OAB
• Súmulas
• Audiolivros Grátis
• Audiolivros e Cursos Grátis-Inglês
• Cursos Grátis em Inglês
• Video Aulas Em Inglês Gratis

Leitura: "Ter acesso a biblioteca é fundamental", diz estudante

Jean Oliveira

O estudante de Direito Reginaldo Ananias Rodrigues, 42, de Araçatuba, é um dos freqüentadores assíduos da Biblioteca Municipal Rubens do Amaral, em Araçatuba. Ele diz que vai ao local com alguma frequência há vários anos, tanto para estudar sobre leis, quanto para se inteirar de outras disciplinas que são exigidas em concursos públicos.

"Ter acesso a biblioteca é fundamental. Aqui temos uma grande variedade de livros e um ambiente agradável. Acho que todas as cidades deveriam ter espaços como estes para garantir que as pessoas vão se informar."

IMPORTÂNCIA

O professor, coordenador do curso de Letras do Unitoledo e integrante da AAL (Academia Araçatubense de Letras) de Araçatuba, Tito Damazo, diz que os livros são essenciais para a formação da personalidade, do imaginário e de todas as questões humanísticas de uma pessoa, por isso o acesso a eles por meio das bibliotecas deve ser incentivado, sempre.

"E não importa se é livro impresso ou digital, desde que ele cumpra o papel de divulgador de informações." Damazo diz que as bibliotecas universitárias e de escolas complementam os serviços prestados pelos centros públicos de leitura. "A rede pública de ensino tem sido muito bem reforçada nos últimos dez anos em relação à oferta de obras literárias."

Para criar uma cidade de leitores

Jean Oliveira
Matéria publicada no Jornal Folha da Região de 26/05/2010

Araçatuba - "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." Esta frase, atribuída ao poeta, tradutor e jornalista brasileiro Mário Quintana (1906-1994), expressa o que muitos educadores e pensadores preconizam sobre os livros e outros materiais impressos, como os jornais. Uma das formas criadas pela sociedade moderna para democratizar o acesso a essas obras foram as bibliotecas públicas.

O 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, encomendado à FGV (Fundação Getúlio Vargas), mostra que, em 2009, 79% dos municípios brasileiros possuíam ao menos uma biblioteca aberta, o que corresponde a 4.763 bibliotecas em 4.413 municípios. O estado de São Paulo lidera o ranking regional e nacional em bibliotecas com acervo superior a 10 mil livros (51%). Dos 645 municípios do Estado, no entanto, 51 não têm centros gratuitos de leitura.

Na região, as maiores cidades possuem pelo menos um espaço público de empréstimo de livro.

Em Araçatuba, há a Biblioteca Municipal Rubens do Amaral, que fica na rua Armando Salles de Oliveira, s/n.

Seu funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 17h. Ela possui cerca de 62 mil títulos, sendo que 20 mil são de literatura infantil e o restante, coleções de livros didáticos, literários, enciclopédias e dicionários.

MELHORIAS
O secretário da Cultura de Araçatuba, Hélio Consolaro, revela que o município não adquire livros há cerca de 20 anos. O acervo tem sido renovado, segundo ele, por meio de doações.

"Apesar de na etimologia da palavra 'biblioteca' ter o sentido de depósito de livro, na concepção moderna uma biblioteca precisa ter muitos atrativos, ser interativa", afirma o secretário, que anuncia que as primeiras melhorias devem acontecer com uma verba de R$ 250 mil que o deputado estadual Vicente Cândido (PT) destinou, por meio de emenda parlamentar, para este fim.

A Secretaria da Cultura prevê destinação de R$ 80 mil para renovação do acervo e R$ 170 mil para reforma na infraestrutura, como adequação às normas de acessibilidade.

BAIRROS
Apesar de prever este investimento na biblioteca municipal, Araçatuba pode seguir o exemplo de outras cidades brasileiras que criaram programas de descentralização do acesso às obras literárias.

Em Uberlândia (MG), por exemplo, caixas de livros são levadas a lugares de fácil acesso em bairros distantes e também há o "Ônibus Biblioteca", que percorre toda a cidade.

De acordo com Consolaro, há um projeto de descentralização em fase de estudo para Araçatuba.

A previsão inicial é formar centros culturais com espaços reservados para leitura em diversos bairros.

Além de oferecer livros e periódicos, o projeto tem o objetivo de levar oficinas culturais à periferia. Não há data para que o programa seja instalado e comece a funcionar.

Universalização de bibliotecas incentivará leitura

BRASÍLIA - Foi publicada no Diário Oficial de hoje a Lei 12.244/10, que prevê a universalização das bibliotecas nas escolas públicas e privadas do País. O deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) foi o autor do projeto (PL 1831/03) que gerou a norma.

“Acredito que a lei terá sua implementação. A própria sociedade, os alunos e a comunidade escolar vão cobrar”, disse o deputado, em entrevista à Agência Câmara.

Pela nova legislação, todas as escolas públicas e privadas do País deverão ter, em até dez anos, bibliotecas com, pelo menos, um livro por aluno matriculado. A organização, a manutenção e o funcionamento dos acervos deverá ser feita por cada instituição.

De acordo com o censo escolar de 2008, feito pelo Ministério da Educação, 37% das 200 mil escolas de educação básica no País não possuem biblioteca. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ainda não possui uma tabela fechada com os dados sobre o levantamento de 2009.

Agência Câmara – Como o senhor espera que a universalização de bibliotecas possa contribuir para a vida dos estudantes e da sociedade em geral?
Lobbe Neto – Essa foi uma reivindicação do Conselho Federal de Biblioteconomia e do Conselho Regional de São Paulo para o incentivo a várias bibliotecas na rede educacional particular e pública. Teremos dez anos para implementação dessa rede com um mínimo de acervo necessário. Essa proposição é muito importante, vem ao encontro do incentivo à leitura e a projetos culturais e educacionais que precisamos implementar.

Agência Câmara – Em quanto tempo o senhor acredita que essa universalização seja realmente efetivada?
Lobbe Neto – Depende da eficácia e do gerenciamento de cada estado e município. Isso já tem um avanço significativo em várias escolas na parte de informática, com bibliotecas virtuais, e mesmo com seu acervo. Talvez o prazo de dez anos não seja necessário e tenhamos essas instalações até antes dessa data.

Agência Câmara – Quais os principais desafios para implementação dessa lei? Haverá fiscalização para execução da lei?

E caso as escolas não tenham um acervo em dez anos, haverá alguma medida a ser tomada?
Lobbe Neto – O principal desafio é a parte administrativa e de gerenciamento, de escola a escola, de estado a estado, de município a município. Precisamos garantir o incentivo através de programas dos governos federal e estaduais. A própria sociedade, os alunos e a comunidade escolar vão cobrar. Acredito que a lei terá sua implementação. Alguns municípios, dependendo da gestão, têm uma tendência a aprimorar um assunto ou outro. Com o incentivo da lei, os agentes políticos poderão fazer com que a demanda seja construída com os estudantes.

O senhor acredita que a lei poderá ser implementada no âmbito do Plano Nacional de Educação ou do Plano Nacional do Livro e da Leitura?
Lobbe Neto – Acredito que a lei poderá ser utilizada dentro de um desses programas para que ela seja implementada com maior eficácia.

Fonte: Jornal DCI

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Baú Literário Coopercitrus / Credicitrus

O que é?
Um baú de madeira todo decorado que carrega como tesouro bens de grande valor a toda a sociedade: livros infantis, de diferentes autores e temas variados. Esta é a forma que o Fundo de Investimento Social e Cultural Coopercitrus/Credicitrus (FISC) encontrou para incentivar o gosto pela leitura entre alunos de escolas públicas municipais e estaduais.
Objetivos
O Projeto “Baú Literário” tem como objetivo proporcionar o contato desses alunos com uma série de livros, por meio de atividades variadas e divertidas que possibilitem a reflexão e a tomada de decisão. Também visa oferecer às crianças oportunidades que  despertem o prazer de ler e o gosto pela leitura, fazendo-as descobrir caminhos para criar seus próprios textos, ampliando seu vocabulário e desenvolvendo suas habilidades de ouvir, falar, ler e escrever.
Através do “Baú Literário”, o FISC procura valorizar o hábito da leitura entre as crianças. Na verdade, não é o hábito de leitura que se busca, pois hábitos tendem a ser impostos e a imposição na educação, caminha, em geral, para a rejeição. O que se pretende é a formulação adequada de um gosto pela leitura, a partir dos primeiros anos de estudo.

Ações
Para estimular este gosto pela leitura, são distribuídos entre as escolas baús de madeira, decorados e pintados manualmente, com alças e rodas para facilitar o deslocamento na sala de aula.
O tesouro que estes baús carregam são 50 livros de diferentes autores e temas variados, que são lidos durante atividades variadas, como leituras individuais, rodas de leitura, leituras feitas pelos professores, leitura com o apoio de fantoches, entre outras.
EMEB “Prof. Stélio Machado Loureiro”, de Bebedouro, SP
Com visual atrativo, riqueza de conteúdo e atividades divertidas, os Baús Literários pretendem contribuir para a formação de cidadãos com gosto pela leitura, que vejam os livros como verdadeiros amigos para seu desenvolvimento.

Baú Literário” também visa a oferecer diferentes oportunidades que favoreçam o desenvolvimento do prazer de ler e do gosto pela leitura, fazendo o leitor descobrir caminhos que o levarão a criar seus próprios textos, além da aprendizagem para o desenvolvimento do vocabulário e das habilidades de ouvir, falar, ler e escrever.
Com a finalidade de estimular o gosto pela leitura, escolas municipais localizadas em 40 cidades onde a Coopercitrus e a Credicitrus têm filiais, receberam baús de madeira, decorados e pintados manualmente, com alças e rodas para facilitar o deslocamento na sala de aula.

Com esse baú, as crianças têm acesso a 100 livros de diferentes autores e temas variados, que são acessados através de leituras individuais, em rodas ou leituras feitas pelos professores, leitura com o apoio de fantoches, entre outras atividades desenvolvidas pelo projeto.

Com este projeto, o Fisc atendeu a 12.000 crianças com idade entre 6 e 11 anos. Foram entregues 40 baús, somando um total de 4.000 livros.

A escola é o espaço privilegiado para o encontro entre leitor e livro. Esse espaço deve ser, ao mesmo tempo, literário e orientador, trazendo condições de levar os alunos que estão em formação, ao mundo da cultura que caracteriza a sociedade à qual eles pertencem. E, isso tudo é realizado através do projeto “Baú Literário”.

Em Penápolis: Alunos aprendem a arte de contar histórias

Alunos do 1º e 2º Anos entram na Casa do Conto
para contar histórias aos outros colegas

Quem nunca se imaginou dentro das histórias contadas por nossos pais, cheias de aventura, romance, coragem e final feliz? Quando criança, a imaginação vai ainda mais longe, e esse mundo de fantasia começa a fazer parte do mundo real, despertando o interesse pela leitura e pelo conhecimento.

Na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Elza Nadai Silvino” os alunos dos 1º e 2º Anos estão dando “asas à imaginação” e passam a contar histórias de livros infantis para os outros colegas. O curioso, é que a maioria deles ainda não sabem ler nem escrever.

O projeto em questão é chamado de “Casa do faz de conta”, em que a criança escolhe o livro que deseja levar para casa e, junto com a família, a leitura é realizada. Ao voltar para a escola, o aluno reconta a história do livrinho para os seus colegas dentro da Casa do Conto, que é uma casinha de boneca toda colorida e repleta de livrinhos. Essa atividade é feita de forma espontânea pelas crianças. Somente aqueles que querem contar a história, entram na casinha e sem muito esforço, já estão cercado dos outros colegas que, em silêncio, sentam para ouvir uma boa história.

A iniciativa do projeto é da estagiária Ilma Aniceto Silva, que está cursando pedagogia. Ela conta que pensou nesse projeto como forma de envolver mais os pais de seus filhos em uma atividade simples e prazerosa: a leitura. E assim, as crianças também são estimuladas desde cedo a aprender ler e escrever.

A Casa do Conto tem feito tanto sucesso entre a garotada, que até mesmo durante os intervalos (recreio), os alunos se revezam dentro da casinha para contar a mais nova história.

A diretora da unidade, Vânia Aparecida Carrijo Fabretti, explica que os alunos mais velhos também participam de outro projeto de incentivo à leitura chamado “Bom leitor”, em que eles também levam para casa os livros da escola.

Para a diretora Vânia Fabretti, a leitura e a contação de história podem ser associadas a muitos benefícios para a criança. “Estão relacionadas ao cuidado afetivo, à construção da identidade, ao desenvolvimento da imaginação, à capacidade de ouvir o outro e à de se expressar”, elencou.

Já a coordenadora pedagógica, Sara Maria Novaes Almeida, destacou que com a leitura as crianças e os jovens encontram caminhos para crescer e se desenvolver na busca de soluções para suas inquietações e problemas de ordem intelectual, social, afetiva, ética e moral.

Fonte: Secretário de Comunicação – Prefeitura Municipal de Penápolis

Livrônibus de Penápolis: dando um bom exemplo...

Vamos assistir o trabalho desenvolvido pela Biblioteca Pública Municipal "Prof. Fausto Ribeiro de Barros", de Penápolis.

O Livrônibus leva a educação e cultura para os bairros penapolenses periféricos.

Parabéns à equipe do Livrônibus pelo trabalho desenvolvido.



Fonte: Biblioteca Pública Municipal de Penápolis ; Starnews23

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A leitura que transforma

Márcia Patrícia Barboza de Souza

RESUMO
Qual a importância do ato de ler? Que efeitos a leitura pode causar à vida de uma pessoa? A leitura deve ser um ato solitário ou compartilhado? Essas e outras questões se fazem presentes quando o assunto envolve a leitura em toda a sua dimensão. Assim, busco através das reflexões trazidas neste trabalho, respostas para tais questionamentos e também mostrar um breve panorama de difusão da leitura nos dias atuais, como vem sendo seu trabalho em sala de aula e a importância das rodas de leitura no processo de interação autor/leitor/texto e na construção de sentidos. O estudo apóia-se em autores como Freire (1988), Bakhtin (1992), Zilberman (2007) e Larrosa (2004).

Palavras-chave: leitura – interação - construção de sentidos

“Vamos fazer do Brasil um país de leitores”
O slogan fez parte de uma campanha de difusão da leitura no ano de 2002; foi divulgado em escolas através de cartazes (inclusive um deles transformado em quadro e colocado na biblioteca de minha escola). A crítica é: como formar leitores em um país marcado pela carência cultural e pela dificuldade econômica em adquirir livros? Pessimismos à parte, trabalhemos com os fatos. A realidade da leitura no Brasil mostra uma grande deficiência na formação de leitores; atualmente, em nosso país, há um número significativo de analfabetos funcionais – prova disso é o resultado do PISA/2000 e da PROVA BRASIL/2005, que apontaram o nível baixo dos alunos em interpretação textual, ou seja, alunos que lêem, mas não conseguem abstrair a mensagem do texto.

É certo que vários fatores colaboram para esse panorama: famílias de não leitores, custo alto dos exemplares, escassez de bibliotecas, acervos desatualizados e o papel da escola, em especial o do professor, no trabalho com a leitura em sala de aula. Este último, aliás, tem sido alvo de críticas de diversos autores, pois para muitos especialistas, a leitura vai mal porque a escola está mal. Em muitas não há o espaço privilegiado para se realizar a leitura: a biblioteca; quando há tal espaço, conta-se com acervos desatualizados e profissionais mal preparados ou inexistentes. Um fato triste deve ser registrado: quando o número de alunos não suporta o número de salas, em uma escola, apela-se para o espaço da biblioteca, transformando-a em sala de aula, excluindo-a do cenário escolar.

Ainda referindo-me à escola, constata-se uma maior preocupação em incentivar a leitura aos alunos da educação infantil e séries iniciais com cantinhos da leitura, hora do conto, etc, o que é muito válido, pois é através dos primeiros contatos que a criança pode se inserir no mundo fantástico da leitura e daí vai, aos poucos, descobrindo outras leituras e se tornando um sujeito leitor. No entanto, verifica-se que todo esse trabalho de inserção ao mundo da leitura prazerosa se esvai do 5º ano em diante, quando os professores começam a adotar como atividades fichamentos de leitura, tornando o ato de ler meramente obrigatório, com histórias muitas vezes desinteressantes para os alunos.

Considerando que, em muitos casos, o livro didático é o único instrumento usado para a leitura e que a escola seja o único espaço de contato com a leitura, esta deve viabilizar um trabalho pedagógico apresentando a diversidade de gêneros discursivos existentes, bem como seus objetivos. Deverá também oferecer condições para que seus alunos despertem para o gosto e o compromisso da leitura, mostrando a eles o caráter desafiador do ato de ler. Assim, despertando-os para uma leitura crítica do escrito.

O papel de mediador desempenhado por nós professores não é tarefa fácil, aliás, esse trabalho não deve ser tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, em todas as disciplinas ele deve ser desenvolvido. A função de cada um de nós, professores e professoras, independente da área curricular, é promover a leitura de textos que devam ser aprofundados para que todos vivenciem o encantamento da descoberta de sentidos trazido pela leitura, dialogando com a realidade e formando para a cidadania. Seguindo o pensamento de Paulo Freire (1988), quanto mais um povo se torna consciente de sua história, mais facilmente perceberá as dificuldades socioeconômicas e culturais da realidade em que vivemos e, conseqüentemente, estará apto para o enfrentamento e a libertação.

Segundo Jorge Werthein (2007) – representante da UNESCO no Brasil de julho/1996 a setembro/2005 – é nesse contexto que se encaixa o sentido pedagógico da leitura – o saber ler – ler para garantir a autonomia intelectual, considerando a escola o lócus para a aquisição dessa leitura crítica. Mas, para que isso se estabeleça, é necessário que o professor também seja um leitor.

De acordo com Zilberman (2007), raramente a escola provoca lembranças prazerosas de leitura em seus alunos; com atividades pedagógicas entediantes, a leitura parece ficar “do lado de fora” porque os professores não a incorporam ao universo do ensino.

Novamente o professor, essa figura tão marcada! Mais uma vez a culpa recai sobre ele, mas é importante destacar que algumas condições adversas o impedem de ser um leitor: baixos salários que levam a um trabalho em dois ou até três turnos, com funções concomitantes, não lhes sobrando tempo para ler, e muitas vezes sem dinheiro para adquirir livros. Daí seu trabalho é cercado de fragmentação e improvisação do ensino da leitura na sala de aula. A isso se acrescenta outros fatores que ultrapassam a competência do professor e podem impedir um efetivo trabalho de leitura na escola: grande número de pessoas que nem chegam aos bancos escolares, alto índice de evasão e repetência, além de precária infra-estrutura e pouca ou nenhuma participação da família na formação do aluno-leitor.

Espaços de leitura
É fato considerar a escola o principal lugar disseminador da leitura, bem como o espaço das bibliotecas que, representam um número pequeno em relação aos habitantes (de acordo com dados do Ministério da Educação e Cultura - MEC há 4000 bibliotecas públicas para cada 40.000 habitantes, enquanto a recomendação da UNESCO é que se tenha 1 biblioteca para cada 12.000 habitantes), possui acervos desatualizados e está distante das camadas populares.

Porém, outros lugares já são vistos como espaços de leitura: parques, hospitais, penitenciárias, sindicatos, igrejas, centros comunitários e a nossa própria casa. Há de se considerar também projetos inovadores como o ‘trem-biblioteca’, no sul do país e os ‘bibliobarcos’ na Amazônia e Rio São Francisco.

Programas de incentivo à leitura freqüentemente ‘invadem’ o cenário da escola. São programas que distribuem livros às crianças, como o ‘Literatura em minha casa’(2007), numa tentativa de levar a leitura à casa dos estudantes, numa forma de democratizar o acesso à leitura. Segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (2007), o Brasil consome em média cerca de 2,3 livros por pessoa (incluindo os livros didáticos distribuídos pelo MEC), enquanto a média de países desenvolvidos é de 6 a 10 livros anualmente, sendo a maior parte do material adquirido em bancas de jornal. Outros projetos como o ‘Programa Nacional de Biblioteca na Escola’(oferecendo material de apoio a alunos e professores de escolas públicas) e o ‘Pró-leitura na formação do professor’ (ação conjunta entre MEC e França) são exemplos de iniciativas que fomentam a leitura em nosso país. Devem-se registrar também programas com o apoio de instituições como a Petrobrás (Leia Brasil), o Banco do Brasil (Rodas de Leitura) e da Volkswagem (Formação de Mediadores de Leitura).

Programas de formação para mediadores de leitura são de suma importância, já que proporcionam orientação para realização de rodas de leitura e servem para fomentar a cultura e a valorização da leitura na escola e em outros espaços da comunidade. Tais programas são realizados com o objetivo de difundir a leitura a partir da convivência em um ambiente letrado, contando inclusive com o financiamento de empresas, num sistema de parcerias. Atualmente, devido ao avanço da tecnologia, pode-se ver a disponibilização de livros na Internet, alguns com acesso gratuito, outros de acesso restrito, no entanto ambos apresentam mais uma forma de universalizar a leitura.

As Rodas de Leitura
A memória me remete ao tempo de infância, quando lia meus livrinhos (os quais guardo até hoje em uma estante) várias vezes até decorar toda a historinha. Fazia isso por prazer, porque gostava de olhar as figuras e já saber o que estava escrito. Mais adiante me lembro da adolescência, na verdade nem me lembro dos livros que li nessa fase, sei que os lia na escola, junto com outros colegas, em voz alta para todos acompanharem. Depois preenchíamos uma folha com algumas perguntas sobre o livro e só. ‘Só’ no sentido ambíguo da palavra. A leitura pode ser esse equívoco: atividades sem reflexão, somente obrigação em cumprir tarefas ou muitas vezes alguém sozinho, mergulhado nos escritos, concentrado no silêncio do ato de ler. Porém, ela não deve ser vista somente como característica solitária, ao contrário, a companhia de alguém pode ser bem estimulante, pode gerar conflitos de opiniões em uma discussão harmoniosa, sendo uma mesma história percebida através de ângulos diferentes.

Dessa forma os grupos de leitura apresentam características positivas e oportunizam momentos de encontros e reflexão, e fazem com que possamos conhecer melhor o outro, assim como aponta Larrosa (2004) essa é uma das transformações que a leitura pode proporcionar. É interessante destacar que nesse trabalho coletivo e interativo com a leitura podem ser discutidos textos literários, filosóficos, científicos, teológicos, dependendo dos interesses dos grupos. As rodas de leitura trabalham com o ato de ler em sua essência: ler com prazer, ler para entender o escrito, ler para introduzir-se no mundo imaginário e trazê-lo à realidade, numa espécie de descoberta com a verdade. Assim, não se pode negar que a leitura em grupo amplia e ordena nossos conhecimentos.

A literatura nos mostra que as rodas de leitura contribuem de forma significativa na formação de novos leitores, melhoram a participação, o espírito crítico, a atenção e a criatividade do sujeito. O objetivo das rodas de leitura é compreender a essência do escrito num processo dialógico da linguagem, assim como aponta Bakhtin (1992). A leitura implica construção de sentidos, pois não se resume apenas em decodificar a mensagem, mas também absorver os múltiplos sentidos que ela proporciona.

Por isso é imprescindível que o leitor compartilhe dos sentidos do autor e seja capaz de construir os seus próprios. Sentidos estes construídos no momento de interação que acontece entre texto e leitor, daí a importância que este tem em reunir seus conhecimentos sobre os gêneros discursivos para ser capaz de formular sentido nessa interação com o autor.

Nas rodas de leitura é importante considerar a colaboração sem que haja a competição, pois uma vez que o objetivo do grupo seja constituir uma troca, a presença de alguém que queira se tornar o ‘dono da palavra’ pode inibir os demais participantes e assim não permitir a interação. Para que isso não aconteça, o leitor-guia deve ser experiente e promover a igualdade de participação.

As rodas de leitura se caracterizam por seu perfil de ‘compartilhamento’, no qual os participantes se reúnem em torno de um leitor-guia. Além disso, devem oferecer um ambiente favorável ao grupo, com um número médio de freqüentadores, apresentando assuntos diversificados ou estudos aprofundados de um mesmo tema; também devem ser considerados o tempo e a intertextualidade, todos critérios que auxiliam na ampliação dos horizontes de leitura pelos não-iniciados.

Reafirmando o pensamento de Yunes (1999, p.21), “ler em círculo não é novo: novo é o uso do círculo para aproximar os leitores na troca de suas interpretações”.

Texto e leitor – interação e identificação
A interação texto/leitor pode provocar no indivíduo uma identificação com seu íntimo, muitas vezes, revelando-se a si mesmo.

A comunicação é essencial na vida do ser humano e especificamente na comunicação escrita a possibilidade do diálogo imediato não se torna possível devido ao tempo em que o texto foi produzido e sua recepção pelo leitor. Daí a necessidade de se construir sentidos por parte desse leitor, estabelecendo uma dinâmica de interação com o texto, de modo a transformar o entendido e transformar-se a si mesmo. Assim como aponta Freire (1988), “a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou ‘reescrevê-lo’, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente’.

Lemos em diferentes situações do nosso cotidiano; lemos para colher informações, para adquirir conhecimentos, para desenvolver atividade do dia-a-dia, para escrever, lemos pelo simples fato de ler, lemos... Portanto, a função social que a leitura desempenha alcança uma dimensão que nos faz desenvolver habilidades cognitivas e nos leva ao domínio de diferentes competências. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (1997) propõem que sejam oferecidas práticas de leitura que propiciem a reflexão e levem o leitor à construção desses sentidos.

A leitura não pode ser vista apenas como um processo de decodificação, mas como um processo dialógico marcado pela polissemia trazida pelo texto. Ela representa uma soma. Ler é compartilhar sentimentos, é dividir conhecimentos, é somar-se.

Considerações finais
Historicamente a construção de conhecimentos ficou a cargo das escolas, e a leitura foi sendo substituída por aulas expositivas, resumos de obras, fragmentos de textos, levando o leitor a ler pela imposição e não por prazer.

Entretanto, por tudo o que já foi exposto, é fato constatar que a leitura pode gerar seres humanos conscientes, curiosos e críticos. Também pode se tornar um instrumento de conquista de liberdade para o homem, quando amplia a visão de mundo, gera transformação, compreende o cotidiano, tira da alienação. Ao ser incorporada, a leitura pode promover a construção de conhecimentos, a formação da cidadania, e um novo estilo de vida; seguindo o pensamento de Larrosa (2004) a leitura traz um outro olhar do mundo (talvez para alguns isso cause uma profunda tristeza por reconhecer e indignar-se, sem poder para mudar a realidade).

Vejo nos círculos de leitura ou qualquer outro projeto de difusão da leitura, um espaço, um modo de propiciar ao indivíduo a oportunidade de sair de sua situação de ‘oprimido’ (remetendo a Paulo Freire) e (inter) agir na sociedade na qual está inserido.
Todos esses fatores acabam por contribuir na formação da identidade do leitor. Fazendo uma analogia com o ‘mito da caverna’, a leitura é a luz que dá a compreensão do mundo.


Referências bibliográficas
BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
Boletim Unesco News. Jorge Werthein deixa UNESCO no Brasil após uma década de sucesso. Brasília, n. 116, 8 set. 2005 (Edição especial). Disponível em: http://www.unesco.org.br/noticias/unesconews/#. Acesso em: 10 ago 2007.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, 1997.
CÂMARA BRASILEIRA DE LEITURA. Disponível em http://www.cbl.org.br/. Acesso em 10 ago 2007.
DAUSTER, T. Espaços de Sociabilidade: ouvindo escritores e editores sobre a formação do leitor e políticas públicas de leitura no final do séc. XX. Disponível em http://www.leiabrasil.org.br/. Acesso em 10 ago 2007.
DEBUS, E. S. D. Vamos fazer do Brasil um país de leitores: em busca do tempo perdido...e dos livros também!!, Disponível em: http://www.dobrasdaleitura.com/revisao/%20pnbe2002ed.html . Acesso em 12 ago 2007.
FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 22ª ed., São Paulo: Cortez, 1988.
GARCIA, P.B. Oralidade, escrita e memória: experiências com rodas de leitura e “conversas de rua”. Disponível em www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2006. Acesso em 12 ago 2007.
LARROSA, J. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. Tradução de Alfredo Veiga-Neto. 4ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004, p.97-146.
PAÍS DE LEITORES. Revista Cidades do Brasil, 36ª ed., nov/2002. Disponível em: http://cidadesdobrasil.com.br/cgicn/news.cgi?cl=099105100097100101098114&arecod=17&newcod=124. Acesso em 10 ago 2007.
VAMOS FAZER DO BRASIL UM PAÍS DE LEITORES. Disponível em: www.moderna.com.br. Acesso em 12 ago 2007.
WERTHEIN, J. A UNESCO e a formação do leitor. Disponível em http://www.leiabrasil.org.br/. Acesso em 10 ago 2007.
YUNES, Eliana. Círculos de Leitura – teorizando a prática. In: Leitura: teoria e prática. ano 18, jun/1999, n. 28, Campinas: Mercado Aberto/ABL, p.17-21.
ZILBERMAN, R. Disponível em http://www.leiabrasil.org.br/. Acesso em 10 ago 2007.

Instituto Ecofuturo: uma OSCIP que luta pela democratização da leitura

 
O Instituto Ecofuturo é uma organização não governamental criada em 1999 e qualificada como Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Sua mantenedora é a Suzano Papel e Celulose.

Temos como missão gerar e difundir conhecimento e práticas que contribuam para a construção coletiva de uma cultura de sustentabilidade junto a indivíduos e grupos sociais.

Atuamos em parceria com empresas, poder público, ONGs, institutos de pesquisa e universidades nas áreas de educação e meio-ambiente.

Entendendo o acesso ao conhecimento como ação transformadora, implementa projetos pontuais baseados em modelos replicáveis. Assim, o Instituto Ecofuturo contribui de forma concreta para a emancipação dos indivíduos e das comunidades, a solução de problemas ambientais, a redução das desigualdades sociais e da probreza.
Acreditamos que a Educação e a Cultura são instrumentos indispensáveis para que as pessoas sejam capazes de compreender, criticar e melhorar a vida. É por meio da Educação que o Homem obtém acesso à palavra e, a partir dela, acessa todos os conhecimentos necessários para atuar de maneira consciente, autônoma e sintonizada com a promoção do desenvolvimento sustentável.

Conheça em detalhes os projetos do Instituto Ecofuturo:

Projetos do Programa Ler é Preciso:



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RECONHECIMENTOS E PREMIAÇÕES:

Projeto Social de Destaque (Categoria Cultura), do Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa - 2002
Prêmio ECO (Categoria Estratégia de Atuação Social), da AMCHAM - Câmara Americana de Comércio - 2003
Prêmio LIF edição V (Categoria Educação), da Câmara de Comércio França-Brasil - 2006

Mais informações>>>

Futuro digital está aí. Precisamos agir já

Juergen Boos é presidente da Frankfurter Buchmesse. Nesta entrevista à Panorama, fala da importância do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, em São Paulo, da parceria com a CBL e da transição vivida pela indústria editorial

Por Celso Kinjô e Márcia Negromonte

A Feira de Frankfurt firmou tradição como o maior encontro editorial do mundo. Realizado pela primeira vez em 1949, reuniu, na virada dos sessenta anos, mais de 7 mil expositores de todo o planeta. A Câmara Brasileira do Livro, com apoio da ApexBrasil, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, SNEL e Fundação Biblioteca Nacional, organizou a participação de nossas editoras. E foi na feira do ano passado que CBL e Frankfurter Buchmesse celebraram um acordo de cooperação, que terá seu primeiro grande resultado em março, com a realização, em São Paulo, do 1º Congresso Internacional do Livro Digital. A instituição alemã está encarregada do programa internacional do evento.

Nesta entrevista à PANORAMA EDITORIAL, o presidente da Frankfurter Buchmesse, Juergen Boos, faz uma avaliação do atual momento vivido pela área editorial, especialmente com o lançamento de novos modelos de leitores eletrônicos ao mercado.

PANORAMA EDITORIAL – Qual a sua expectativa sobre o 1º Congresso Internacional do Livro Digital, primeiro evento da parceria CBL/Feira de Frankfurt?
Presidente Juergen Boos: O objetivo da Frankfurter Buchmesse, ao levar especialistas internacionais a São Paulo, no final de março, é o de proporcionar às editoras brasileiras alguns insights que envolvem as discussões atuais sobre digitalização. Gostaríamos de criar conexões entre os participantes da conferência e os especialistas convidados e, ao fazer isso, conhecer melhor o mercado brasileiro de livros.

Como avalia a parceria, nas ações em prol da indústria do livro?
A Frankfurter Buchmesse tem a tarefa de apoiar a indústria do livro mundialmente através de sua rede e atividades de treinamento avançado. A conferência “Um Passo a Frente – Publicação Digital Hoje e Amanhã” é, na verdade, o segundo projeto que realizamos em parceria com a CBL. O primeiro passo foi uma viagem de jornalistas internacionais da área de livros e literatura, em setembro de 2009, a São Paulo, com o objetivo de atrair a atenção da indústria do livro internacional para o mercado brasileiro. Estamos conversando com a CBL sobre projetos adicionais.

Que mensagem o Sr. teria para as editoras brasileiras, em torno da polêmica entre o livro convencional de papel e o livro digital? Serão eles inimigos mortais ou serão capazes de uma convivência lado a lado nas próximas gerações?
Ainda estamos essencialmente nos primeiros estágios de um novo empreendimento, e os personagens deste mercado ainda não podem prever que tipo de proporções ele vai adquirir. Neste momento, é uma questão de primeiramente estabelecer as fundações básicas: por exemplo, resolver as questões sobre direitos autorais, desenvolver novos e sustentáveis modelos de negócio que, uma vez colocados à prova, sejam aceitos igualmente por editoras, autores e pelo público. Hoje, podemos dizer que, embora a evolução do livro digital esteja acontecendo com uma velocidade frenética, até agora nenhum leitor digital [e-reader] conseguiu chegar perto da qualidade do livro impresso de papel. O livro de papel não vai morrer ou desaparecer – não durante ainda muito tempo – mas o livro digital vai se tornar um componente substancial e adicional da nossa socialização de mídia – como o rádio, a TV e a internet antes dele. Para estarmos preparados para um futuro digital, precisamos agir agora.

O lançamento de novos leitores eletrônicos reflete diretamente no crescimento desse mercado consumidor?
Estudo recente sobre e-readers admite que haverá por volta de 50 modelos no mercado em 2010. Com base em estimativas conservadoras, o número vendido na Alemanha em 2011 chegará a aproximadamente 170 mil unidades. Por volta de 65 mil livros digitais foram vendidos nos primeiros seis meses de 2009 na Alemanha. Os números claramente nos levam a deduzir que a demanda de informação está crescendo, muito embora a disposição para comprar seja ainda pequena. Contudo, isso pode mudar em breve.

Como vê a digitalização de livros desenvolvida pela Google Books, que tem provocado tanta polêmica e processos judiciais?
Não há nada a ser contestado na iniciativa do Google de tornar acessíveis livros que estão sob domínio público e que não estão mais disponíveis no mercado. Ela só se torna problemática quando livros que ainda estão protegidos por direitos autorais são escaneados e explorados comercialmente online, sem terem sido verificados. A Börsenverein [Associação Alemã de Editores e Livreiros] já colocou claramente seu ponto de vista e, em conjunto com outras organizações e associações, provocou a revisão do acordo do Google [Google Settlement].

Há razões para temer que aquilo que aconteceu com a indústria da música, com perda do seu valor de mercado, venha a se repetir com a indústria do livro?
Independentemente do fato de envolver música, filmes ou textos, o conteúdo pago tem encontrado aceitação mínima entre os usuários de internet, mundialmente. Contudo, a cultura do “gratuito”, existente na rede, se tornou um problema existencial para as pessoas e as instituições que vivem da produção e exploração da propriedade intelectual – isso afeta a indústria da música tanto quanto a mídia e a indústria do livro. Editores em todo o mundo estão perdendo milhões em vendas por causa da pirataria – cujo combate se tornou prioridade máxima para que possamos ter o controle deste problema também.

O Sr. aceita a divisão estabelecida por Rupert Murdoch em 2005, entre “imigrantes” e “nativos digitais”, pela qual estes nativos digitais, por conviver com os aparatos da web, a longo prazo, produziriam uma nova cultura em detrimento de jornais e livros impressos?
A esta altura, já determinamos que a socialização de mídia dos chamados “nativos digitais” difere radicalmente da minha – ou seja, do grupo de usuários de internet com idade acima de 29 anos. Plataformas de mídia social e conteúdo gerado por usuário têm tido um papel preponderante para os nativos digitais. Mas esse conteúdo gerado pelo usuário não substitui, em um longo prazo, a qualidade jornalística ou a alta literatura. É por isso que é preciso aumentar a consciência das futuras gerações em relação à importância fundamental de um jornalismo bem pesquisado e coberturas jornalísticas bem produzidas, assim como de reportagens bem fundamentadas, para a compreensão da complexidade do mundo atual. E deve ficar claro que esta qualidade tem um preço.

Marifé, especialista em Brasil

Como vice-presidente da Frankfurter Buchmesse, a filóloga espanhola Marifé Boix Garcia pode ser considerada a maior especialista da entidade quando se fala em Brasil. Conhecedora profunda de tudo o que se refira ao nosso País, ela também falou à PANORAMA.

PANORAMA - Como vê a participação do Brasil no mercado editorial internacional?
Marifé Boix Garcia – O Brasil é um mercado editorial forte e auto-suficiente, que pode facilmente competir com os padrões internacionais. É o oitavo mercado editorial do mundo. A qualidade da sua produção de livros e o volume de publicações interessantes e diversificadas é surpreendente. Visto de fora, a exploração de seu potencial como parceiro de direitos autorais ou sócio de empresas do setor em escala maior, é pouco explorado. De um lado, por causa das barreiras com a língua e à predominância de grupos espanhóis em seus arredores, o mercado brasileiro não tem sido tão focado quanto o mundo de língua espanhola.

Apesar de ter grande população, o mercado consumidor de livros, no Brasil, é pequeno. O que recomendaria para melhorar esse cenário?
O Brasil já é um dos países líderes na situação do mercado educacional e deve encontrar medidas políticas para proporcionar à sua população um acesso mais amplo aos livros e à competência de leitura, especialmente se trouxer camadas além da classe média-baixa. A maioria das livrarias estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto apenas algumas existem em outras regiões. Suponho que este seja um dos pontos que leva à organização de tantas feiras de livros no País. Até onde eu sei, há mais de 15 feiras de livros durante o ano no Brasil. Elas são uma tentativa de “levar” os livros e a leitura para mais perto das pessoas.

Enquanto o livro for considerado um artigo de luxo pela maioria, um passo chave em direção ao leitor talvez seja a utilização digital e de multimídia e a comercialização de conteúdo (veja o crescente número de usuários de celulares!). Acesso ao conteúdo digital através de dispositivos múltiplos de leitura, uma diversificação na expansão de conteúdo disponibilizado ao leitor, é o que editoras e empresas de mídia precisam perseguir. Superar a questão do preço e da falta de dispositivos de leitura seriam os passos seguintes.

Quais as perspectivas de uma parceria entre a Alemanha e o Brasil na área editorial?
A Alemanha possui uma antiga tradição na área editorial. Em uma área de 357.027 km quadrados e com uma população de aproximadamente 82,2 milhões de habitantes, existem mais de 22.241 empresas que fazem parte do mercado de produção ou distribuição de livros no sentido mais amplo, das quais 15.853 são editoras. Desde 1/01/2009, a Associação de Editores e Distribuidores Alemães de Livros conta com 5.832 sócios, dos quais 1.756 são editoras. Mas a fatia do leão é contabilizada pelo comércio de livros, com 3.953 ­empresas.

Os mundos editoriais alemão e brasileiro já têm seladas fortes parcerias. Vários protagonistas e mediadores chave entre estas duas culturas (tais como Ray-Gude Mertin, Angel Bojadsen e muitos outros) já realizaram parcerias sustentáveis e inúmeros projetos de livros em comum. Agora, é uma questão de perseverança e reintensificação de conexões pessoais, também entre a comunidade editorial mais jovem. A barreira da língua precisa ser superada (especialmente no que diz respeito a projetos editoriais e material de revisão e listas estrangeiras) e oportunidades de networking precisam ser procuradas. Feiras de livros e outros programas de contato deveriam focar na intensificação do intercâmbio bilateral.

A Frankfurter Buchmesse é a maior e a mais importante feira mundial para a indústria internacional de livros e mídia. A empresa, além da Frankfurter Buchmesse, uma subsidiária da Associação Alemã de Editores, está especialmente engajada com o avanço internacional do networking dentro da indústria do livro e com a criação de práticas industriais mais profissionais. Enquanto organização de comércio internacional, ela tem uma missão cultural e política de representar mundialmente a indústria editorial alemã e de promover o intercâmbio cultural internacional. Estas responsabilidades incluem tornar a indústria do livro mais profissional através da transferência de conhecimento, da organização de conferências e seminários, bem como de outras atividades correlatas.

Pegar emprestado. Ler. Devolver. Funciona!

São 11 estações de metrôs em cinco Estados, com acervos para emprestar aos usuários. Iniciativa inaugurada em 2004, ultrapassa todas as expectativas de sucesso. Foram emprestados mais de 600 mil livros

Quem pega metrô cruza com multidões apressadas, trens chegando e partindo, catracas girando, quiosques chamando atenção. E livros. Por empréstimo. De graça.

E o que é mais incrível, contrariando o conceito de que emprestar livro é dizer adeus a ele. Nada disso.
“Nossa proposta é colocar um livro no caminho do cidadão que não lê, pelo menos regularmente, e vive estressado com esse corre-corre. Ele precisa tropeçar no livro, do contrário, passa direto, pensa em outra coisa”.

A explicação é do presidente do Instituto Brasil Leitor, William Nacked. A entidade se dedica a ‘expandir o uso e a familiaridade com os livros, jornais, revistas e computadores entre jovens, crianças, famílias e professores, em especial os das grandes periferias, abandonadas à barbárie da urbanização selvagem’.

Nacked e o IBL falam também de ‘novo apartheid’, o apartheid da informação.

O IBL iniciou sua trajetória pelos trilhos em 2004, quando abriu uma biblioteca na estação Paraíso, em São Paulo. Entroncamento que junta duas linhas, por ali passam cerca de 500 mil transeuntes, todo dia. Gente que não quer outra coisa senão baldear, sair, embarcar. É diante desse frenesi constante que surpreende o sucesso da iniciativa ‘Embarque no Metrô’, hoje espalhada por nada menos que seis pontos, inclusive a recém-inaugurada biblioteca na estação Brás, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A meta de Nacked é montar uma dezena de pontos na malha metroviária paulistana, mas o sucesso, que começou há cinco anos, vai estourar as previsões. A própria CPTM colocou mais dois locais à disposição do IBL, Itaim Paulista e Osasco. Ambas estão em fase de instalação e vão funcionar ainda neste semestre. E a própria expansão do sistema vai levar à multiplicação rápida das unidades. Os terminais de ônibus da estatal SPTrans, mais de duas dezenas pela cidade, também serão brevemente contemplados.

A viagem pelo mágico mundo dos livros, via metrô, não pára em São Paulo. O IBL estendeu a iniciativa ao Rio, Recife, Porto Alegre e, em início de agosto, inaugurou em Belo Horizonte a primeira unidade do ‘Estação Leitura’, na estação Central do metrô, que é administrado pela CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos). Como todas as outras bibliotecas movidas a passageiros, tem patrocínio. A da capital mineira tem o apoio da Fosfértil. Outros parceiros do IBL, que investem nas instalações e nos salários dos funcionários das onze bancas, em cinco capitais, são Visa, Votorantim e Usiminas.

O êxito pode ser medido pelos quase 500 mil livros emprestados até hoje. Em um País sem tradição de leitura e, mais ainda, sem frequência de público em bibliotecas, o pulo do gato foi simplesmente inverter o processo. Em lugar do interessado buscar a biblioteca, ela é que aparece em seu caminho.

A mais antiga biblioteca de metrô, a já citada estação Paraíso, já realizou 170 mil empréstimos a seus 18 mil sócios – divididos em 12,5 mil mulheres e 5,5 mil homens. Goleada feminina nesse placar de leitura. Só em 2007 houve um incremento masculino, da ordem de 38%, mas isso se deu em função do marketing do próprio funcionário, que expôs livros sobre esporte durante a realização dos Jogos Panamericanos do Rio.

Para fazer o cadastro e receber uma carteirinha, o interessado só precisa apresentar identidade, CPF, foto 3x4 e comprovante de residência. “Essas bibliotecas instaladas nos metrôs, declara William Nacked, pai da ideia e gestor do IBL, provam que o brasileiro quer e gosta de ler. Facilitar o acesso aos livros era o que faltava para incentivar a leitura em um mundo moderno e apressado”.

Nos quiosques instalados nos metrôs das cinco capitais, o cardápio é semelhante. Um mínimo de 2 mil títulos, que oferecem de tudo um pouco: best-sellers, literatura brasileira, infanto-juvenil, autoajuda, filosofia, linguística, religião, artes, história.

Orgulhoso, Nacked lista os três mitos que as bibliotecas derrubaram, ao longo desses cinco anos de operações:

Mito nº 1: o brasileiro não gosta de ler
Mito nº 2: ele não devolve livros que toma emprestado
Mito nº 3: ele só escolhe porcaria

A perda, isto é, a taxa de não-devolução, e de 0,24% Um índice praticamente zero.

Foram emprestados, até junho passado, data do último levantamento, 617.568 livros.

O livro mais procurado é ‘Caçador de Pipas’, de Khaled Hosseini (Nova Fronteira), seguido por ‘Fortaleza Digital’, de Dan Brown (Sextante) e Marley&Eu, de John Grogan (Ediouro). Outros títulos bem cotados nas 12 bibliotecas, são ‘A menina que roubava livros’, Markus Zusak (Intrínseca); ‘O Código Da Vinci’, Dan Brown (Sextante); ‘O Monge e o Executivo’, James C. Hunter (Sextante); ‘A Pétala Vermelha’, Octávio Augusto (Lachatre); ‘O Menino do Pijama Listrado’, John Boyne (Cia. das Letras).


Números expressivos

600 mil livros emprestados, em um acervo de...

...35 mil títulos, somadas

10 estações, até junho de 2008 (agora são 11), para mais de

50 mil sócios cadastrados, com idade média entre

21 e 30 anos, sendo

65% de mulheres.

0,24% é o índice de não-retorno de livros

Ecofuturo - Projeto Biblioteca Comunitária Ler é Preciso

Conheça o projeto Biblioteca Comunitária Ler é Preciso, que contribui com a formação leitora de crianças, jovens e adultos, por meio da democratização do acesso ao livro de qualidade.



Fonte: Ecofuturo

Meta é qualidade da educação

À frente do maior império de comunicação do País com os irmãos, José Roberto Marinho diz que só o conhecimento rompe definitivamente o ciclo da pobreza

Por Celso Kinjô

José Roberto Marinho herdou uma responsabilidade e tanto. Com seus irmãos Roberto Irineu e João Roberto, dirige um conglomerado de comunicação que envolve redes de televisão (abertas e fechadas, inclusive no exterior), rádio, jornal e revista, portais de internet, produtoras de conteúdo para tv paga, gravadoras, distribuidoras de filmes.

Caçula do trio, 53 anos, vice-presidente das Organizações Globo, comanda também a Fundação Roberto Marinho, que há mais de quatro décadas tem como missão facilitar o acesso aos universos da cultura e da educação, através de seus meios de comunicação.

Na XIV Bienal Internacional do Rio, José Roberto recebeu, em nome da empresa, o troféu José Olympio, em homenagem ao empenho que a Globo vem dedicando ao livro e à leitura. Em 1993, seu pai, jornalista Roberto Marinho, foi agraciado com o mesmo prêmio.

Nesta entrevista exclusiva a Panorama Editorial, o empresário analisa o desafio estratégico que se coloca para o País, o de reduzir as desigualdades, aumentar a escolaridade e, assim, elevar a oferta e a demanda do mercado editorial.

Índice baixo de escolarização e ensino de qualidade discutível. Seriam essas as causas para o irrisório índice de leitura da população? Ou seria mais a falta de acesso ao livro?
“Ambas são verdadeiras. O número de analfabetos funcionais no país é gigantesco. E, se uma pessoa não sabe interpretar o que lê, o mundo do livro não existe para ela. Se ela estudou apenas até o primeiro ciclo do ensino fundamental, por exemplo, deixou de ler inúmeros livros didáticos e paradidáticos que seriam essenciais para a sua formação. O acesso restrito ao livro é outro fator determinante. Além da questão da renda, há problemas como a baixa proporção de bibliotecas públicas e em escolas. Sem dúvida, iniciativas públicas e privadas são fundamentais para reverter esse quadro e elevar o patamar de conhecimento, liberdade e autonomia propiciados pelo hábito da leitura.”

Em sua opinião, como o Brasil pode vencer o analfabetismo (total e funcional), e o agora reconhecido analfabetismo digital? O Sr. acha que o Governo tem feito a sua parte? E a iniciativa privada, deveria participar mais desse esforço do Estado?
“Sabemos que só o conhecimento rompe definitivamente o ciclo de pobreza e melhora de forma sustentada a vida das pessoas. Para atingirmos esse objetivo, é necessário um esforço conjunto – como é o caso do ‘Compromisso Todos pela Educação’ –, que envolve os governos, o setor privado e a sociedade civil organizada. Além de uma questão ética, o desenvolvimento humano é condição para a competitividade do país no mundo globalizado. A qualidade da educação precisa ser, de fato, a prioridade absoluta na agenda nacional, com políticas de Estado continuadas (registre-se avanços nesse sentido) e uma atuação complementar – esse é um ponto-chave para alcançarmos a escala necessária – entre os diferentes setores e atores. E, logicamente, o acesso aos bens culturais e às tecnologias de informação e comunicação precisa estar contemplado nessa busca de soluções, ou as oportunidades serão cada vez mais desiguais.”

De que maneira se pode aumentar o acesso da população ao livro e à leitura? Tão somente através de mais bibliotecas?
“É inegável a importância de se formar desde cedo nas crianças o hábito da leitura, apresentando a elas publicações que estimulem e reforcem o prazer de ler. O ideal é que esse hábito comece dentro de casa e depois tenha continuidade na escola. Para isso, os pais também devem ler – de modo a incentivar que os filhos façam a mesma coisa – e os professores devem ter condições de apresentar leituras diversificadas para os alunos. E os meios de comunicação podem ter um papel de grande relevância”. As Organizações Globo buscam contribuir com a ampliação do acesso à leitura de diferentes formas. Por exemplo, por meio do ‘Novo Telecurso’, metodologia pioneira da Fundação Roberto Marinho, foram distribuídos mais de 600 mil livros nos dois últimos anos.

Através do projeto ‘Época na Educação’, do qual já participaram mais de 1.600 escolas, os alunos e professores recebem revistas, fascículos especialmente desenvolvidos e têm acesso a conteúdos na internet, em um conjunto de atividades que ajudam a desenvolver a leitura e a pesquisa. O jornal O Globo também mantém o projeto ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’, de incentivo à leitura em sala de aula, e o Extra, em onze anos, distribuiu gratuitamente mais de seis milhões de livros, para citar apenas algumas iniciativas.

Recentemente, O Globo lançou ainda, associado ao caderno literário semanal Prosa & Verso, o projeto ‘O Livreiro’, a primeira rede social na internet dedicada aos livros. No campo social, o ‘Criança Esperança’ destina recursos para projetos que promovem a inclusão através da leitura, e o ‘Amigos da Escola’ estimula a participação da comunidade em atividades que têm a leitura como eixo de atuação”.

Sobre televisão: que influência exerce no estímulo à leitura da criança e do jovem? Ela inibe, estanca, estimula a vontade de ler?
“Estamos certos de que uma programação televisiva de qualidade, que busque informar, entreter e educar, com ações voltadas para a valorização do conhecimento e da nossa identidade e diversidade cultural, tem papel importante nesse sentido. Por exemplo, quantas obras de teledramaturgia adaptadas ou inspiradas na literatura nacional não impulsionaram fortemente as vendas de livros?”

O advento de novas mídias eletrônicas vai interferir e até ocupar espaços tradicionais do livro? Ou trata-se de um falso dilema?
“Acreditamos que as diversas mídias são complementares. O home vídeo ampliou a distribuição de filmes. O rádio não acabou com o surgimento da TV. As novas mídias e as novas plataformas para distribuição digital e leitura de livros ganharão espaço, mas o livro físico continuará existindo.”

Em suas diversas mídias, a Rede Globo tem apoiado de modo claro o estímulo à leitura. De que forma se pode mensurar os resultados dessa experiência? Poderia citar exemplos?
“Desde 1965, a teledramaturgia da TV Globo adaptou para o vídeo 72 obras inspiradas ou baseadas na literatura. Foram minisséries, novelas e especiais difundindo em larga escala, no Brasil e no exterior, obras e autores consagrados, assim como revelando novos talentos nacionais. Somente nos últimos quatro anos, a Rede Globo veiculou gratuitamente o equivalente a R$ 37 milhões em campanhas nacionais e regionais de apoio às feiras literárias e de incentivo à formação de novos leitores. Entre 2006 e 2009, o jornalismo da Rede Globo produziu mais de 3500 matérias nacionais e regionais sobre literatura, incluindo a cobertura das principais feiras literárias do País.

Na internet, o portal G1 mantém blogs, faz entrevistas, coberturas e transmissões sobre eventos literários. O assunto é também permanente nos mais diversos sites de programas da Rede Globo. No merchandising social, 61 cenas de incentivo à leitura estiveram presentes nas telenovelas nos últimos quatro anos, difundindo o tema em horário nobre, em todo o território nacional.

A literatura está presente também em espaços relevantes nos Canais Globosat de TV por assinatura e em todas as empresas das Organizações Globo, com ações permanentes e diversificadas.”

Qual é a orientação da empresa no que se refere à divulgação de eventos literários, como feiras, do tipo Flip ou outras mais modestas, exposições, bienais do livro?
“Além do expressivo investimento na veiculação gratuita de campanhas nacionais e regionais de apoio a feiras literárias, e de ampla cobertura jornalística, realizados pelas Organizações Globo, sobre os quais falamos, contamos com participação assídua nos principais eventos literários. E realizamos iniciativas especiais: em 2007, por exemplo, vinhetas temáticas (“plim-plins”) foram criadas para promover a edição da Bienal daquele ano na Rede Globo.

No que se refere ao Sistema Globo de Rádio, a Rede CBN monta estúdios e ancora programas das bienais, produzindo debates, entrevistas e até oficinas, como aconteceu esse ano aqui no Rio. Além da cobertura das feiras literárias, feita também pela Rádio Globo, a CBN leva ao ar reportagens dedicadas ao tema e mantém o boletim diário ‘Tempo de Letras’. Todo esse material fica também disponível no site da emissora.”

A direção da empresa estimula, especificamente, ações de merchandising em favor do livro e da leitura?
“Conforme falamos, contamos com uma quantidade significativa de ações de merchandising social na teledramaturgia que estimulam a leitura e evidenciam a importância desse hábito. É muito comum ver personagens de novelas lendo um livro, comentando sobre uma obra ou autor. É importante que o público perceba que a leitura tem que estar presente no dia a dia. É lembrete aos pais: as crianças precisam ter acesso fácil ao livro em casa. Os pais precisam contar histórias, apresentar o mundo da literatura, e dar o exemplo.”

O Sr. tem uma mensagem otimista em relação ao futuro do livro?
“O Brasil caminha – precisamos acelerar bastante o passo, claro – para se tornar uma sociedade menos desigual. Pode avançar muito nas próximas décadas no desenvolvimento econômico, sem esquecer da inclusão social e do meio ambiente. Isso significa que milhões de pessoas passarão a ter a acesso a bens culturais e à informação escrita. A escolaridade aumentará, assim como a qualidade da educação, com a convergência de prioridades em torno do tema. Isso aumentará a demanda e a oferta no mercado editorial. Temos a certeza de que com esforço conjunto podemos melhorar os índices de leitura e conhecimento no país, reforçando a democracia e a nossa identidade.”

A educação passa pela leitura

Em cada cidade, uma biblioteca. Em cada escola pública, um acervo. E livros didáticos distribuídos a todo o ciclo básico. São os pilares do ministro Fernando Haddad para recuperar a qualidade da Educação

Por Celso Kinjô

Responsável pelo maior orçamento do governo (R$ 41 bilhões, soma equivalente a 4,6% do PIB brasileiro), o ministro Fernando Haddad, professor, advogado e economista, tem, como uma de suas prioridades, o incentivo ao hábito da leitura de livros. Criou vários programas nessa direção, seu ministério vem investindo neles, com a convicção de que o retorno para o País será muito maior.

Em entrevista exclusiva a Panorama Editorial, o ministro, há quatro anos pilotando a Educação, revela seus planos até 2010, quando se encerra o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o Sr. define as ações do Governo em estimular o hábito da leitura, sobretudo nas populações mais jovens?
“Estou de acordo com o diagnóstico de que a leitura é o caminho para a educação de qualidade. Ela nunca será possível se a leitura não estiver presente no dia a dia da população. Daí, derivam as ações do Governo. Não só de garantir que todo município brasileiro tenha pelo menos uma biblioteca pública, como também garantir que todas as escolas públicas recebam um acervo, no âmbito do Programa Nacional Biblioteca na Escola. E mais que isso, estendendo o programa do livro didático para toda a educação básica, e não restringi-lo ao ensino fundamental como no passado.

Até 2005, o governo não encaminhava livros didáticos para os alunos do ensino médio. Isso é uma barbaridade à luz da exigência por mais qualidade na educação. Literalmente, é impossível que alguém faça um bom ensino médio sem uma coleção didática disponível. Hoje, todas as etapas da educação básica; todas as escolas, no que diz respeito a acervos de livros; e todos os municípios, no que diz respeito a bibliotecas públicas, estão sendo contemplados.

E há outra forma de introduzir o hábito da leitura entre os jovens. Experiências empíricas comprovam que a internet é uma porta de entrada importante para que se cultive a leitura. Como a navegabilidade pressupõe a leitura – não é como a tevê, em que você muda de canal com um botão numérico –, a internet estimula a leitura, e há evidências empíricas de que isso tem impacto na proficiência de leitura, e também no consumo de livros. Uma coisa não substitui a outra. Ao contrário, são mídias que se reforçam.

Finalmente, a desoneração tributária de toda a cadeia do livro foi um ato importante do governo Lula, no sentido de tornar mais acessível o livro para a população”.

Como fazer o livro mais acessível, ministro?
“Eu penso que a leitura é conseqüência da democratização do acesso ao livro. Por isso é tão importante o programa ‘Biblioteca na Escola’. As pessoas tendem a imaginar que o cidadão não lê porque não quer, mas muitas vezes as pessoas não cultivam porque não tem acesso ao livro. São inúmeros os exemplos divulgados pela imprensa, de cidadãos comuns que tomaram a iniciativa de criar bibliotecas circulantes, e naturalmente as pessoas se aproximam do mundo da escrita.

O Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), para 2010, foi denominado ‘PNBE do Professor’. A dúvida é: há títulos suficientes para capacitar os professores?
“É uma inovação. Estamos agregando, à biblioteca da escola, uma biblioteca didática para o professor. É uma inovação porque averiguamos que o Brasil não dispõe de número expressivo de títulos de didática especifica. Se você pesquisar essa área em língua inglesa, ou francesa, ou em espanhol, vai verificar que o número de títulos é substancialmente superior ao catálogo em língua portuguesa. Então, esse programa visa fermentar a produção de livros de didática específica. Como ensinar Física, como ensinar História. Como ensinar Filosofia. Tudo isso para as várias etapas da educação básica. É um instrumento valioso na mão do professor, que pode aprimorar a sua didática, se tiver à mão uma biblioteca desse tipo.

Não necessariamente se deve apelar para traduções. Temos professores qualificados para escrever esses livros. A produção local vai ser fomentada a partir do PNBE 2010, em pouco tempo teremos uma coleção de títulos de didática específica bastante significativa. Por que não há ainda essa variedade? Porque sem o apoio do Estado, fica difícil. Quem vai contratar alguém para escrever um livro, sem ter a menor ideia sobre seu potencial. Um livro desse tipo é muito caro, pois exige cuidados, vai chegar na mão do professor, que vai fazer uso dessa prática.

O investimento não é pequeno e sem a garantia de demanda, fica difícil para um editor investir tanto dinheiro, sem ter a menor ideia de como será o impacto do lançamento da obra. Com a garantia de que o Estado adquirirá as obras para compor o acervo das bibliotecas escolares, tudo fica facilitado.

A distribuição de livros na rede pública vai continuar e até crescer, ministro?
“Não tenha dúvida. Ninguém vai voltar atrás na decisão de entrega gratuita de livros didáticos para toda a educação básica. Seria um contra-senso. Agora que a biblioteca chegou à pré-escola, ao ensino fundamental, ao médio, não há retrocesso possível.

O necessário é que o programa ‘Biblioteca na Escola’ se expanda, mas para isso, tenho de cuidar de uma questão preliminar, que é a infraestrutura das escolas, para acomodar acervos maiores. Tem havido esforço razoável por prefeitos e governadores, para adequar instalações e há outros dois programas importantes do MEC. Um é o ProInfo, que está instalando banda larga em todas as escolas públicas urbanas, e o Biblioteca na Escola. São programas muito importantes, até para caracterizar o papel da escola na era da tecnologia da informação”.

É possível uma educação de qualidade em um País de tantas desigualdades, ministro?
“Entendo que se quisermos combater as desigualdades, não há outro meio senão investimento. As desigualdades se explicam pela falta de investimentos em educação. Está comprovado, por vários estudos econométricos, que o investimento que tem a maior taxa de retorno é o investimento em formação. Supera qualquer outro. Entendo que o Brasil despertou para isso, definitivamente.

Entendo que o Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação deu um norte, um caminho para se trilhar, do ponto de vista de se fixar metas de qualidade, desde o ensino fundamental, passando pela graduação, o ensino médio e até a pós-graduação. O sistema brasileiro de avaliação é incomparável, eu diria que é um case a ser estudado, porque estamos avançando em todas as etapas. Há a fixação de metas, ou seja, você investe mais, mas exige que seu investimento retorne para a sociedade, em qualidade”.

O Sr. reivindica que o orçamento para Educação atinja 6% do PIB brasileiro?
“Se o próximo governo mantiver o passo do atual, eu diria que sim. Porque saltamos de um investimento de 2,9% do PIB para 4,6%. Temos toda a condição de chegar ao fim do governo beirando ou superando os 5%, mas em torno de 5%. Se o próximo governo fizer exatamente o mesmo esforço, chegaremos rapidamente a 6%. Mantendo esse patamar, até que se salde a dívida educacional, que é elevada em função da falta de investimentos que é histórica”.

No atual governo, não há cortes na educação?
“Desde 2004, não há cortes no orçamento da educação, muito ao contrário. Nosso orçamento, do ano passado para este, se elevou em cerca de R$ 10 bilhões. A previsão para o ano que vem é de um salto do mesmo porte, talvez um pouco menos. Um orçamento que vai superar os R$ 50 bilhões, tendo saído de um patamar de R$ 23 bilhões em 2004”.

E o futuro do livro, como vê?
“Uma vez que alguém tem acesso ao mundo da cultura, não abdica mais desse benefício. Creio que temos muito a fazer. O brasileiro, do adulto recém-alfabetizado, até o recém-doutor, sabe que o mundo da escrita é inalienável. Uma vez inserido nele, no universo da escrita, ninguém vai sair. Isso vale para o futuro.

A importância de contar histórias para as crianças

Cláudia Marques Cunha Silva

Como recurso psicopedagógico a história abre espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade

Por que contar histórias para as crianças?

A história é uma narrativa que se baseia num tipo de discurso calcado no imaginário de uma cultura. As fábulas, os contos, as lendas são organizados de acordo com o repertório de mitos que a sociedade produz. Quando estas narrativas são lidas ou contadas por um adulto para uma criança, abre-se uma oportunidade para que estes mitos, tão importantes para a construção de sua identidade social e cultural, possam ser apresentados a ela.

Qual a diferença entre ler e contar uma história?

São duas coisas muito diferentes, porém ambas muito importantes. Um texto escrito segue as normas da língua escrita, que são completamente diferentes daquelas da linguagem falada. Quando uma criança ouve a leitura de uma história ela introjeta funções sintáticas da língua, além de aumentar seu vocabulário e seu campo semântico. Porém, aquele que lê a história deve dominar a arte de contá-la, estar preparado suficientemente para fazê-lo com apoio no texto, sabendo utilizar o livro como acessório integrado à técnica da voz e do gesto.

Além disso, quem lê para uma criança não lhe transmite apenas o conteúdo da história; promovendo seu encontro com a leitura, possibilita-lhe adquirir um modelo de leitor e desenvolve nela o prazer de ler e o sentido de valor pelo livro.

Há opiniões divergentes neste campo: alguns autores consideram que o contador sem o livro tem mais liberdade de acentuar emoções, modificar o enredo segundo as reações da criança e portanto, melhor comunicação com o público infantil. Teria ainda mais disponibilidade para trabalhar sua voz e seu gesto.

Somos partidárias, neste aspecto de que o importante é como ler e como contar, porque é preciso que se tenha técnica e preparo para despertar o desejo e o prazer das crianças.
Para que contar histórias?

Um dos principais objetivos de se contar histórias é o da recreação. Mas a importância de contar histórias vai muito além. Por meio delas podemos enriquecer as experiências infantis, desenvolvendo diversas formas de linguagem, ampliando o vocabulário, formando o caráter, desenvolvendo a confiança na força do bem, proporcionando a ela viver o imaginário.

Além disso, as histórias estimulam o desenvolvimento de funções cognitivas importantes para o pensamento, tais como a comparação (entre as figuras e o texto lido ou narrado) o pensamento hipotético, o raciocínio lógico, pensamento divergente ou convergente, as relações espaciais e temporais( toda história tem princípio, meio e fim ) Os enredos geralmente são organizados de forma que um conteúdo moral possa ser inferido das ações dos personagens e isso colabora para a construção da ética e da cidadania em nossas crianças.

Como selecionar histórias para ler ou contar?

Segundo Luiza Lameirão, existem dois tipos de histórias: aquelas que servem de alimento para a alma, permitindo a transmissão de valores e de imagens arquetípicas fundamentais para a construção da subjetividade; e aquelas que servem para despertar o raciocínio e o interesse da criança para formas de agir e estar no mundo

- são chamadas histórias matéria - importantes para a estruturação dos aspectos objetivos de nossa personalidade. Estas últimas devem ser selecionadas de acordo com o desenvolvimento cognitivo do ouvinte porque exigem maior compreensão racional e analítica.

Como se aprende a contar histórias?

Em cursos de capacitação pode-se adquirir as competências necessárias para se contar histórias, aprendendo as técnicas básicas de voz, gesto, materiais de apoio, dentre outras.

Podemos destacar algumas orientações básicas para contar histórias:

· Escolha leituras que tenham ligação direta com o sexo, a idade, o ambiente familiar e o nível sócio econômico da clientela.

· Incentive as crianças diariamente, contando pequenas histórias sem mesmo ter o livro nas mãos.

· Use entonação de voz atraente, sem exageros, faça suspense, faça drama, se emocione, expresse sua opinião sobre o tema e dê oportunidade para que a criança também apresente sua opinião.

· Enriquecer a narração com ruídos (onomatopéias) como miau! Au! Au!

· Movimente o corpo (olhos, mãos e braços), mas sem exageros.

· Evite cacoetes como: aí... então... entenderam... não é?

· Crie a “hora da história”. Na escola, um bom horário é após o recreio para acalmar a turma; em casa pode ser à noite, antes de dormir;

· Determine um dia ou horário para cada aluno ler ou contar uma história. Não force mingúem.

· Em casa, estimule a criança a recontar a história que ouviu; compre livros, dê livros de presente em aniversários, natal e outras festividades;

· Sempre que possível sente-se no nível das crianças.

· Explique quando necessário, o significado das palavras novas.

· Preserve a atenção das crianças no local em que a história está sendo contada. (muito barulho, pessoas estranhas interrompendo, etc.).

Quais as implicações psicopedagógicas do ato de contar histórias?

A história, como já foi dito, possibilita a articulação entre objetividade e subjetividade, espaço “ entre “ no qual se situa o trabalho psicopedagógico. É, portanto, um recurso que pode ser usado tanto no diagnóstico como na intervenção psicopedagógica em instituições e na clínica. O conteúdo mítico, as ações praticadas pelos personagens, os valores morais implícitos na narrativa, permitem projeções que facilitam a elaboração de questões emocionais, muitas vezes expressas como sintomas que se apresentam na aprendizagem. A compreensão dos enredos, a análise dos conteúdos, a estrutura lingüística subjacente ao texto, permitem ao profissional investigar questões cognitivas presentes nas dificuldades do processo de aprendizagem.

Como recurso psicopedagógico a história abre espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade.

Cláudia Marques Cunha Silva - Mestra em Engenharia de Produção com ênfase em Mídia e Conhecimento pela UFSC; Psicopedagoga, coordenadora do Núcleo Sul Mineiro da ABPp; Docente de vários cursos de Pós-Graduação em Psicopedagogia no sul de Minas, tais como: UNINCOR, UNIVAS, UEG-Campus Divinópolis, UCAM, UVA (Convênio com Aprender-atividades integradas) e FEFC- Formiga.